Capítulo 41 – Rosa Enfrenta a Memória

2029 Words

A manhã se erguia lentamente sobre a fazenda, tingindo os campos com a luz dourada que parecia, de tão serena, uma pintura feita à mão. Mas dentro do quarto onde Rosa repousava, não havia paz. O sol que atravessava as cortinas tocava sua pele como ferro quente, reacendendo lembranças que não cicatrizavam. Cada raio parecia cutucar feridas que nunca fecharam. Ela abriu os olhos, ainda pesados pela febre dos últimos dias, e por um instante não soube se estava na casa de Felipe ou de Antenor. O teto de madeira polida lhe trouxe uma estranha mistura de conforto e ameaça, como se a memória tivesse se sobreposto ao presente. A respiração falhou. O coração disparou. A mão deslizou até o ventre, lembrando-se da dor que a marcou como sentença — a perda de um filho que sequer soube que carregava.

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