O crepúsculo caía lento sobre a fazenda, espalhando ouro velho nas janelas e um cheiro de terra úmida no ar. O som das cigarras era uma canção antiga, uma lembrança viva dos dias em que o amor entre Rosa e Felipe ainda não conhecia o nome do medo. Ela caminhava entre os corredores da sede com passos curtos, o coração apertado. Cada parede parecia guardar um eco, risos antigos, segredos sussurrados, promessas que o tempo desbotara. No fundo, a luz morna do salão principal filtrava-se pelas cortinas, pintando o chão de tons alaranjados. Felipe estava ali, de pé, encostado na mesa de madeira escura, observando-a como quem contempla um fantasma que ousou voltar. — Rosa… — a voz dele saiu grave, rouca, entrecortada por algo que ele tentava esconder: ternura e dor misturadas. Ela não responde

