Paro em frente a UTI e respiro fundo antes de entrar me preparando para o pior, mas nada iria me preparar para o que vejo, me assustando ao abrir a porta. Ela está muito machucada. Seu olho esquerdo está absurdamente inchado, boca inchada e cortada, com uma faixa enrolada na cabeça por causa do traumatismo craniano. A cena é h******l!
-Ei minha pequena, estou aqui, vou cuidar de você. —falo alisando seu rosto que está cheio de cortes. —Me desculpe te deixar você sozinha, meu amor.
Falo sentindo meu peito pesado, cheio de dor e lagrimas escorrem pelo meu rosto. Sento na cadeira ao lado e choro baixo segurando sua mão. Vejo que suas unhas estão em carne viva e imagino o quanto tenha lutado. É de cortar o coração!
Saio do quarto vinte minutos depois de muitos carinhos juntos a lagrimas e sua irmã entra. Arrasado, sento na sala de espera onde se encontra a Lia e Diego, mas minha vontade é permanecer com a minha pequena.
-Como ela está? -Diego pergunta e respiro fundo antes de responder.
-Muito machucada. -respondo com o coração pesado de dor.
-f**a! -ele fala passando a mão no cabelo e eu concordo.
Mais vinte minutos se passam e Yasmim sai do quarto chorando muito, vindo me abraçar. Minha cunhada chora em meus braços desesperadamente e me seguro para ser forte.
-O que fizeram com ela, cunhado? A machucaram demais. -fala chorando e olho para o Diego.
O vejo angustiado ao meu lado querendo conforta-la e me afasto para que ele faça seu papel, vendo Yasmim o abraçar apertado.
-Estou com medo...a amo demais, não quero vê-la assim. -Lia fala baixinho, chorando sentada numa das cadeiras, sabendo que é sua vez de entrar. Caminho até ela e me sento ao seu lado.
-Ela vai precisar de força. Seja forte por ela. - falo a puxando para um abraço e quando se recompõe, segue para a UTI.
-Preciso que vá na minha casa e separe umas roupas confortáveis, ela vai precisar quando for para o quarto. - falo com a Yasmim que concorda limpando sua lagrimas.
-Não precisa ser hoje. Vá pra casa e vem amanha cedo.
-Quero ficar com ela, cunhado. - fala chorosa.
-Não podemos ficar todos com ela, descansa e amanha você vem. -falo e ela concorda vendo que não ha nada a fazer.
Depois que Lia sai da UTI chorando, ela e Yasmim vão embora com Diego e eu volto pra onde a Bella está. Fico sentado ao lado dela, alisando seus cabelos por tanto tempo que não percebo e acabo dormindo debruçado na cama.
-Hmmm... -ouço um baixo gemido e acordo assustado.
Percebo que ja é de manha e ela está olhando para mim.
-Oi, minha linda, como está se sentindo? -pergunto, mas ela não responde, me olhando assustada.
Olho no relógio constatando que são 6 hrs da manha e decido chamar a medica.
-Vou chamar a medica, ok? -aviso e ela se esforça para falar, mas tem dificuldade.
-Não diga nada, vou chamar a medica e já volto. -Falo e beijo sua testa.
Saio preocupado do quarto, voltando logo depois com a doutora e ela a examina.
-Qual o grau da sua dor, Ysabella? - a doutora pergunta apos os exames clínicos.
-oito! - responde baixinho e fecha os olhos com a dor.
-Vou aumentar a dosagem dos analgésicos e logo essas dores irão diminuir. - fala e se prepara para sair
-Quem é você? -minha pequena pergunta a mim, fazendo um frio no estomago me atingir e rapidamente eu olho para a doutora a questionando, que faz cara de pesar.
-Ei, meu amor, sou eu. - falo me aproximando e alisando seus cabelos.
-Ela sofreu muitas pancadas na cabeça. Infelizmente, precisamos esperar pra ver se essa amnesia é temporária ou não. Sinto muito! -a medica explica me deixando devastado.
-E o que eu faço? -pergunto sem acreditar no que está acontecendo.
-Vamos dar tempo a ela, sem pressão para não agravar o quadro. -ela fala saindo em seguida do quarto, me deixando sozinho com a Bella.
-Meu nome é Nicholas Evans, sou seu namorado e moramos juntos. -faço um curto resumo e a vejo confusa.
