Colo de Mãe

1678 Words
Quinze dias depois e apesar de está me recuperando bem, ainda estou no hospital. -Não aguento mais ficar aqui, amor. -falo cansada de hospital, enquanto ele está digitando em seu celular. Meu lindo tem sido um namorado exemplar. Ele tem ficado comigo todos os dias, só indo em casa uma vez para pegar sua mala de mão, fora isso tem ficado sempre comigo. Apesar de ve-lo nas noites deitado no sofá cama e saber que não está confortável, ele insiste em dizer que está tudo bem. Ainda estou com roxos por todos os lados do meu corpo, passando a pomada que a medica receitou e ainda sinto dor, mas agora são suportáveis. -Eu sei pequena, mas tenho uma surpresa pra você. Espero que goste! -ele fala sorrindo e se levanta abrindo a porta do quarto. -Licença. - uma senhora loira, muito bem conservada fala ao entrar no quarto, acompanhada de um senhor que é a cara do Evans. Ai meu Deus! -Oi mãe, pai. Que bom que vieram. -Evans fala com seus pais e estou morrendo de vergonha em estar nesse estado. -Ola Ysabella, é um prazer conhece-la. Sou Estela e esse é Ronaldo, pais desse menino lindo aqui. -ela fala me fazendo rir quando pega as bochechas do Evans e as apertas. -Não se empolga, mãe. - fala tirando as mãos dela do rosto dele. -É um prazer conhece-los dona Estela e seu Ronaldo, podem me chamar de Bella. -falo deitada e com cuidado ela pega minha mão em cumprimento. -Ótimo! Sem formalidades com a gente também. - fala estendendo o cumprimento para um beijo no rosto. -Viemos conhecer a mulher que encantou o meu filho. -Ronaldo fala sendo um fofo e beijando minha mão. -Quero te agradecer por faze-lo feliz, nunca havia visto ele assim. Obrigada! -Estela fala com os olhos brilhando com lagrimas. -Eu que agradeço por fazerem um homem tão lindo e amoroso só pra mim. -falo em tom de brincadeira e eles riem. -Bom dia, desculpa interromper. Vim trazer sua alta. — a simpática medica fala entrando no quarto e entrega os papeis para o meu namorado. —Mas antes de irem embora quero conversar com vocês.  -Pode falar doutora, esses são meus sogros. -a libero sorrindo, que concorda parecendo insegura. -Você reclamou das contínuas dores na barriga e após fazermos vários exames em você, como seu namorado pediu, descobrimos que sofreu um grave dano em seu útero. -ela fala e meu coração dispara. -O que quer dizer? -pergunto sentindo meu coração saltar de medo. -Que a chance de ser mãe através do seu útero é quase inexistente. -ela fala com pesar e minhas lagrimas escorrem. -Qual a porcentagem dela ser mãe? -Evans pergunta querendo saber qual o nível da gravidade. -Cerca de 2%. Sinto muito! -a medica responde e olho para ele com meu coração doendo, com minha respiração descompassada, o vendo respirar fundo. Cresci com o sonho de me casar e ter filhos, mas... E agora?  -Obrigado, doutora! -Evans a agradece apertando a mão da doutora, que logo sai do quarto. -Vamos tomar um café e depois voltamos. - Estela fala nos dando privacidade e sai do quarto ao lado do marido. Sento na cama, onde estava deitada, com alguma dores me incomodando e ele caminha até mim, me abraçando. Meu choro em seus braços sai com tristeza, misturada a dor, mas não a dor física, ela vem do coração. A única certeza que eu tinha na vida era que eu seria mãe, mas a verdade é que nunca terei um filho gerado em meu ventre. -Nós vamos dar um jeito. -fala fazendo carinhos em minhas costas, enquanto coloco para fora o choro da perda.   -Eu sempre quis ser mãe. -falo entre meu choro e ele me faz olha-lo nos olhos. -Você ainda pode ser, pequena. Nós ainda podemos ser pais. - fala impando minhas lagrimas, mas estou confusa com a imensa tristeza que estou sentindo. -Como, amor? São apenas 2% de chance. —o questiono chorando, com as lagrimas embaçando minhas vistas e as tiro com as costas das mãos. —Nós fizemos planos de ter filhos, mas eu não posso mais. Talvez seja melhor você escolher outra pes.... -Olha pra mim. —ordena limpando minhas lagrimas, olhando em meus olhos. —Não diz isso! Eu quero muito ser pai, mas o que eu mais quero é você!  -Eu sei que para a maioria das pessoas é a lei natural da vida, mas meu único sonho era ter minha família. Eu sei que é um sonho bobo, mas é o que eu queria. -explico chorando. -Posso fazer parte do seu sonho? -pergunta colocando uma mecha de cabelo para trás da minha orelha. -Faço questão que seja você. -falo limpando minhas lagrimas e ele deposita um selinho em meus lábios. -Sei que seu desejo é ter uma criança crescendo dentro de você, mas vamos superar isso. No tempo certo podemos adotar. -fala e eu balanço a cabeça concordando, sentindo meu amor por ele chegar a um nível que jamais pensei que pudesse. -Eu te amo! -me declaro e com os dedos ele seca minhas lagrimas. -Eu amo você, minha pequena!