Capítulo 5 - Bruno

2361 Words
- Minha gata. Bruno a olhava boquiaberto, como se não tivesse entendido muito bem como uma gata poderia ter um nome tão feio.  - Sua gata se chama Chicória Maria.... – Bruno murmurou mais para si do que para ela. Porém, logo depois, ele negou com a cabeça, tanto pela exigência quanto pelo nome. – Nem pensar. - Bruno... – Serena suplicou. - Não. Sou alérgico à gatos, além de que eles trazem doenças, fogem para a casa dos vizinhos... - Então eu não vou. – Serena bateu o pé, decidida. Meia hora depois estavam os dois no carro. As mãos de Bruno apertavam tão forte o volante que os nós dos dedos estavam brancos. - Onde a gata está? – Perguntou entre dentes. - Eu a deixei em um hotel para gatos e cachorros. Bruno deu partida no carro enquanto a olhava de esguelha. Um sorriso satisfeito estava estampado na boca de Serena. Ele respirou fundo e resolveu fingir que não viu. Por deus. Talvez ele nunca tivesse tido um dia tão estranho. Em uma hora estava tudo bem, na outra, estava correndo para o hospital com uma mulher desconhecida que supostamente esperava um bebê de seu irmão morto. Se tudo aquilo não passasse de uma mentira ou um pesadelo ele não se surpreenderia. Dava para ver que Serena estava com os olhos fixos do lado de fora, observando as paisagens que perpassavam por eles, com a cabeça imersa em pensamentos, bem como a dele, amontoada de preocupações. Bruno achava que sua atenção estaria no campeonato ou na mulher que deveria estar o esperando. Mas não...  Puta merda, se Henrique estivesse ali Bruno podia jurar que o mataria novamente. Eles estavam dando uma volta e tanto no Rio de Janeiro. A própria Serena derrotada pelo cansaço, estava aninhada ao seu lado, a cabeça pendendo do cinto de segurança. Ele parou em frente a um prédio e quando pensou em acordá-la, ela despertou sonolenta. - Chegamos no endereço que você me deu. – Bruno explicou. Sem nada dizer, Serena massageou as pálpebras. Ela estava visivelmente cansada. Ele respirou fundo. – Me dê a nota. – ele a intimou. Serena apertou os olhos adequando-os a claridade. - Eu ainda não paguei... – Serena murmurou grogue enquanto tateava a bolsa no colo. Sem esperar, Bruno saiu do carro e bateu a porta.  Ele entrou no hotel quase às meia noite. Pelo menos ela escolhera um local 24h. A atendente tomou um susto quando percebeu que alguém entrou. Ele abaixou ainda mais o boné. - Boa noite. – Ele cumprimentou. – Vim buscar um gato. - Ok. Qual o nome dele. - Chicória... – Se sentiu ridículo pronunciando novamente aquele nome. A atendente pareceu segurar uma risada. - É fêmea ou macho? Ele parou um pouco para tentar se lembrar. - O nome é Chicória Maria... Acho que é Fêmea. Está no nome de Serena. - Ah, nos lembramos da Sra. Serena e sua gata. Só um instante por favor. – A mulher desapareceu dentro do prédio, voltando depois com uma caixa de transporte de gato. Dentro, uma gata cinza deitada o encarava com os olhos azuis enquanto o r**o peludo balançava lentamente. A mulher colocou a gata em cima do balcão enquanto ele quitava o que devia. A gata não tirou os olhos dele um minuto, como se estivesse o sondando. Depois que Bruno terminou, pegou a caixa e voltou para o carro. Assim que saiu do prédio, a gata pirou, parecendo sapatear dentro do cubículo. Talvez estivesse pensando que estava sendo sequestrada. Quando ele a colocou no banco de trás, a gata sossegou. A visão da dona dela devia tê-la deixado um pouco mais tranquila. Serena nem percebeu a chegada da Chicória, já que estava dormindo profundamente novamente. Ele dirigiu em silêncio até o Recreio dos Bandeirantes, e deu graças a Deus quando chegou em casa. Bruno despertou Serena por meio de cutucões.  - Chegamos. Ela bocejou várias vezes antes de sair do carro e depois voltar para pegar a gata. Eles entraram juntos na casa. A sala que estava toda vomitada agora estava limpa. Serena olhava para ele envergonhada. - Minha governanta limpou. – ele murmurou. – Vem, vou mostrar onde vai ficar. - ele a levou até o último quarto do corredor. O mais longe que ficasse de Serena seria melhor. – Pode ir se acomodando, vou colocar as suas malas aqui na porta. Ela fitou o quarto, e depois virou-se para ele. - Obrigada, Bruno. – os olhos de Serena estavam cravados no dele. Bruno desviou o olhar e assentiu. - Boa noite, Serena. – ele murmurou, fechando a porta atrás de si. Depois de pegar as malas de Serena, ele finalmente se deitou na sua cama. O que devia ser um alívio, parecia uma maldição. Seu corpo estava atordoado. Seus músculos, tensos. E ele temia que no amanhã o sol não brilhasse tanto devido aos problemas.  