O casarão dormia em penumbra, e a noite parecia respirar pelas frestas das janelas antigas. O som das cigarras vinha de longe, como um coro que embalava o silêncio pesado que pairava sobre a fazenda. Rosa caminhava devagar pelo corredor, os pés descalços roçando o piso frio de madeira. A vela em sua mão tremia, e a luz desenhava sombras que se moviam como fantasmas do passado — memórias que se recusavam a morrer. O vento sussurrava através das cortinas, trazendo o perfume doce e inquietante das roseiras. Era sempre assim: onde havia rosas, havia lembrança. E naquele instante, o cheiro parecia mais intenso, quase um presságio. Ela encontrou Felipe na biblioteca — o lugar onde ele sempre se refugiava quando precisava fugir de si mesmo. A porta estava entreaberta, e a luz bruxuleante do lam

