Capítulo 66 — Aliados de Ana e Antenor

1651 Words

A chuva caía com o peso de um segredo. No casarão abandonado, as luzes tremiam. O som dos pingos no telhado fazia o tempo se arrastar, pesado, sufocante. A porta rangeu. E, no vão, apareceu Ana — encharcada, trêmula, mas ainda sustentando o que restava da própria dignidade. Antenor levantou os olhos do copo, o sorriso vindo antes mesmo da fala. — Eu sabia que você voltaria. — A voz dele era fel e triunfo. — Nenhum favor é de graça, não é, minha doce traidora? Ana hesitou. O rosto dela, antes marcado por culpa, agora trazia medo. — Eu não vim por você — murmurou. — Vim pelo que me deve. Antenor se levantou devagar. Cada passo era uma ameaça. O ar entre eles parecia vibrar, espesso como fumaça. Ele se aproximou, o cheiro de álcool e tabaco envolvendo-a, o olhar queimando como faca.

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