21:00
Royal Echo, Zona Norte;
Cinco anos antes:
Keith só tinha uma missão: estar na hora e no lugar certo e arrastar Mateo para o lugar marcado. Não poderia negar, estava nervoso. O plano de James para tomar os poderes de Mateo era muito arriscado, mas poderia dar certo.
Keith pensou várias vezes se realmente deveria fazer aquilo. Fora convencido por James de estar a seu lado, com promessas de uma Royal Echo melhor e bem mais trabalhada. Ele teria mais poder sobre a cidade, sua comissão e seu trabalho seriam melhores. Keith sempre quis mais e esperava que o plano realmente funcionasse.
Estava estacionado em frente a Mansão de Mateo. Brianna já estava na boate de Garret sã e salva e já era seu maior alívio. Então, saiu do carro e foi até a porta da mansão. Mateo o recebeu com um aperto de mãos.
- Fico feliz que tenha me recebido hoje, Mateo. – Falou Speno, com um meio sorriso. – Peço até desculpas por ser tão tarde, mas é muito importante que conversássemos.
Mateo estava com uma leve dor de cabeça, mas não gostaria de tratar Keith de forma mau humorada. Primeiro, porque Brianna ia ficar chateada e, segundo, porque não era do feitio dele negar uma reunião a nenhum sócio.
Nos últimos meses, vinha lidando com muitos problemas dentro da organização. Uma hora, eram os fornecedores. Em outra, os compradores.
Cristo! Que inferno ser o chefe.
- Tudo bem, Speno. – Disse ele, indicando o caminho para o escritório da mansão. - Brianna levou JoJo a hamburgueria da Zona Sul, posso me encontrar com elas mais tarde. – Antes de fechar a porta principal da mansão, Mateo olhou para o portão de entrada. – Garret não vem?
- Ah ele teve algum problema na boate, me ligou e eu estava no caminho. – Suspirou. – Sabe como aquele lugar é importante demais para ele, não é?
Ao entrar no escritório, notou estar vazia. Se sentou na cadeira e logo, Mateo ocupou o lugar dele na cadeira mais alta.
- Achei que os gêmeos estariam com você... Está tudo bem? Percebi que Jackson e Chuck não andam tão bem, não é?
A princípio, Mateo não respondeu. Não queria confirmar que a relação dos seus melhores amigos estava estremecida. Seria r**m admitir que nada andava bem no paraíso.
Mateo respirou fundo.
- Chuck não está em seus melhores dias. – Respondeu ele, omitindo o fato de o amigo estar envolvido com drogas. – Eles estão na cozinha pegando algumas cervejas e tentando resolver a briga que tiveram com Lili. – Forçando um sorriso, Mateo apoiou os braços na mesa. - Sabe como a pimenta é... Só ela consegue pôr os dois na coleira.
Keith percebeu que Mateo não estava tão bem. Ele parecia bem desanimado.
- As coisas não estão indo bem, eu sei, mas você não pode desanimar Mateo. Estou aqui para isso, para ajudá-lo em alguns dos seus problemas.
Curioso, Mateo ouviu tudo o que Keith estava dizendo sobre os carregamentos e de como tudo poderia ajudá-lo. A conversa foi se arrastando, até que Keith escutou tiros e gritos. Ele se levantou. Sua hora havia chegado.
- Mas o que está acontecendo? – Perguntou, sacando sua pistola.
Jackson entrou correndo no escritório, segurando sua arma e nem deu tempo de cumprimentar o homem.
- Precisamos tirar você daqui, Mateo. – Falou, ofegando e desesperado. – Entraram na mansão e estão atirando em todo mundo.
- O que? Como?
Mateo também estava com sua arma na mão. Ele olhou para as portas de vidro que davam acesso a área de lazer da mansão, mas não conseguia ver ninguém. Era noite, a iluminação da piscina não era tão forte. Seria possível terem passado por toda a segurança que ele tinha na portaria?
- Droga... Qual a melhor rota de fuga? – Perguntou, alarmado. – Eu tenho que sair daqui e pegar Brie e minha filha. Se vieram atrás de mim, podem ter ido atrás delas.
- Não se preocupe, vamos tentar te ajudar antes que cheguem aqui. – Disse Jackson, olhando por todos os lados. Foi até a porta. – Chuck... Chuck... Preciso de você aqui.
