Por Bella
-NÃÃÃÃOO... NÃO ENCOSTA EM MIIM!!! –grito tentando sair das garras do homem, mas minhas mãos estão amarradas.
-Sai de cima dela seu i****a, temos que entregar ela bem. –a mulher fala e eu choro, sentindo o homem saindo de cima de mim.
Ele sai cheio de raiva por não poder t*****r comigo, começando a me bater, com porradas e chutes. O chutes são desferidos em minha barriga e apesar de me ouvir implorar para que pare, ele continua enquanto xinga seus palavrões.
-Por favor, pare! Não aguento mais.
Meu corpo está mole, não aguentando mais manter meu olhos abertos e sem forças para me defender eu me entrego.
-Que parte do: "entregar ela bem", você não entendeu, seu i****a? — um homem entra falando, interrompendo as agressões e me oferece um celular, mesmo vendo que estou quase desmaiando.
-Pega o celular e fala com seu namorado que se ele não pagar, você morre. -o homem fala me entregando o celular e eu reconheço a voz.
Essa voz é do Mauricio! Penso, pois se eu disser é capaz dele querer me m***r.
-Alô! Alô! -ouço a voz do meu amor do outro lado da linha no viva voz e choro não conseguindo falar.
-FAALA, v***a! -Mauricio grita puxando meu cabelo para trás como se fosse arranca-los e uma dor me invade.
-AHHHHHH!!!... Amor, eles querem o dinheiro... senão vão me m***r. -falo baixinho, tentando controlar o ar, sentindo muita dor.
-Eles te machucaram, meu amor? -meu lindo pergunta e sinto sua voz embargada pelo choro, fazendo meu choro sair mais alto.
-Se não pagar o resgate ela morre. -Mauricio fala com o Evans ao tomar o celular da minha mão e desliga a ligação.
Os homens saem do quarto em seguida e amarrada eu fico jogada ao chão, sentindo dor e frio. Sinto algo melado em meu rosto e imagino que seja sangue, mas não tenho como limpar, assim como tirar os cabelos molhados do meu rosto.
Imagino que muitas horas se passaram após a ligação, ja que amanheceu e a fome, junto com a sede me consomem.
-EEIII, por favor, ALGUÉMM. –grito extremamente fraca.
-O que foi agora? –a mulher fala entrando no quarto.
-Por favor, água e comida. –falo deitada no chão, sentindo minha barriga latejar de dor e como está de dia, vejo o Mauricio entrar no quarto.
-Vou pegar pra ela. –ele fala me olhando e sai me deixando com a mulher enciumada.
-Você é muito sortuda mesmo, né, v***a? Tem o gostoso e bilionário do Evans aos seus pés e ainda o Mauricio que está querendo entrar no meio de suas pernas –ela fala e sinto seu ódio sobre mim.
-Me solta, por favor! –peço sem muita força pra gritar, a vendo me olhando, mas logo ela gargalha.
-Te soltar? Vou receber vinte milhões de reais por você, fofa. - afirma ainda rindo e sai do quarto.
-Aqui a sua comida e água, mas já que estou te dando um agrado, vai ter que me dar também. –um dos homens fala colocando a mão em minha boca para eu não gritar.
-Desde que o Mauricio mostrou sua foto, penso em fazer isso. –diz em cima de mim e me debato, tirando forças do alem, o mordendo bem forte no braço arrancando um pedaço de carne.
-Sua v***a, agora vou te mostrar como se bate de verdade. –ele fala furioso após olhar o estrago que eu fiz.
Ele aperta meu pescoço contra a parede e eu tento me livrar, mas ele é mais forte. Sou jogada no chão, começando a receber vários socos em meu rosto. Os socos me deixam zonza, mas achando que está pouco, ele se levanta e começa a dar chutes fortes em minha cabeça e vários outros em barriga.
-SOCORROOOOOO, me tirem daquii. –dou o ultimo grito, antes de perder as forças e a porta se abre, mas eu não vejo mais nada...
