O quarto ainda respirava a fúria de Antenor. As paredes, impregnadas pelo grito dele, pareciam pulsar como se guardassem ecos de maldição. Rosa permaneceu sentada na beira da cama, o corpo marcado pelo aperto do braço, a pele ainda ardendo no ponto em que ele a puxara. A respiração vinha curta, mas os olhos… os olhos estavam distantes, em outro lugar. No reflexo do espelho, ela não se viu apenas como mulher ferida. Viu-se como sobrevivente. E, no fundo, como prisioneira de um fogo que nenhum medo conseguia apagar. Porque bastara um olhar. Bastara a sombra de Felipe atravessando a rua, os olhos queimando nos dela, para incendiar novamente tudo o que Antenor tentava enterrar há anos. Ela passou a mão pelos cabelos soltos, ainda impregnados do perfume do salão, e fechou os olhos. O corpo