Mas, Keith precisava ser rápido. Ele tinha a chance e mesmo que estivesse na dúvida, ou morreria ali ou nas mãos de James.
- Eu quero ajudar. – Falou, olhando de Jackson para Mateo. – Se eles não chegaram aqui, talvez possamos sair por essa porta. – Apontou para a porta de vidro. – Eu não conheço muito bem a casa, mas Mateo pode me guiar e você com Chuck, distraem os atiradores.
Neste momento, Chuck entra no escritório, ofegante e com o cabelo completamente bagunçado.
- Eles estão avançando rápido, já tomaram toda a frente e os fundos. Não teremos tempo suficiente para poder tirá-lo daqui. Temos que protegê-lo.
- Então você e Keith vão pela área de lazer e eu vou ficar por aqui. – Disse Jackson, em tom de ordem para Chuck. – Eu vou seguir vocês assim que perceber não estar encurralado.
Era uma confusão total...
Os tiros, o medo que Mateo sentia em morrer e deixar Brianna sozinha com Joanne... Sua vida sempre foi vivida sob o fio de uma navalha, mas tudo mudou quando ele se casou. Aos pés do altar, ele jurou amar e proteger Brianna e, agora, ele não estava perto dela, não sabia nada sobre ela ou sobre onde ela estava e aquilo o deixava louco.
Quem quer que estivesse tentando lhe separar de sua família ia pagar caro por aquilo.
- O’Brien, não ouse morrer! – Ordenou, indo na direção da porta de vidro com a arma empunhada. – Vamos, Speno... Chuck... Preciso de um carro agora!
Mateo saiu pela porta de vidro, com uma mão em sua arma e os sentidos em alerta. m*l passou pela primeira parte da cerca da piscina, Mateo avistou um homem. Apontou para ele, mas um segundo depois, respirou aliviado. Era James McLean, um de seus seguranças e seu segundo no comando.
Os dois grupos não pensaram duas vezes. Keith ainda trocou olhares com James, que parecia convicto. Quando chegaram perto da área da piscina, apareceram vários homens e começaram a atirar. James e seu grupo se esconderam, enquanto Keith puxou Mateo para mais longe.
- Acho que aqui teremos uma visão melhor de quem chegar. Não se preocupe, meu amigo, eu vou te ajudar.
Mais tiros e eles se abaixaram, se escondendo atrás de mesas e cadeiras. Keith pediu que Chuck ficasse de olho e ele desse mais uma volta, mas o homem não fez isso. Ele sabia que não morreria. Foi aí que Keith se escondeu e apenas esperou.
Não demorou e logo James apontou a arma disfarçadamente para Mateo e atirou. Ele foi atingido em cheio. Chuck ficou em choque e correu para o amigo. Já Keith respirou fundo e pediu que Deus o perdoasse, mas ele só fez o que deveria ser feito. Agora, era só esperar para o restante do plano dar certo.
***
Tempos Atuais...
Depois de se despedir de Mateo e todos na mansão, Brianna ficou o caminho inteiro pensativa sobre o que falaria com James. Eram vários assuntos que ela poderia abordar para colocá-lo contra Garret, então precisava ser bem cuidadosa.
Ela olhou para frente e fitou Tom. Este parecia dirigir bem concentrado. Ela cerrou seus olhos, suspirando.
- Como foi no shopping, cachor... Digo... Tom? – Perguntou, tentando disfarçar seu erro. Tinha raiva do homem a sua frente, mesmo que ele arriscasse sua vida escondida por Mateo e sua família. – Ouvi Lexi dizer que pegou você e Luis babando nela várias vezes.
Tom não era o tipo de homem que se deixava pegar pela surpresa, mas a frase de Brianna quase fez seus olhares saltarem. A baixinha loira viciada na cor rosa era problema.
Dos grandes.
- Acho que sua amiga entendeu tudo errado, patroa. – Falou, já guiando o carro na rua da mansão McLean. Pressionou os dedos no volante e tentou não revelar nada em sua expressão facial. – Luis e eu estávamos apenas cuidando para que a senhorita Lexi focasse em sua missão. Sua amiga se distraí muito fácil.
Brianna mordeu os lábios para evitar sorrir.
- Aham, eu acredito muito em você, principalmente depois do último segredo que me escondeu.
Escutou Tom suspirar. Sim, ela adorava tirar a paciência dele. Os portões da mansão abriram e ele pôs-se a dirigir para dentro.
