A noite caiu pesada sobre a fazenda, com um vento frio que fazia as janelas baterem como corações assustados. O céu, antes bordado de estrelas, agora se cobria de nuvens densas, escondendo até a lua, como se o próprio firmamento temesse o que estava prestes a acontecer. Dentro da casa, o silêncio era espesso, quase vivo. Só o som do relógio da parede marcava o tempo ; tique, taque, tique, taque , como se cada batida fosse um passo mais fundo dentro da mente de Rosa. Ela estava sentada na poltrona, o corpo envolto em uma manta, o olhar perdido em algum ponto que ninguém via. Felipe observava de longe, em pé, os braços cruzados, temendo qualquer movimento que pudesse quebrar aquele frágil equilíbrio. Mas o equilíbrio, como tudo que é delicado, sempre termina por se desfazer. Rosa piscou

