Desde que fora obrigada a morar com Garret Ottman, Lilith deixou de ser uma pessoa com hábitos matinais. Como passava suas noites acordada, dançando na American Dream até que Garret se cansasse, Lilith vivia cansada. Somasse isso ao fato dela se alimentar pouco, explicaria bem sentir-se fraca e preguiçosa.
Ela sempre demorava a acordar. Ainda mais depois de ter passado um dia quase inteiro com os homens que realmente amava. Como ela queria que fosse o corpo quente de Jackson lhe aquecendo, enquanto a boca de Chuck viajava pela sua coxa. Era tão bom imaginar ser deles novamente.
Lilith se mexeu devagar na cama, descobrindo não estar sozinha. Um braço pesado estava sobre ela e, com as pontas dos dedos, ela tentou fazer um carinho. Tentou continuar de olhos fechados e obrigou sua mente a pensar que o homem deitado ao seu lado não era Garret Ottman.
Mas, era.
Eles não haviam transado na noite passada. Garret ficou tão feliz com as compras que supostamente ela fez, que ele a deixou descansar. Até elogiou as roupas e foi carinhoso. Para seguir com o plano, Lilith sorriu e agradeceu pela permissão que ele lhe dera de ir ao shopping.
Só que naquela manhã, por mais que quisesse ser uma boa namorada, ela não conseguiu. Talvez, fosse pelo toque de Garret tentando afastar suas pernas ou o cheiro da loção pós barba que ele usava. Aquele cheiro cítrico que Lilith odiava.
A ruiva pulou da cama, correndo para o banheiro. Quase não deu tempo de chegar ao vaso sanitário para vomitar.
Garret tentou ser o mais paciente possível com Lilith. Pela primeira vez em muito tempo, ele percebeu que ela não parecia ser a Lilith que ele conheceu. E isso o preocupou.
Ela estava mais magra, havia marcas em seu corpo que ele não lembrava ter feito. Quando Lilith correu para o banheiro naquela manhã, ele ficou muito preocupado. Escutou ela vomitar. Levantou-se e foi devagar para a porta do banheiro. Lilith vestia um conjunto justo para dormir e em suas pernas, várias marcas roxas e avermelhadas. Deveria ser pelos saltos que a obrigava a usar. Suspirou.
- Você não parece bem. – Falou, sem sair do lugar, mas a olhando. – Quer que eu chame um médico? Me conta o que está sentindo?
Por mais que tentasse, ela não parava de vomitar. Seu estômago parecia revirado e ela nem conseguia ficar agachada, precisou sentar-se no chão do banheiro. Garret devia estar tendo uma ótima visão de sua bonequinha.
Que cena patética, ela pensou.
- Acho que comi algo que não me fez bem. – Falou, depois de cuspir um pouco da bile. Respirou fundo, puxando o ar pelo nariz. – Eu só preciso de um copo de água e vou melhorar. Não se...
Lilith tentou levantar, mas suas pernas cederam. Foi Garret quem a segurou e ela tornou a vomitar.
Quando parou, se sentia muito fraca e trêmula. Seu cérebro começou a lhe dizer uma coisa, mas ela não queria acreditar. Lilith precisou encostar no corpo de Garret.
- Chama a Brianna. – Pediu, chorando. – Por favor, Garret. Chama a Brie.
No fundo, ele se sentiu bravo por ela ainda não deixar ajudá-la, mas sabia que Lilith não confiaria nele. Por mais que tudo havia melhorado entre eles, ainda existia uma distância entre os dois. Algo que logo seria o menor dos problemas.
Garret a pegou nos braços e levou até o quarto. Logo, estavam os dois vestidos e ele ligando para James, já que preferia manter contato assim com Brianna. Ele desligou e se virou para ela.
- Brianna estará aqui em mais ou menos quinze minutos. – Falou, deixando o celular em cima da cama e se sentando ao lado de Lilith. – Eu te devo desculpas. Acho que pode ser culpa minha por estar assim. Eu te forço muito a fazer tudo pela boate, sou muito egoísta. – Ele parecia ser o máximo sincero possível. Respirou fundo. – Podemos viajar um pouco para se sentir melhor, o que você acha? Talvez ajude a tirar todo esse estresse de tudo.
