O sol descia lento sobre a fazenda, tingindo de dourado as janelas antigas e as folhas das roseiras que dançavam preguiçosamente ao vento. A casa grande exalava aquele aroma agridoce de chá, remédios e flores cortadas, uma mistura de cuidado e saudade. Lá dentro, Clara caminhava devagar pelo corredor, o som de seus passos ecoando entre as paredes, como se cada toque no piso de madeira despertasse memórias que o tempo insistia em manter vivas. Abriu a porta do quarto e viu Rosa sentada à beira da cama, o corpo ainda frágil, mas o olhar... o olhar estava diferente. Não era mais o de uma mulher quebrada. Era o de quem começa, aos poucos, a se reconstruir. O vestido leve de algodão moldava-lhe a silhueta magra, e a pele; outrora pálida de dor; começava a recuperar o tom de vida. As mãos repo