Por Nicholas Evans
Estou dando voltas na sala, enquanto eles tentam o mandado para ir atrás do Mauricio. Meu celular toca e é um número restrito, igual ao que recebi dos sequestradores, fazendo meu coração gelar de medo.
-Alô! —atendo e não falam nada. —Alô! -repito e ouço um choro.
Minha pequena! Sinto como se recebesse um soco no estômago e me apoio na cadeira para não desabar em frente de todos que ouvem a ligação no viva voz com Tobias pediu.
-FAALA, v***a!
Meu Deus!
-AHHHHH...Amor, eles querem o dinheiro... senão vão me m***r. -avisa chorando em meio ao terrível grito de dor e sinto minhas pernas fraquejarem, sentando no sofá ao lado da Yasmim e da Lia que choram baixinho ouvindo a ligação.
-Eles te machucaram, meu amor? - pergunto tentando não passar fraqueza, mas meu choro está a um passo de ser liberado.
-Se não pagar o resgate ela morre. -alguém fala e desliga o celular, com o choro da minha mulher ao fundo.
-Eu consegui! Rastreei a ligação. -um dos agentes federais fala chamando a nossa atenção.
-E eu consegui o mandado, bora pegar ele. -Tobias fala levantando o mandado para pegar o Mauricio que acabou de receber de um oficial.
Durante a rápida investigação sobre a vida do Mauricio, descobrimos que ele com a namorada, estão envolvidos com trafico de drogas e outros pequenos crimes, dando mais enfase na teoria dele ser o sequestrador.
-Vamos! –falo pegando as chaves do meu carro.
-Nick , você fica! –Tobias ordena me vendo disposto a qualquer coisa.
-Minha mulher precisa de mim, não vou ficar aqui esperando. Vamos! –falo não dando chance dele retrucar e saio de casa.
Fomos todos em comboio, com cinco carros dos policiais saindo da minha rua e eu vou no meu com o Diego.
-O que vai fazer quando chegar lá? – Diego pergunta preocupado.
-Estou preparado para tudo. –falo mostrando uma arma no porta luvas e ele se assusta, mas não diz nada.
Depois de quase uma hora de carro chegamos na estrada da fazenda que rastrearam pela ligação e paramos os carros escondidos.
-Vamos ter que entrar a pé, para que eles não nos ouçam chegando de carro. –Tobias fala nos dando os coletes e todos concordam.
Corremos por uns cinco minutos até avistarmos uma casa bem grande e uma casinha próxima. Tobias mandou alguns para a casa grande e nós fomos em direção a casinha.
-Vocês por trás. –Tobias fala pra três homens, que logo seguem para os fundos.
-Quando contar até três, entramos pessoal. Nick você entra depois, senão me complica. –Tobias fala e eu concordo.
-Um, dois.. -ele fala e quando ia contar o três, ouvimos o grito da Bella.
-SOCOOORROOOO...
Olho pro Tobias assustado, que logo arromba a porta com o pé. Os homens entram com as armas em punho e tiros ecoam pelo local. Meu Deus!
Entro logo atrás e uma mulher com um homem estão caídos pelo chão. Ouço mais um tiro vindo do que parece um quarto e corro para lá com a adrenalina perdendo para o meu medo.
No quarto vejo um policial caído, Mauricio em pé ainda com a arma na mão e a Bella desmaiada ao chão com o corpo cheio de sangue. Vou pra cima dele enfurecido, que deixa a arma cair e meu ódio por ele é tanto que distribuo vários socos em sua cara.
Ele rola para perto da arma, a pegando e apontando para mim com um sorrisinho de vitorioso na boca. Ouço o tiro e por instinto fecho os olhos esperando ser atingido, mas quando os abro, o vejo caído no chão. Olho para trás, procurando saber quem atirou, vendo que foi o Tobias quem me salvou e corro para onde está a Bella.