Lilith estava por um fio. Se a dúvida que passava na cabeça dela se tornasse algo real, todo o seu futuro estaria em pedaços. Mas, uma coisa Garret tinha razão: ela andava estressada, nervosa e agitada. Desde que soube que Mateo estava vivo e os encontros secretos que vinha tendo com Jackson e, no dia anterior com Chuck, Lilith não conseguia relaxar um segundo sequer.
Olhando para Garret, Lilith decidiu que não entraria em pânico. Até que Brianna chegasse, ela só podia fazer o que já se dispôs
.
Enganar Garret.
- Você faria isso por mim? – Perguntou, colocando sua mão sobre a dele. Os olhos dele brilharam com o toque voluntário da parte dela, mas Lilith mão o deixou responder. – Eu gostaria muito, mas não sei se é a melhor a hora. Sei que você e James precisam acertar as coisas com o novo sócio.
Garret desviou seus olhos claros para o rosto da ruiva a sua frente. Seu cenho se fechou pois surgiu uma dúvida sobre o que ela havia falado.
- Novo sócio? – Perguntou, curioso. - Que novo sócio? James não me disse nada sobre isso. – Falou, tentando não parecer nervoso.
Lilith abriu a boca, como se estivesse espantada.
- Tem certeza? – Ela insistiu. – Ontem, Brianna me disse que James só fala nesse novo sócio e em como ele vai ter um lucro melhor com essa parceria. Acho que ele deve chegar na próxima semana.
Garret se levantou em um salto. Novo sócio? Quem seria esse novo sócio e por que James não falou nada para ele.
- Eu... Eu nem sei o que falar. McLean realmente anda com alguns planos um tanto esquisitos e eu nem sei de onde ele pode estar tirando as ideias. – Falou, andando até a janela. Assim, algo passou em sua mente, por isso se virou e olhou a ruiva. – Acha que ele está querendo se livrar de mim? Quer dizer, já temos sócios suficientes na cidade e todos bem distribuídos e com os lucros bem dobrados. – Ele não queria importuná-la, mas era a única pessoa que podia conversar.
Lilith se levantou e foi até Garret. Não era muito normal, eles conversarem sobre os negócios, mas era uma chance que ela não podia desperdiçar.
- Garret, você apoiou McLean tomar a cidade. – Ela lembrou, olhando bem nos olhos dele. – E você bem sabe o que ele teve que fazer para isso acontecer. Sei que não vai gostar, mas... Ao menos você me deu a chance de salvar Jackson e Chuck. James não teve a mesma consideração por Brie. Então, se você quer saber se eu acho que ele é capaz de passar por cima de você, já vou logo dizendo que acho.
Garret fitou a mulher e depois olhou para fora. O que Lilith dizia fazia todo sentido. Voltou a olhá-la e pegou suas mãos.
- Eu não gosto de te envolver nisso, mas preciso que faça algo por mim. – Ele olhava nos olhos dela. – Quero que converse com Brianna, descubra o que for desse sócio, quem pode ser ou até mesmo qual seria o plano atual de McLean. Você tem razão, meu amor. – Ele beijou as mãos dela. – Acho que ele pode estar armando algo e precisamos estar preparados para o que vai vir pela frente. – E voltou a olhar o gramado pela janela. – Se esse desgraçado acha que pode que pode me enganar, ele vai ver que não se mete com um Ottman. – E beijou o anel que carregava o símbolo da família.
Lilith levou sua mão ao ombro de Garret, na intenção de lhe prestar apoio.
- Eu vou falar com ela. – Disse, segurando o queixo de Garret com a outra mão e forçando ele olhar para ela. – Se você me der permissão, eu posso ir ao médico com Brianna e depois almoçar na mansão deles. Assim, eu vejo se tem alguém hospedado lá ou se James está recebendo alguma visita. – Ela só não podia deixar tão na cara assim que estava sendo gentil com ele. Mesmo que precisasse falar coisas que ela não queria, que custavam a sair de sua boca. – Claro que só estou te ajudando porque temos um acordo. Eu serei sua, Garret. Sempre serei sua, se você continuar mantendo sua palavra sobre Jackson e Chuck.