-Impossível! —ela fala baixinho e não consigo evitar que meu coração fique em pedaços. —Mas tenho uma... sensação diferente sobre você. -sincera como sempre, ela diz pensativa, como se quisesse entender o próprio sentimento.
-Que sensação? -pergunto em expectativa.
-Ainda não sei. —responde com os olhos fechados, mostrando que está sentindo dor. —Pode me contar o que aconteceu comigo? - pergunta me fazendo lembrar o porque foi sequestrada.
-Você foi sequestrada, isso é tudo o que precisa saber. -respondo cheio de culpa.
-Por quem e por que? -pergunta assustada, porem baixinho.
-Por pessoas más. -respondo indo acariciar seus cabelos, mas ela dá a entender que não quer, se esquivando.
-Não vou te machucar. -afirmo, mas de nada adianta.
-Não sei quem é você. -ela fala desconfiada e recuo frustrado.
-Bella! -Yasmim fala chorando entrando na UTI e eu saio com a tristeza me dominando.
Por Bella.
-Estou bem. -falo baixinho e a dor que me atinge nas costelas, a vendo chorando.
-Eu pensei que você fosse.... - fala chorando, cortando meu coração.
-Xiii... Estou bem. -afirmo, mas obviamente não estou.
-Evans foi perguntar a doutora quando você poderá ir para o quarto, assim vou poder ficar mais tempo. - diz sobre o homem que estava aqui.
-Não consigo me lembrar dele, alias não consigo lembrar de nada nos últimos dias ou meses. Sei lá! -falo pensativa.
-Não consegue lembrar do Evans? Vocês moram juntos. Você o ama e o amor de vocês é lindo de se ver. -explica com pesar, me deixando surpresa.
Há anos venho escolhendo a dedo com que me envolvo e agora fico sabendo que amo e ja moro com um homem. É muita informação!
-E a mamãe? Deixou ela sozinha em casa? -pergunto preocupada e ela faz uma cara de quem não está entendendo a pergunta.
-Espera um pouquinho, Bella. - ela fala confusa e sai, voltando logo depois.
-A mamãe está com a tia penha, elas foram para um retiro da igreja. - responde me olhando diferente.
-Hmmm.. Que bom que ela está melhorando, então. - falo desconfiada, mas resolvo não insistir.
Depois do almoço sou transferida para o quarto, onde a doutora informa que quanto mais rápido eu tiver contato com as pessoas do meu convívio, mais alta é a chance de recuperar a memoria.
-Aqui é bem melhor. -Lia fala sentada no sofá de dois lugares ao lado da minha irmã, com um homem chamado Diego.
Pela mão posicionada na coxa da Yayá, imagino que estejam juntos e apesar do rosto inchado pelo choro, vejo que ela gosta dele. Seu olhar para ele é diferente dos homens com quem ela se envolve.
Diego é bem bonito e alto, mas também é falante como ela, com seu bom humor nas alturas. Com certeza combina com minha irmã.
Yayá, Lia e o tal de Diego ficam tagarelando no sofá, tentando me manter animada, mas não está funcionando, devido as dores e minha extrema confusão.
Sentado num canto está o Evans, que não tira os olhos de mim, mas seu olhar é muito carinhoso. Ele é moreno claro, alto, barba por fazer e cabelo estiloso com seu topete alto. Ele está usando calça jeans e camisa de botões com suas mangas puxadas até o cotovelo. Já vi alguns homens bonitos na vida, mas igual a ele ainda não tinha visto. Sua boca lindamente delineada chama minha atenção e vejo um sutil sorriso no canto, percebendo que o analiso.
-Vem aqui. -o chamo baixinho aproveitando a deixa, intrigada com algumas coisas.
Ele chega do meu lado e eu peço para que chegue mais perto, ja que não estou conseguindo falar alto. Se sentando na cadeira ao meu lado, ele aproxima seu ouvido bem perto da minha boca e sinto seu inebriante perfume entrar em minhas narinas.
-Desculpa por te colocar nessa situação. Gostaria de lembrar, mas não sei o que aconteceu com minha memoria. -falo o vendo balançar a cabeça concordando, mas não diz nada, continuando com nossos rostos bem próximos.
-Me fala o que está pensando, talvez isso me ajude, mas cuidado, gosto da verdade. - falo tentando sorrir, mas minha boca machucada não permite.