Precisava relaxar. Então Bruno se Levantou, e discou um número. Ela era o seu número de todas as horas. E mesmo que estivesse prestes a dar 2 da manhã, ele sabia que iria atender. O visor do celular brilhou no escuro, indicando a ligação para Rebeca. - Ei Touro...- A voz melosa dela escorregou pela ligação. – Não conseguiu parar de pensar em mim... Não era uma pergunta, então ele não respondeu. - Está disponível, Beca? - Pra você, sempre... Ele desligou e esperou. Não era uma má ideia, não importava o quanto viesse a sua mente a imagem da mãe ou de Serena, ele não voltaria atrás. Agora mais do que nunca precisava de um alívio. Então ele foi mancando até a garrafa de Whisky no canto do quarto, e se serviu enquanto esperava. Rebeca chegara do mesmo modo de sempre, silenciosa, como uma predadora a procura de sua presa. Não bateu na porta, já sabia que a mesma estava aberta. - Oi, Touro. – ela o cumprimentou com um sorriso digno do gato do filme Alice no país das maravilhas. - Oi Rebeca. – ele levantou o copo de Whisky em cumprimento. - Dia r**m? – ela perguntou, depois que jogou a bolsa em cima da cômoda dele. - Sim. - Ah, fala sério. Seu dia foi cheio de glória... – ela se referia a vitória e o seu gol no momento crucial da partida. – Estou feliz que tenha me escolhido para comemorar com você. – Rebeca já estava sentada em cima dele. Certo. Agora ele admitia que talvez fosse uma péssima ideia.  Jamais escolhera Rebeca por esse motivo, e nem escolheria mulher nenhuma com intuito de comemorar algo. Elas tendiam a pensar que o relacionamento estava evoluindo, coisa que não acontecia com ele. E Rebeca era apenas uma amiga ficante. Mais para ficante do que para amiga.  Bruno não queria um relacionamento sério. Na verdade, talvez nem fosse capaz dessa proeza. Sua vida era destinada aos prazeres da curtição e ao futebol. Mas não ia voltar atrás agora porque sabia que não adiantaria responder novamente o que sempre dizia quando Rebeca perguntava sobre namoros e casamentos.  Ele decidiu fazer o que era possível e mais prazeroso. Colocou o copo de lado e um dos indicadores nos lábios grandes delas. Com certeza, a melhor saída seria não deixá-la dizer qualquer coisa que fosse. E sobre ter tido um dia ótimo? Poderia ter sido, se a sombra de Henrique ainda não estivesse a sua volta, o assombrando por tudo que ele perdera e ganhara. Ele beijou Rebeca, e embora se sentisse péssimo por agir daquela maneira, queria esquecer.  Rebeca parou o beijo. - Não vamos nem conversar? – ela exigiu saber. - Beca... – ele tentou soar carinhoso. – Não sou assim. Não sou esse tipo de homem. Em respostas, ela fez beicinho. Ele deu de ombros. Percebendo que ele não voltaria atrás, Rebeca quebrou o gelo com um selinho, e se acomodou um pouco mais no colo dele. Bruno gemeu, e não foi de prazer. Droga, já tinha se passado das 3 da manhã e o dia já dava prenúncios do quão péssimo seria. - Ai, amor! O que foi? - Me machuquei em um lance do jogo. - Realmente... então não foi mesmo um bom dia. – ela baixou a cabeça, e a cabeleira platinada balançou. Bruno se xingou por dentro. - Beca, está tudo bem. – ele queria continuar com o que quer que pudesse sair dali. - Não, Bruno. Não está. Não vou ficar com você se posso te machucar... Ele revirou os olhos, e pouco ligou do quão alto o arquejo saiu, com mais tensão se acumulando em suas veias. Os olhos de Rebeca se arregalaram. - Você está certa. – ele disse amenizando o susto dela, mas a sua voz saiu mais grosseira do que calma. – Você está... certa. – tentou de novo, mais apaziguador. – Quer saber? Porque não fica aqui e passa a noite? Os olhos da loira se iluminaram. Ele a levantou e segurou a mão dela, conduzindo-a para cama. Rebeca se acomodou ao peito dele... e