- suas palavras são ditas transbordando sentimentos e me abraça cautelosamente. Se levantando, ele começa a arrumar as nossas coisas e juntos tomamos banho, indo para casa com meus sogros. Antes de sairmos Evans fez questão de acertar com o hospital, já que é particular e apesar de aliviar meu bolso com o absurdo de conta, não me senti confortável. Em frente ao hospital está cheio de repórteres querendo saber detalhes do que aconteceu, mas explicamos que em outro momento conversaremos. Chegamos em casa e nela estão Yayá, Diego e Lia, com um bolinho e velas. -Feliz vida novaaa!!! -eles falam e lagrimas rolam com a linda comemoração, recebendo os abraços carinhosos. -Obrigada, gente! —agradeço tentando ficar animada, mas a noticia da doutora acabou comigo. —Vou deitar um pouco, fiquem a vontade. Obrigada! -falo me esforçando para por um sorriso no rosto e ando devagar para o meu quarto. -Fica aqui, Bella.- Yayá pede, ao lado dos meus sogros, mas a ignoro, ouvindo o Evans contando a noticia que recebemos.  Entro no quarto e vou direto pro banho, tirando minha roupa com um pouco de dificuldade, entrando debaixo do chuveiro sentindo um nó na garganta. Coloco as mãos na parede e abaixo a cabeça chorando.  Descobrir esse problema me fez duvidar de mim e talvez eu não seja mais a mulher que o meu amor almejou. Talvez ele precise de uma mulher inteira e não pela metade. De olhos fechados, sinto uma tristeza que parece me consumir e mãos me envolvem por trás, me virando para abraça-lo. Choro com tanta dor que não sei o que fazer para passar. -Eu queria arrancar essa dor de você, mas não consigo, minha pequena. -ele fala enquanto choro em seu abraço. Com calma ele começa a me ensaboar, me ajudando no banho, inclusive na lavagem do meus cabelos e quando acabamos fomos para o quarto. -Senta aqui. -fala com uma escova de cabelos na mão e atendendo seu pedido, sento na cadeira do quarto recebendo seus cuidados em meus cabelos. -Eu conheci você e desde então você me fascinou, me fazendo correr atrás. Amo você e só vou me afastar o dia que você me pedir. -ele fala escovando meus cabelos como se advinha-se meus medos e de vez em quando olha em meus olhos pelo espelho, me fazendo chorar emocionada com suas palavras. -Quando estava na mãos dos sequestradores, eu senti medo, mas foi por você que eu lutei. Eu só pensava em você. Foi por você que aguentei tudo. -falo chorando entre soluços. Devagar ele me levanta, dando beijos em minhas lagrimas, me abraçando em seguida. Seu abraço me diz muita coisa, seu amor por mim é palpável e em seus braços eu choro. Vestimos nossas roupas quando consigo controlar meu choro e deito na cama sem vontade de ir pra sala ficar com as meninas. Depois de um tempo deitados assistindo um filme, sentindo lagrimas escapulirem em alguns momentos, Yayá bate na porta e entra. -Cunhado, a surpresa chegou. -ela fala sorrindo de lado e concordando ele a pede para trazer até nós. -Você precisa disso. -fala sorrindo discretamente e fico curiosa com a surpresa. Olho para a porta vendo a surpresa entrando e não acredito no que vejo. Minha mãe, maquiada e bem arrumada, fazendo meu coração sorrir somente com sua presença. -Vim te dar meu colo, princesa. -ela fala e choro colocando as mãos no meu rosto. Evans se levanta, dando lugar a ela, que me abraça e choro alto. -Estou aqui, princesa. - fala e mesmo sentindo dor, me aconchego em seus braços. -Sentir sua falta, mãe. -falo chorando e ela alisa minhas costas. -Me desculpe, princesa. -fala com a voz embargada pelo choro. -Eu soube o que aconteceu com você, mas te criei pra vida e a vida é assim. Não deixa isso tirar sua garra. Não existe no mundo pessoa mais determinada que você! - fala e a ouço chorando.1 -Deus age e não sabemos o porquê de certas coisas acontecerem conosco, mas ele sempre nos reserva o melhor. -diz alisando meus cabelos. -Você é mulher de fibra e de garra. Esses tapas da vida nos fazem cair, igual nós caímos, mas temos que levantar. Nossas vidas nunca foram fáceis, mas não podemos deixar o adversário nos ganhar. - ela fala me olhando nos olhos e eu entendo, pois foi a mesma coisa que falei pra ela meses atrás. -Você e o Evans estão certos! Caí, chorei, mas preciso me levantar. -falo limpando as lagrimas. -Isso! Por você e pelo Nicholas. -fala e sorrio. -Você o ama, né?! -afirma sorrindo. -Eu nunca me imaginei amando com tanta intensidade, nem sabia que tinha capacidade pra amar assim, mas tudo isso mudou por culpa dele. Ninguém alem do Evans saberia despertar tudo isso dentro de mim. -falo e ela beija minha testa. -Eu te amo, princesa! Você está pronta para ser feliz. Ja pode começar! -fala sorrindo.
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