Eu Estou Aqui, Pequena!

2052 Words
-MÃE!! -corro para tirar a navalha de sua mão que está posicionada em seu pulso e ela tenta s*******r a todo custo, mas na briga para a impedir uma tragédia, ela acaba me cortando fundo na mão. -O que a senhora ia fazer, mãe? -pergunto chorando com o sangue sendo derramado no chão do banheiro e pego uma toalha de rosto, pressionando em minha mão, mas o corte na palma da mão foi profundo, preciso ir para o hospital. -Por que isso, mãe? Você é amada, porque isso? -falo chorando sem entender essa maldita doença, a vendo fazer o mesmo. A deixo no banheiro chorando e corro na sala em busca do meu celular que está na bolsa, sujando tudo de sangue. -Vem pra casa AGORA. Por favor! -falo chorando com a minha irmã, assim que atende e desligo voltando para o banheiro. Sentada no chão todo sujo de sangue, minha mãe chora e eu tento limpar, mas só pioro. Minutos depois Yayá aparece na porta do quarto com Lia e o Diego ao lado. -O que foi isso, Bella? -Yayá pergunta chorando, pois tem pavor de sangue. -Eu...eu...eu..me cortei no banho. —respondo escondendo a verdade, enquanto seguro o choro. —Amiga, pode ficar com a minha mãe? Não deixa ela sozinha em hipótese alguma que eu vou com a Yayá pro hospital. Posso contar com você, amiga? -pergunto com um nó na garganta. -Pode amiga, claro! —responde e se aproxima me abraçando. — Você não me engana, não sei o que aconteceu, mas você está mentindo. Fala em meu ouvido, enquanto me abraça e minha vontade é de desabar em seus braços, mas me contenho vendo ir ajudar minha mãe. Yayá pega minha bolsa e quando vou sair de casa, minha mãe aparece na sala chorando. -Me desculpa, minha filha, não sei o que deu em mim. Me desculpa! -fala desesperada e cai de joelhos chorando. -Mãe, eu te amo, mas a senhora tem que ser tratar. Lia fica com ela, por favor.- falo e olho pra Lia que me olha assustada imaginando o que houve. -Chama um táxi pra gente, Yasmim. -falo saindo de casa para esperar na rua, pois estou me sentindo sufocada, com meu coração querendo explodir de desespero. -Eu levo vocês. -Diego se oferece e concordo entrando no carro dele. Yayá entra se sentando no banco da frente, ao lado do Diego e seguimos para o hospital. Olho pela janela com a respiração pesada e lagrimas rolam por meu rosto. Meu peito dói, a garganta queima, mas não posso permitir que minha irmã saiba o que aconteceu. -Me conta o que houve, Bella. -Yayá pergunta aflita, me olhando pelo retrovisor lateral do carro. -Eu me machuquei quando cheguei em casa. -respondo sem acreditar no que aconteceu e tudo o que eu quera agora era um abraço do meu lindo. Meus Deus, ela queria se m***r!!! Não acredito nisso! -penso começando a chorar baixinho. -Você está me assustando. Conta pra mim o que está acontecendo. Alguém te agrediu? - pergunta chorando e vejo o Diego parar no sinal, começando a digitar no celular. -Yasmim, acho melhor ir la atrás com ela. -Diego sugere parando no acostamento. Seguindo o conselho, depressa ela sai do carro e senta ao meu lado no banco de trás. Ela me abraça chorando muito, assustada, mas se eu me entregar ao choro, ela vai entender que não foi um acidente. Preciso me segurar por ela. Diego para o carro em frente a um renomado hospital particular e saio do carro com a toalha banhada de sangue. Entramos passando por todo processo de identificação e quando me perguntam o que aconteceu eu travo, ficando sem saber o que responder, pois se eu contar vou prejudicar minha mãe. -Ela sofreu uma tentativa de assalto. -Diego responde por mim e Yayá me olha assustada, mas não diz nada. Fomos para uma sala reservada, sendo informados que assim que o paciente que está recebendo atendimento sair, serei a próxima a receber os primeiros socorros.  