-Eu sei. -ele fala com um sorriso brincando no canto de sua boca e é a coisa mais linda que eu poderia ver.
-Estou pensando na sorte que tenho em você estar aqui. Apesar de todos os machucados e da falta de memoria, você está aqui.—fala parecendo feliz em me ver "bem".— Penso também na saudade que estou de beijar você, de poder toca-la e de sentir seu cheiro. -
Diz com o rosto bem próximo ao meu, olhando em meus olhos e minhas bochechas queimam de vergonha. Ele passa a mão na minha bochecha e sorrir discretamente. Um sorriso encantador que faz meu coração se aquecer.
-Penso também no medo que eu sentir de te perder. -ele fala com dor em seu tom de voz.
-Sabia que eu te amo? - ele fala e curtos flashes vem e vão em minha mente.
Vejo imagens em que estou no escuro, mas ao invés de sentir medo, sorrio. Nessas imagens estou feliz, mas não as entendo, eu deveria ter medo.
-O que foi? - Evans pergunta, acho que percebendo minha confusão.
-Quando você disse que me amava, umas imagens apareceram na minha cabeça.
-Quais imagens? - pergunta baixinho, se interessando e os outros acompanhantes estão alheios a nossa conversa.
-Não sei bem o que é. São imagens no escuro onde não enxergo nada, mas diferente de medo, estou feliz. -falo o vendo se levantar da cadeira abrindo um lindo e largo sorriso.
-Pessoal, podem nos dar licença? —Evans pede chamando a atenção dos outros, que concordam saindo do quarto e olha para mim fechando a porta. — Vou tentar uma coisa. Fique calma!
Sem entender, o vejo fechar as janelas do quarto, as cortinas e pra minha surpresa também apaga a luz, nos deixando no mais completo breu, onde não o vejo, mas sinto seu perfume.
-Evans? -o chamo sentindo minhas mãos suarem de medo.
-Tenha calma e ouça minha voz. - fala e respiro fundo dando chance a ele de fazer uma tentativa, logo começando a ouvi-lo.
-Meu amor por você vai alem das palavras... —ele começa a falar e vários flashes piscam em minha cabeça. —...Vai alem de mim, vai muito alem do que eu posso explicar.... — enquanto suas palavras soam pelo quarto, imagens de suas mãos percorrendo meu corpo explodem em minhas memorias, assim como sua boca na minha. — Senti medo de te perder, você é minha fonte de felicidade. Não me vejo num mundo que não seja ao seu lado, minha pequena. Eu te amo!
Ele acaba de falar já ao meu lado, com muito sentimento e sinto em sua voz que chora. Lagrimas saem dos meus olhos sem permissão e como num estalo, lembranças das nossas mensagens de celular, nossos encontros, nossos beijos, nosso amor, passam como um filme em minha mente.
-Amor? -pergunto chorando.
-Sim, amor, sou eu! Senti sua falta. -ele fala com a voz embargada e o sinto pegar minha mão, ouvindo meu choro.
Ele acende a luz do quarto pelo interruptor acima da minha cabeceira e confirmo que realmente está chorando, vindo me beijar.
-Eu amo você, amor. Me desculpe, nunca mais vou esquecer de nós. Me desculpa! -falo chorando, sentindo dor em todo meu corpo.
-Eu te amo, minha pequena. -ele fala com lagrimas escorrendo pelo seu rosto e com sacrifício eu as limpo.
Infelizmente junto com nossas lindas lembranças, também veio a tentativa de suicídio da minha mãe, assim como as horas do sequestro vem a tona, me fazendo chorar copiosamente.
-Eu lembro de tudo, amor. Achei que eu ia morrer. -Falo chorando, sentindo seu beijo em minha testa.
-Sinto muito, pequena. -ele fala limpando minhas lagrimas e depois as dele.
-Tudo isso foi por minha culpa. Eles queriam o meu dinheiro e eu não consegui te proteger. -fala com lagrimas rolando em seu rosto.
-Isso aconteceu por culpa deles e não sua. A maldade está neles e não entre nós. Eu te amo! -afirmo sentindo ele limpar minhas lagrimas e com cuidado deposita um beijo em minha bochecha, se levantando em seguida.
-Podem entrar. -meu amor fala ao ir até a porta, abrindo-a e vê-los esperando no corredor.