- Lexi é uma pessoa maravilhosa e está se arriscando demais nessa missão junto de todos. Só saiba que se você ou Luis fizer algo a ela, vão se ver comigo. – Disse, assim que o carro parou.
Brianna tirou os óculos escuros e entrou na mansão. Ao perguntar do marido, disseram que estava tomando sol. Então foi até a piscina e olhou James de longe. O irlandês era um homem atraente, mas ela nunca conseguiu sentir nada por ele, apenas raiva de ter tirado tudo de sua vida. Agora, Brianna queria destrui-lo e faria com o maior prazer do mundo.
Se aproximou, colocando um sorriso no rosto.
- Querido, cheguei. – Falou, chegando perto da espreguiçadeira que James estava.
Se virando para ver a esposa que se aproximava, James sorriu. Era até estranho que ela estivesse tão prestativa e solicita a ele, mas James sabia que ela só fazia aquilo porque ele tinha o controle sobre a pequena Joanne. Embora, ele tinha que admitir que desde a festa de aniversário de casamento, Brianna vinha mesmo tentando ser uma boa esposa.
- Olá, meu amor. - Saudou ele, estendendo a mão para ela e puxando-a para um beijo. Foi um selinho simples, mas na relação deles era um grande avanço. - Vejo que se divertiu. Eu fiz o que lhe prometi, ordenei que Ottman deixasse Lili a vontade e sem exigir hora para ela voltar.
Brianna sorriu.
- Foi tão divertido, você nem tem ideia, meu amor. – Ela falou, contente e logo foi direto ao assunto. – Lili se divertiu, sorriu, coisa que eu não via nela a anos. Mas também, foi um passeio muito informativo, sabia? Ela andou me contando umas coisas bem interessantes sobre o Garret. – Disse, esperando que ele entendesse seu tom.
James arqueou a sobrancelha e se sentou na espreguiçadeira.
- Querida, se ele está traindo Lilith, eu não me surpreendo. – Ele deu de ombros, como se não se importasse. Mas, estava curioso. – Quem é a p*****a? Não me diga que Lili quer se livrar dela.
Brianna acabou rindo.
- Sabemos que Garret nunca vai trair a Lili. Fez tudo para ficar com ela. – E suspirou, mordendo os lábios, se levantando. – O que Lili me contou é um tanto forte, eu quero te ajudar com os negócios, mas não quero ser a mulher fofoqueira e que pode fazer uma amizade de confiança acabar. Você confia demais no Garret, então eu vou para o meu quarto e...
- Espera.
James segurou no braço de Brianna com força, a impedindo-a de se afastar. Imediatamente, a mulher puxou o braço de volta, olhando-o como antes: com nojo e revolta. James não queria que eles recuassem os passos importantes que deram juntos naquele mês que se passou e, por isso, a soltou.
- Desculpe... Me desculpe, Brianna. – James ergueu as mãos, para demonstrar que não fez de propósito. – Você me prometeu que íamos tentar para valer. Que nosso casamento pode dar certo, então, eu vou confiar em você e no que você me disser. – Sem uma resposta dela, ele insistiu. – Estou fazendo tudo o que me pede, não estou? Joanne vem todos os finais de semana, você pode sair com sua amiga... Então, eu vou acreditar em você. Eu juro.
Ela continuou a olhá-lo. Ele realmente estava fazendo tudo e aquele era a cova que James estava cavando. Ela se sentou na ponta da espreguiçadeira.
- Lili me disse que Garret está em conversa com alguém a dias, ela não sabe o que exatamente estão conversando ou com quem, mas ela o ouviu em uma ligação recente e disse que a pessoa no telefone tinha um sotaque diferente e Garret estava... – Ela respirou fundo. – Ele estava oferecendo outro acordo sobre os produtos que revendem na cidade. E pelo que Lilith me disse, este acordo não incluí você.
- Sem mim? – James piscou, surpreso. – Não, não... Lilith deve ter escutado errado. Garret nunca que fecharia um negócio sem mim.
Porém, conforme ia dizendo as palavras, James perdia a confiança. Até que ponto Garret Ottman poderia ser fiel? Até que ponto os segredos e a sociedade deles se manteria forte?
A ambição mudava o homem.
A ambição mudou James.
- O sotaque era espanhol? – Perguntou, já criando algumas teorias na cabeça. – Tivemos um problema com as mercadorias da Colômbia, no mês passado. O’Brien disse que resolveu, mas agora pensando bem, alguém daqui pode ter tentado negociar diretamente com os colombianos.