Garret sabia que se tudo desse certo com os planos para Keith, ele teria toda a glória com Lilith. Ela já estava melhorando com ele e com a morte de Jackson, só precisaria consolá-la.
Sorriu, amoroso.
- Jackson e Chuck estarão seguros sob minha responsabilidade, mas eu não quero mais que encare isso como um acordo, Lilith. Quero que aceite ser minha e pronto. Fico feliz que você esteja sendo mais carinhosa comigo, eu não deveria ter sido um canalha como antes. Deixei meus sentimentos dominar. Ciúmes? Sim. Sempre quis que me amasse como você os ama... Ou amou. Não sei mais o que está rolando. – Então, hesitando, ele a abraçou. – Mas tem minha palavra de que eles estarão seguros. Agora, pode descobrir as coisas com Brianna? Ah sim, você tem a permissão de ir lá. – E voltou a olhá-la. – Só tome muito cuidado, por favor. Eu não sei se aguentaria McLean fazendo m*l a você.
Mesmo com nojo, Lilith depositou um selinho nos lábios de Garret.
- Não se preocupe. – Ela falou, sorrindo. – Brie jamais deixaria ele fazer qualquer coisa comigo. Agora vou terminar de me arrumar. Aposto que o médico vai me encher de vitaminas e dizer que eu preciso comer mais legumes. – Brincou.
Parte de si, já imaginava que não era aquele o discurso do médico. Mas, a outra parte precisava confiar que o DIU que tinha implantado em seu útero estava intacto e funcionando.
***
Grávida.
Lilith estava grávida.
Como é que ela ia contar aquilo a Jackson e Chuck? Como dizer aos homens que amava que ela estava grávida de outro? E justo do homem que que os havia separado?!
Lilith usava DIU. Tinha sido uma das questões que ela acertou com Garret tão logo aceitou o acordo com ele. Ela sempre fora r**m em tomar remédio e ele nunca quis usar c*******a. Então, o DIU pareceu certo.
Por cinco anos, funcionou.
O médico disse que na última troca do DIU, ele pode ter se soltado ou ficado m*l encaixado e, por isso, agora, ela estava grávida. Inclusive, ele não tinha se certeza se poderia retirar o contraceptivo sem prejudicar a gravidez.
Lilith engoliu o choro, com os olhos fixos na janela do carro. Deus, o que ela ia fazer?
- Oito semanas, Brie. – Lilith falou baixinho, as mãos pressionadas no ventre. Ela voltou seu olhar para a amiga. – Estou grávida de oito semanas. Sabe o que isso significa? – A morena não respondeu e ela continuou. – Se Mateo tivesse voltado a cidade antes... Se Jackson ou Chuck tivessem se acertado antes... eu... Eu... – Lilith não conseguiu continuar, soltou todo o choro que estava segurando na última meia hora.
Brianna estava em choque junto da ruiva e não sabia o que fazer ou falar. O r**m da situação não era Lilith estar grávida, mas ser um bebê de alguém que estragou sua vida completamente. Ela nem saberia o que fazer se acontecesse com James. O que pode fazer, foi abraçar Lilith para que ela chorasse.
- Acho que ninguém estaria vivendo esse momento, Lili. – Falou baixo, procurando socorro. Nem Luis e Tom conseguiam pensar em algo para ajudar. Eles estavam surpresos nos bancos da frente do carro. – Eu sinto muito por isso, Lilith.
Ninguém disse mais nada até que Tom sinalizou para alguém alguém lado de fora abrir os portões da mansão abandonada de Mateo Hale.
Luis limpou a garganta.
- O patrão O’Brien disse que já está vindo. – Falou, olhando para as duas mulheres pelo retrovisor. – Ele insiste em saber o porquê...