Estamos sentados nas poltronas, mas meus pensamentos estão na minha mãe e sua tentativa de se m***r. Meu peito parece que vai explodir com essa informação e sem esperar, a porta da sala é aberta revelando a pessoa que eu mais queria comigo. -Evans... Falo sentindo minhas pernas bambearem o vendo andar em minha direção e me levanto o abraçando chorando, me sentindo protegida em seus braços. Por mais que eu tente, não consigo controlar meu choro e acabo me entregando ao seu abraço. -Xiiiii.. Estou aqui, pequena. - fala baixinho em meu ouvido e sinto meu corpo balançar com o choro. -Podem me dizer o que está acontecendo? -minha irmã pergunta chorando baixinho e só então lembro que está ao meu lado. Olho para ela, mas não consigo falar, apenas choro nos braços do Evans. -Me deixa saber, Bella. A pessoa que eu sempre protegi pede desesperada e sinto o coração apertado em vê-la chorando, reunindo forças para verbalizar o que eu presenciei no banheiro. -Cheguei no banheiro e a mamãe estava com a navalha pronta para cortar seu pulso, ela ia se m***r. Entrei numa briga com ela, tentando impedi-la, mas acabou me cortando. Conto baixinho e encosto meu rosto no peito do meu lindo, o sentindo me envolver em seus braços e choro como se meu coração sangrasse. -Meu Deus!!! Yayá fala desabando num choro alto, desesperado e busco no fundo da minha alma forças para sair dos braços do Evans, a abraçando, sendo seu porto seguro. -Ysabella Alcântara. -a enfermeira chama e me afasto da minha irmã tentando limpar minhas lagrimas que descem sem parar. Entro no consultório somente com o Evans comigo e me sento onde o doutor indica, logo tirando a toalha para que o mesmo veja. -Vai precisar de muito pontos. O objeto estava muito afiado e mais um pouco cortava o nervo principal. Você teve sorte! -o doutor explica numa avaliação em minha mão e concordo com a cabeça.  Sou encaminhada para uma pequena sala e o doutor começa a dar os pontos, com o Evans atento ao procedimento. -Pronto! Foram dezesseis pontos. Vai precisar de cuidados para não infeccionar e uns dias de atestado. -fala e m*l sabe ele que sou autônoma, não me dando o luxo de ficar parada. Após o doutor informar sobre todos os cuidados e prescrever remédios, fomos para o estacionamento do hospital. -Pode assumir a empresa até eu voltar? -meu lindo pergunta ao irmão que concorda dando um selinho na testa da Yayá e vai para seu carro.  -Por que não me contou, Bella? -ela fala chorando ao sentar no banco de trás do carro do Evans. Fico em silencio a ouvindo chorar, sentindo meu mundo desabar e ele alisa minha mão em sinal apoio. -Por que ela fez isso, Bella? Não entendo, justo com você? - fala chorando, colocando as mãos no rosto e apesar de segurar meu choro, minhas lagrimas escorrem sem permissão. Chego em frente de casa e sem esperar, ela desce apressada, entrando correndo em casa.  -Obrigada por ficar comigo, mas eu preciso ir. - falo com o meu lindo, morrendo de vergonha e me inclino para um selinho, mas ouço gritos vindo da minha casa. Sem pensar, saio do carro correndo para dentro de casa e seguindo o som dos gritos, caminho até chegar no quarto da minha mãe.  -Pára, Yasmim!! -Lia ordena se posicionando na frente dela. -A Bella faz tudo por nós, se sacrifica, trabalha igual uma condenada pra nos manter e é assim que a senhora retribui? A cortando? Tentando se m***r? — Yasmim pergunta num choro inconformado, fazendo até os vizinhos ouvirem. — A senhora não merece o nosso amor! Ouço o desespero da minha irmã e não sei o que fazer, vendo que minha mãe chora sentada na cama. -Me desculpa, filha, eu sou um monstro! Não mereço viver, não mereço ser amadas por vocês. -fala cortando meu coração, ajoelhando a minha frente, me abraçando pela cintura. Olho para ela tentando me manter firme, cansada de tudo, ouvindo minha irmã num choro de desespero e Lia chorando no canto do quarto. Quando levanto a cabeça para olha-las, vejo o Evans em pé na porta do quarto atento a tudo.   -Você consegue! Ele fala me passando a força que preciso e respiro fundo, limpando minhas lagrimas com as costas da mão, pronta para lidar com minha mãe. -Eu te amo mais do que consigo expressar, mas não vou por a sua vida e da minha irmã em perigo. A senhora vai para uma clinica receber a ajudar que não podemos dar. Depressão é uma doença e a senhora está doente, precisa ser tratada. Arruma suas coisas que hoje vai ser internada numa clínica. -falo com a tristeza dominando minha alma, mas com firmeza necessária para esta hora e ela balança a cabeça concordando, enquanto se levanta com a minha ajuda. -Pode ficar com ela um pouco, Lia? -Pergunto vendo minha amiga concordar limpando suas lagrimas. -Yasmim, vem comigo. - a chamo pra cozinha, que me segue. Assim que chegamos na cozinha, eu chego bem perto do seu rosto, nariz com nariz e apesar de entender sua dor, começo a falar a repreendendo.  -Entendo a sua reação, mas nunca mais fale assim com a mamãe. Ouviu? Ela está doente e quem não ajuda só atrapalha. Você vai ajudar ou atrapalhar? - esbravejo e ela se senta chorando. -Vou ajudar, me desculpa! Quase perdi duas pessoas que amo de uma só vez. Estou com medo! -confessa cortando meu coração e a puxo para um abraço carinhoso, vendo que Evans assiste a tudo calado. -Beba um copo de água e pede o almoço. Me faz um favor, liga para a melhor clinica de tratamento de depressão e marca uma visita ainda hoje com o encaminhamento que a psiquiatra deu. E f**a-se o valor! -peço ligando o botão do f**a-se, mas esperando que eu consiga pagar. -Vou dar uma saída e daqui uma hora volto. Pode ser? -falo e ela concorda pegando seu celular para ligar. Beijo sua testa e saio. -Me tira daqui, por favor? -peço para o Evans, que concorda me puxando pela mão. Entramos em seu carro e começamos a andar sem destino, olhando pela janela, morrendo de vergonha pelo que presenciou. -Entra aqui. -falo apontando para um motel próximo de casa. Entramos no motel e ao passarmos pela porta do quarto eu desmorono. Sento no chão, deixando cair a minha "armadura", num choro que vem do coração. Toda aquela força cai, ficando apenas uma menina de 25 anos fragilizada e sobrecarregada. -Me desculpa! Você todo preocupado em ser um fardo para mim e olha quem é o fardo agora. - falo chorando com a cabeça encostada em meus joelhos. -Você disse que quando aceitamos a pessoa, aceitamos tudo o que vem com ela. Somos um pacote. Lembra? - ele fala enquanto se agacha em minha frente e assim choro tudo o que preciso. -Normalmente os problemas nos cansam, mas essa doença está acabando comigo. Estou sempre precisando ser forte e isso está me consumindo. -falo parando de chorar. -Estou com você agora, não precisa carregar essa cruz sozinha. -fala sendo o fofo que sempre foi. -Obrigada! Nunca pensei que fosse ficar tão feliz quando te vi no hospital. Obrigada por ir até la. - falo tentando abrir um bonito sorriso, mas sei que não consegui. -Se depender de mim, não desgrudo de você nunca mais. -fala sorrindo me puxando para levantar. -Vamos tomar um banho? -pergunta e olho desconfiada para ele, cerrando os olhos, que da uma gostosa risada. -Só banho. Prometo! -fala levantando as mãos em sinal de rendição e sorrio. Tomamos um calmo banho e vestimos a mesma roupa , voltando para a minha casa em seguida.  -Mais uma vez, obrigada por estar comigo, você fez toda a diferença. - falo ainda dentro do carro e o beijo. -Me liga a hora que quiser. Estou a disposição. -fala e chupa meu lábio inferior. Saio do carro após agradecer e entro em casa, dando de cara com a Lia e Yayá conversando na cozinha. -Obrigada por segurar essa barra comigo, amiga. Você é f**a! - falo abraçando a Lia, mostrando minha gratidão. -Estou aqui pro que der e vier, amiga. Eu te amo! -fala num abraço forte.
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