Brianna pareceu pensar.
- Lili disse que não, que parecia algo mais irlandês. Conheço apenas uma pessoa que teria sotaque irlandês. – Brianna se aproximou dele, colocando a mão em seu peitoral. - Escuta, eu não sei de verdade o que está rolando com Garret, mas prometa que vai ter cuidado? Quer dizer, se ele está fazendo algo pelas suas costas, então pode ser algo bem r**m. – Por dentro, ela se xingava por estar agindo daquele jeito, mas tudo por um bem maior. – E se serve de conselho, acho que a melhor coisa que você faria era falar diretamente com a Lilith. Ela pode explicar melhor e se precisar, ela vai bisbilhotar mais ainda o Garret.
A respiração de James ficou mais forte. Era muito difícil para ele acreditar que Garret o estava enganando. Não era eles que tinham o plano de destruir O’Brien? Mas, e se Garret estivesse jogando nos dois lados?!
James segurou a mão de Brianna e ergueu seus olhos para os dela. Ela podia estar mentindo.
- Por que Lilith me ajudaria? – Questionou, com o cenho fechado. – Não sou um i****a, Brianna. Sua melhor amiga me odeia.
Brianna deu de ombros.
- Lilith odeia o Garret pelo que fez a ela, não a você. – Disse, olhando nos olhos dele. – Lili só quer a vida dela de volta e... Eu a convenci de que você é o único que pode salvá-la. – Brianna fez um olhar de súplica. – Por favor, James. Eu sei que é pedir demais, mas... Devolva a vida da minha amiga. Garret nunca a tratou bem, Lili só é um objeto para ele. Diferente de você, ele não a trata como mulher e isso é muito r**m. Por favor! Converse com ela.
Brianna estava lhe pedindo por favor. Sua esposa, a mulher que ele amava e que por tantos anos o rejeitou, estava abrindo seu coração e lhe pedindo para salvar sua amiga.
James olhou bem para Brianna. Se havia algo no mundo que ela para quem ela moveria céus e terra, era Lilith. Sim, Brianna jamais colocaria a vida da melhor amiga em risco. Aquele pedido era verdadeiro.
James depositou um beijo na mão de Brianna. Com uma tacada só, poderia se livrar de O’Brien, Speno e Ottman e, além disso, ganhar o amor de Brianna.
- Tudo bem, meu amor. – Falou, com sinceridade. – Eu vou abrir meus olhos com Ottman e conversar com Lilith. Se ela estiver certa, podemos fazer um acordo. Isso é bom para você? – Ele sorriu, emocionado pela esposa estar confiando nele. Estava ansioso para agradar ela. Finalmente, seu casamento estava dando certo. – Ela pode vir amanhã almoçar com você. Assim, eu e ela conversamos melhor. Eu também posso exigir de Ottman que ele a deixe ficar o dia todo. Você gostaria disso?
Brianna sorriu e mesmo hesitando, ela abraçou James. Seu coração acelerava de saber que o plano estava começando a dar certo.
- Obrigada, James! Obrigada. – Disse, já se distanciando e se levantando. – Eu vou ligar para ela e fazer o convite.
James estava sorrindo e parecia esperar algo. Ela sabia o que era. Brianna hesitou mais uma vez, mas até quando? Voltou até ele e lhe deu um beijo. Sorriu sem graça e deu as costas ao marido.
Dentro da casa, ela apenas discou o número que precisava falar, olhando para os lados.
- Ele acreditou. – Disse quando uma voz atendeu. – Amanhã, ele falará com Lili. A destruição dele começou.
***
Seus olhos estavam pesados, bem como seus braços e o resto do seu corpo. Por mais que piscasse, tentando despertar do sono profundo, Keith Speno tinha dificuldade. Sua visão embaçada e a dor na cabeça não ajudavam.
Ele tentou puxar os braços, mas não conseguiu. Respirou fundo pelo nariz e forçou-se a lembrar da última coisa que sua mente havia registrado.
A mansão dos O’Brien.
A conversa com ele e depois, a aparição de Chuck.
E então...
Keith abriu os olhos, respirando de forma acelerada. Puxou os braços de novo e as pernas, mas percebeu que estava amarrado em uma cadeira.
Jackson apareceu na frente de Keith, com as mãos cruzadas a frente do corpo.