- Não diga nada, cachorro! – Lilith ordenou entre os dentes, enquanto saía do abraço de Brianna. – Eu proíbo você de dizer qualquer coisa para ele ou Chuck. Muito menos para o Ottman. Entendeu? Ottman não pode saber disso.
Luis se virou, depois de trocar um olhar com Tom.
- Senhorita, eu nunca quebraria sua confiança. Lembre-se que minha missão é protegê-la, minha fidelidade é sua. – Disse ele, um pouco ofendido. – Eu não sou seu inimigo.
Brianna se assustou com o modo que Lilith tratou Luis. Pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu que os dois homens a sua frente não mereciam o tratamento que davam a eles.
- Tom. Luis. – Disse Brianna, calma. – Deixem-nos a sós. Vão na frente e por favor, conversem com Mateo. Digam que já entraremos. – Ela respirou fundo. – Expliquem a situação. Ele vai saber como lidar com os dois amigos dele.
Os dois seguranças obedeceram às ordens de Brianna e saíram do carro. Lilith olhou de novo para a janela e observou as roseiras mortas no jardim. Ela se sentia assim. Seca, oca, sem vida. Mas, dentro dela... Dentro dela havia uma vida que não tinha culpa de nada daquilo.
- Eu não vou abortar. – Falou, decidida e se virando para a amiga. – É meu filho. É meu, Brie. É meu.
- Você precisa se acalmar primeiro, Lili. – Falou Brianna, em repreensão. – Estamos vivendo um momento delicado e essa sua raiva, não vai fazer bem a ninguém. Olha como tratou Luis. Ele sentiu suas palavras de uma maneira que não deveria ser. Lembre-se quem realmente temos que odiar e quem vamos nos vingar.
Brianna esperou alguma resposta de Lilith, mas a ruiva ficou em silêncio. Então, respirou fundo.
- Eu apoio você em ter essa criança e manter ela longe do Ottman, mesmo não sabendo como fazer isso. – Passou a mão na cabeça. – Se vai contar aos gêmeos, você precisa estar calma ou nem desse carro, sairemos.
Lilith olhou bem nos olhos de Brianna. Eram como irmãs. Cresceram juntas e enfrentaram juntas tantos problemas. Só Deus e elas sabiam o quanto o mundo podia ser c***l com duas garotas.
- Eu não vou ser como nossos pais, Brie. – Ela começou, depois de um suspiro. – Não vou abandonar um filho meu. Você sabe como os orfanatos são, como esses malditos lares adotivos são piores que um reformatório. – Lilith apertou a mão da amiga, uma bagagem do passado bem ali entre elas. – Nós duas sabemos. Então, eu vou amar esse bebê e vou ter ele. Vou amá-lo sozinha se preciso.
- Não estou falando para abandoná-lo, eu só quero que você saiba bem o que está fazendo. Pense bem. – Brianna encarou a mansão. – Vamos entrar e esperar Jackson e Chuck. Bom, se eles te amam como dizem, vão aceitar a sua decisão. Só espero não ter que dar uns belos tapas nesses dois hoje.
Lilith assentiu com a cabeça e abriu a porta do lado dela para sair do carro. Na entrada principal, Mateo já as esperava.
- Vamos dar um jeito nisso, pimenta. – Disse ele, enquanto lhe dava um abraço. – Não se preocupe.
Depois de trocar um beijo rápido com Brianna, Mateo as guiou para dentro. Tom e Luis observaram, este último recusando a chamada de Jackson que não parava de ligar para ele.
Com um suspiro, Luis se encostou no carro, pensando na melhor forma de ajudar seus patrões e amigos. A única coisa que lhe veio à mente foi enviar uma mensagem de texto a Lexi. Não que ele gostasse da mulher loira e baixinha, mas se ela pudesse apoiar sua patroa, já estava bom.
***
Desde a urgência de Luis ao telefone, Jackson e Chuck estavam apreensivos com o que precisava ser falado, ainda mais quando o assunto era Lilith.
Havia se passado várias teorias na mente deles. Se Garret havia batido nela, ele morreria naquele dia.
