A madrugada chegou com um silêncio que parecia antecipar um milagre. O vento, antes seco e frio, agora carregava o perfume doce e inconfundível das roseiras. Felipe despertou primeiro, sentindo o cheiro invadir o quarto, uma mistura de terra molhada, néctar e lembrança. Levantou-se devagar, o corpo ainda pesado do sono e do amor da noite anterior, e caminhou até a janela. A visão o deteve. O jardim, que há meses jazia estéril e pálido, agora pulsava em vida. Sob o luar prateado, centenas de botões se abriam em sincronia, como se a terra inteira respirasse pela primeira vez depois de muito tempo. As pétalas úmidas brilhavam, rubras, rosadas, brancas, um espetáculo silencioso, mas arrebatador. Lá fora, o som de passos ecoava. Os empregados já haviam saído das senzalas reformadas, descalço