-Minha pequena! -falo a pegando em meus braços, percebendo que seu rosto está completamente machucado.
-Amor, olha pra mim. –peço a levando pra fora, assim que Tobias solta as algemas, mas ela não reage.
-Já chamei uma ambulância. –Tobias fala ao meu lado e a coloco na grama.
Depois de poucos minutos a ambulância chega e nada da Bella acordar. Entro com ela na ambulância e uns barulhos estranhos nas maquinas começam a aparecer.
-Parada cardíaca, começando RCP. –o paramédico fala e começa a fazer a reanimação.
-Meu amor, fica comigo, por favor. Eu te amo! –imploro sentindo minhas lagrimas em meu rosto e dou espaço pra eles trabalharem.
-Mais rápido. –o outro paramédico fala batendo na parede da ambulância e imediatamente o motorista liga as sirenes, aumentando a velocidade.
Chegamos no hospital mais próximo e eles rapidamente a levam para dentro, mas ainda a tempo de ouvi-los falar algo que me deixa louco.
-... hemorragia interna. – falam e me desespero.
Meu Deus, ajuda minha mulher. Eu a amo demais! Pego o celular com as mãos tremendo e ligo pra Yasmim.
-Achamos ela, Diego vai te mandar o endereço do hospital. –falo segurando o choro assim que ela atende chorando.
-Ela está bem? – pergunta chorando e não consigo falar, se eu falar vou desmoronar.
-Cunhado? Me fala a verdade. –ela fala e lagrimas escorrem pelo meu rosto, respirando fundo para responde-la.
-Ela está em cirurgia. Liga pro Diego. –falo e desligo procurando um banheiro.
Entro no banheiro desesperado e fecho a porta, liberando meu choro que desde ontem está preso em minha garganta. Choro como nunca chorei antes. Choro para aliviar esse medo que sinto a todo instante de perde-la. Nunca amei tanto uma pessoa, como a amo. Não me vejo sem o meu amor.
Os minutos passam enquanto choro e depois de muito esforço consigo me controlar, parando de chorar. Saio do banheiro após lavar o rosto e vejo o Diego ao lado do Tobias a minha frente.
-Ela vai sair dessa! –Diego fala me abraçando e com a tristeza instaurada em meu peito, balanço a cabeça confirmando.
Três horas se passam após a entrada da Bella na cirurgia e isso está acabando comigo. Essa espera deixa qualquer pessoa enlouquecida.
-Por que eles não falam nada nessa p***a de hospital? –Yasmim pergunta impaciente, se levantando de onde estava sentada ao lado da Lia.
Quando o Diego ameaça responde-la, a doutora que atendeu a Bella aparece na sala de espera e todos ficam atentos a mulher.
-Família de Ysabella Alcântara. –chama e nos reunimos para receber as informações.
-Somos nós. –falo posicionado em sua frente.
-Ela teve duas paradas cardíacas e chegou aqui com hemorragia interna no útero, traumatismo craniano e 2 costelas quebradas. Conseguimos controlar a hemorragia e agora é esperar, mas já te falo que ela é uma guerreira. Sofreu muito golpes pelo corpo, principalmente na barriga e cabeça. Não sabemos se vai ficar sequelas, mas vai precisar de muito amor pra se recuperar. – informa e passo as mãos nos cabelos de nervoso.
-Meu Deus! - Yasmim fala com a mão no peito.
-Calma, amiga.-Lia pede chorando, tentando consolar a Yasmim, que olha pra mim e vem me abraçar.
A aconchego em meus braços e ela chora alto, se entregando ao desespero.
-Podemos vê-la? –pergunto escondendo meu desespero.
-Sim, mas apenas um por vez.
-Pode ir primeiro, cunhado. -Yasmim fala e nem a questiono, caminhando para a UTI ao lado da doutora.
-Ela pode demorar um pouco para acordar, devido aos sedativos. - a doutora fala no corredor e eu balanço a cabeça concordando.