Ao chegar na mansão de Mateo, eles logo entraram, sem se importar com quem veriam na frente. Brianna estava sentada com Lilith, que ao vê-los, apenas abaixou a cabeça.
- O que é tão urgente? – Perguntou Chuck, olhando de um para o outro, ansioso. Ele fitou Luis. – Por que não atendeu as ligações de Jackson, Martinez?
Luis engoliu seco, sem saber ao certo o que responder. Foi Mateo quem veio ao seu socorro.
- Ordens minhas. – Mateo mentiu. Ele estava com as mãos nos bolsos da calça, bem atrás do sofá onde Lilith e Brianna estavam sentadas. Protetor como ele era, Mateo queria ter a certeza de que aquela notícia não ia destruir seus melhores amigos. – Pode sair, Martinez. Chamo você na hora que Lili quiser ir embora.
- Perfeitamente, patrão. – O segurança obedeceu, sem olhar para mais ninguém na sala. O clima não estava agradável. – Com licença.
Lilith mordeu o lábio inferior. Tinha que ter coragem, tinha que encarar aquilo de frente, mas não conseguia. O medo da rejeição deixava ela em frangalhos.
Jackson e Chuck trocaram olhares, esperando alguma resposta, que não veio. Ambos olharam para Lilith, para Brianna, para Mateo, mas nada de respostas.
- O que está acontecendo? – Perguntou Jackson, olhando de um para o outro, até fitar Lilith. – Lili, o que aconteceu? Garret te machucou? Ele fez algo contra você?
Mas, mesmo assim, não teve resposta.
Brianna se levantou e olhou para os dois.
- A situação é muito delicada e eu realmente espero que vocês entendam muitos dos motivos do porquê isso vem acontecendo.
- Mas o que está acontecendo, Brie? – Perguntou Chuck, aumentando a voz.
- Eu estou grávida.
A voz de Lilith saiu alta e clara, mas o silêncio sepulcral que a sala se tornou após a frase fez com que parecesse que ninguém a tivesse escutado.
Lilith ergueu o queixo e endireitou os ombros. Ainda estava sentada no sofá, mas encarava de frente os homens que uma vez, ela prometeu amar pelo resto da vida.
- Eu estou grávida. – Repetiu, diante do silêncio deles. Atrás de si, Mateo se mexeu, inquieto demais pela falta de reação dos amigos. – O médico disse que estou grávida de oito semanas. O DIU falhou.
Ambos ficaram olhando para Lilith, a frase dela circulando a cabeça deles. Ela estava grávida e o filho não era deles. Era de Garret. Do maldito Ottman.
Jackson desviou o olhar e se distanciou, já Chuck continuou a olhá-la, com uma dúvida em mente.
- Nossa... – Ele falou, seus olhos azuis um tanto brilhantes. Nesse momento, ele pensou em uma única coisa que poderia entendê-lo, mas precisava se manter focado. – Pergunta i****a, mas o que pretende fazer em relação a isso Lili?
- Chuck...
Mateo começou a falar, mas foi interrompido por Lilith que se levantou do sofá e ergueu a mão para ele. Ele trocou um olhar com Brianna e deixou que a ruiva lutasse sua própria batalha.
- Eu vou ter essa criança, Chuck. – Respondeu ela, firme. – Eu sou órfã. Eu fui abandonada pelos meus pais e não pretendo repetir isso com o meu filho.
A expressão de Chuck foi de decepção, mas foi a risada de Jackson que ganhou a atenção de todos.
- Claro, vai ser muito bom ter um filho do Ottman, o homem que ferrou com toda a nossa vida. – Falou Jackson, parecendo sarcástico.
- Jackson... Eu acho que você deveria ouvir a Lili por um momento. – Começou Brianna.
- Ouvir o que, Brianna? – Gritou Jackson, explodindo. Era nítido que ele estava quase chorando. – Lilith vai ter um filho do Garret e acha que vamos soltar fogos em comemoração? Vamos adotar como se fosse nosso? Eu não sei Chuck, mas eu não consigo ver o que isso vai ser bom para nós.