- E mais uma vez, você percebe a escolha que fez não foi a certa, não é Keith? – Perguntou, sério, olhando o homem a sua frente. – Eu sei que foi a minha casa para me m***r a mando de Ottman e McLean. Agora, a minha dúvida é: você fez James m***r Mateo apenas para ser um mero fantoche daqueles dois ou... Você tinha algum outro motivo para fazer o que fez? A sua chance de se explicar é agora, meu amigo.
Não deu tempo de terminar a frase. Jackson deu um soco no rosto de Keith.
- Não me chame de traidor quando você é um, seu maldito. – Vociferou Jackson, raivoso. – Você nos traiu de um jeito muito pior, foi você quem levou Mateo para a morte.
- Se não fosse por nós, essa cidade estaria no pior caos. – Falou uma voz. Chuck havia surgido das sombras e caminhado direto a Keith. – Eu levei uma culpa que não deveria, mas hoje, o verdadeiro culpado disso vai pagar. – E dando um soco em Keith. Este cuspiu sangue no chão. – Vamos lá, Keith. O que os dois palermas ofereceram para você? A cidade? Metade dela? Ou melhor, ofereceram a Brie para você?
Keith não falou nada. Novamente, Jackson e Chuck o socaram no rosto e na altura do estômago. Ele tentou prender a respiração, tentou se esquivar ou endurecer a barriga, mas uma de suas costelas deve ter sido quebrada, pois ele não conseguiu segurar e gritou com a dor.
- Seus desgraçados! Eu vou m***r vocês!
- Speno. Speno. Speno. – Uma voz surgiu no meio das sombras. – Devia se envergonhar de ser um péssimo mentiroso. – Mateo Hale apareceu bem na frente dele. – Você me levou para sair pelo lado da piscina. Você pediu para Chuck ficar na retaguarda. Você e eu estávamos na mira de James e, eu sei, Speno... Eu vi James atirar em mim e enquanto Chuck corria para me ajudar, você se afastou sorrindo, seu maldito traidor. VOCÊ!
O passado finalmente veio cobrar a ele uma dívida.
Keith queria estar solto, queria poder se defender, mas o trio a sua frente tinha razão. O traidor ali era ele. Então, só dependia dele mesmo sua sobrevivência.
- Hale... Hale... Eu... Eu... Eu não queria, cara. Eu não queria...
- Eu não aguento isso. – Disse Chuck e logo, mais um soco no estômago de Keith, que gritou ainda mais. – Se dependesse de mim, eu faria isso a noite toda só por você ter nos traído, nos jogado na m***a. – Falou, olhando para o homem. – Você não queria, mas a sua ganância sempre te levou ao limbo.
Jackson continuou olhando para o homem com nojo.
- Mas você terá uma chance de se redimir, mesmo que nenhum de nós três queira acreditar que você pagará pelo que fez. – E olhou para Mateo. – Quer fazer as honras, irmão?
Mateo olhou para Keith com raiva. Seu sangue fervia em suas veias, exigindo a vingança que era sua por direito. Ele pegou sua arma da cintura e colocou na testa de Keith.
- Primeiro, eu quero saber o porquê.
Keith encarou sua morte como nasceu e foi criado. De frente, corajoso e sem medo de pagar por seus pecados.
- Porque Brianna era minha. – Keith falou, finalmente em cinco anos, confessando sua maior verdade. – Porque a cidade era para ser minha. Mas, eu sempre fui o esquecido, não é Hale? Eu fui sempre o bom amigo, o bom homem, o bom sócio compreensivo que entende tudo, que ajuda em tudo! Mas, ninguém nunca quis saber de mim! Brianna nem mesmo me escolheu quando você morreu! Lilith também não me pediu ajuda e fui eu quem deu abrigo as duas quando elas só duas adolescentes. Eu fui o irmão mais velho e elas nem mesmo tiveram a decência de me pedir ajuda! – Sem perceber, Keith havia se emocionado. Não chorava por medo. Era raiva. Era rancor. – Sempre seria vocês cinco, sempre foram vocês cinco e eu o cara que sobrava.
Então, era esse porquê.
Ciúmes. Inveja. Ganância.
Mateo destravou a arma e sem mais poder suportar estar respirando o mesmo ar de um traidor, ele decretou:
- E, por isso, tudo o que realmente vai te sobrar, é a morte, Speno.
***