- E você acha que é bom para mim, Jackson? – Lilith rebateu a pergunta. – Acha que estou feliz em ter um filho com o Garret?! Não, eu não estou feliz. Mas, eu sonho em ser mãe desde que me entendo por gente e não vou abrir mão desse bebê. Nem por você, nem por Chuck e nem por ninguém.
Lilith estava decepcionada. Ela esperava uma reação r**m por parte de seus homens, mas não tão forte como aquela. Não podia mais olhá-los. Não podia esperar mais nada de ninguém. Pegou sua bolsa e saiu.
Mateo ficou perplexo com a reação dos amigos.
- Que p***a foi essa? Vocês perderam a cabeça?
Nem um dos dois respondeu a Mateo.
Brianna deu um passo à frente e cruzou os braços.
- E olha que eu estava defendendo vocês alguns minutos atrás. – Falou, olhando de um para o outro. – Eu achei que vocês haviam amadurecido o suficiente nesse tempo e fosse o maior apoio que ela teria, mas eu me enganei. Me enganei que vocês haviam entendido todo o sacrifício que ela fez por vocês, mas não. Talvez vocês ainda precisem crescer mais um pouco. – E se virou para Mateo. – Eu vou ficar com a Lili, vou fazer o papel que os dois idiotas deveriam fazer. – E saiu.
Jackson e Chuck não olharam quando Brianna quando ela saiu, nem muito menos para Mateo. A culpa bateu neles. Jackson se virou para a janela e Chuck apenas se sentou no sofá que tinha ali.
- Eu não sei o que fazer. – Falou Chuck, baixando a cabeça. – O que você acha, irmão?
Mateo acertou um t**a na cabeça de Chuck. Estava com raiva e envergonhado por seus melhores amigos magoarem alguém que ele tinha tanto apreço.
- O que eu acho, seu i****a? – Resmungou, saindo de trás do sofá e ficando entre Jackson e Chuck. – Acho que vocês dois estão perdendo a mulher que amam por causa de um maldito fator de DNA. – Desde que Mateo soube da gravidez de Lilith, ele se colocou no lugar dela, em tudo o que ela passou. – f**a-se que o bebê é de Garret. Se tudo der certo, ele vai estar morto muito antes desse bebê nascer.
Jackson voltou a olhar Mateo.
- Não importa se Ottman vai estar vivo ou morto, Mateo. Essa criança vai ser dele, ele quem é e sempre será o pai. – Falou, um tanto rude. – Você acha que isso não nos decepciona, mas eu duvido que se fosse o McLean que teria engravidado Brianna, você não estaria sentindo a mesma coisa que nós dois.
- E você acha que eu não pensei em todos os cenários que encontraria ao voltar a Royal Echo, Senhor Sabe Tudo? – Mateo deu dois passos na direção do amigo, com a expressão fechada e bufando feito um touro bravo. – Você ao menos pensou que nesses cinco anos a Brianna não poderia mesmo ter se apaixonado por James ou ter tido um filho dele? Acha que eu não tive medo de chegar aqui e ver que a mulher que eu amava podia estar feliz de verdade? – Ele começou a fazer perguntas, sem parar. Porque era tudo verdade. Mateo já estiver no abismo da dúvida. – Mas, eu acreditei no nosso amor, O’Brien. Eu acreditei que nossa jura de amor fosse se manter firme e inquebrável.
Ele se virou para Chuck.
- Lilith cometeu loucuras por vocês dois. Ela se dividiu em duas, perdeu a liberdade, engoliu as torturas de Ottman e, mesmo assim, mesmo quebrada e cheia de machucados ela esperou por vocês. Ela veio aqui querendo o abraço de vocês, a compreensão dos dois. – Ele balançou a cabeça e passou a mão pelo rosto. – Se esse é o tipo de amor que vocês têm por ela, é melhor deixá-la em paz. Eu e Brianna vamos apoiá-la e cuidar do nosso sobrinho e, se isso, significar não ter vocês dois na nossa vida... Que seja.
Mateo não tinha mais nada para falar. Ele puxou o capuz sobre a cabeça e deixou Chuck e Jackson perdidos em seus pensamentos.