c*****o, nunca tinha se sentido mais desconfortável na vida. Aquilo estava errado, muito errado. - O que foi? - Sh... – ele começou a acarinhar o cabelo dela. Finalmente, meia hora depois, a respirou de Rebeca se aprofundou. Ele se certificou várias vezes de que ela não estava acordada, passando a palma da mão rente a face dela. Então Bruno se levantou, e fazendo o mínimo barulho possível, saiu do quarto, se dirigindo ao quarto de hóspedes, ao lado do de Serena. Bruno tomou um banho rápido e sem roupas para colocar, se jogou nu na cama. Mas não antes de colocar o celular para tocar às 6h e voltar para o lado de Rebeca, como um covarde.  Somente quando sentiu o toque macio do lençol sobre o corpo que percebeu o quão estava cansado. Todo o seu corpo doía, e sua cabeça estava tão pesada que parecia estar de ressaca. Bruno fechou os olhos e finalmente adormeceu. Mas quando ia mudar de posição, algo macio e aninhado a ele, o impediu. Não, não estava aninhado, parecia caminhar em cima dele. Ele abriu os olhos, se deparando com a penumbra do quarto de hóspedes. E iria sentar, se não fosse algo pesado que havia acabado de se acomodar a sua barriga. - Merda! – xingou, quando deu de cara com a gata de Serena, deitada confortavelmente em sua barriga. – Sai de cima de mim! – sussurrou para ela enquanto esticava o braço e ligava a luz do abajur. A gata abriu os olhos sonolenta e quando se deparou com a luz, mostrou os dentes para Bruno. - Miiiiiiau! – Era com certeza um não. Ele bufou. - Sai logo! – tentou de novo. Mas a gata apenas o ignorou. Certo, se esperasse algum tempo com certeza ela iria sair. Então ele desligou a luz novamente. Paciência Bruno...Paciência. - PIIIIIIIIIII! – O despertador tocou na mesa de cabeceira. Bruno o pegou e o desligou. Abriu os olhos com alguma dificuldade, a pouco claridade do dia já transparecendo sob as cortinas. E quando finalmente foi se sentar, a gata ainda estava em cima dele. Do mesmo jeito que a deixara... há horas atrás. Mas como quem entendesse a hora do despertar, a contra gosto, ela se levantou. E com nenhuma cerimônia, se espreguiçou em cima dele. Gata invasora. Igual a dona. Bruno observou a gata se afastar dele, descer da cama e sumir pela porta entreaberta. Ele semicerrou os olhos. Não tinha fechado a porta? Desistindo de entender, Bruno se levantou mancando e foi até o banheiro, pegando uma toalha e a enrolando em sua nudez.  Antes de ir para o próprio quarto iria beber água. Uma água bem gelada para fazê-lo acordar e afastar a coriza que começava a se instalar devido a pelagem da gata. Alheio, entrou cozinha a dentro enquanto se espreguiçava, abrindo a geladeira para se servir de um copo d'água. - Bom dia para você também. – Alguém disse.Bruno se virou de supetão. A cozinha integrada com a área de lazer permitia que ele a visse. Serena estava de costas, sentada na beira da piscina, com os pés dentro da água. - O que você está fazendo acordada a essa hora? – ele indagou enquanto se aproximava com um copo de água na mão. - Eu não deveria perguntar o mesmo? – ela devolveu, enquanto se levantava, virando-se para ele. - Você é uma mulher difícil, hein. Quando Serena ia responder, se calou. Abriu a boca diversas vezes como se procurasse o que dizer. Ele franziu o cenho, mas logo entendeu. Os olhos de Serena passeavam pelo peitoral dele. E quando menos esperou, um sorriso torto se formou em seus lábios. - Gosta do que vê? – a pergunta dele a sobressaltou. - O quê?! – Serena desviou os olhos. Mas dessa vez, mirou o espaço entre as coxas dele, revestido apenas de uma toalha. Um calor estranho subiu pela espinha dele, algo feito fogo... desejo. Bruno sentiu o m****o começar a endurecer. - Você não devia olhar os outro assim. – Bruno a repreendeu. Quando Serena percebeu o que crescia, tentou dar um passo para trás. Droga. - Serena, não! – Ele a segurou pela cintura, colando-a ao corpo dele. Os braços de Serena tentaram equilibrá-la. Mas era tarde demais. A piscina fez um estrondo quando os dois caíram. Serena se debatia feito uma criança tentando voltar a margem. Bruno começou a rir...Mas quando percebeu que era sério, a segurou. Serena o abraçou, passando as pernas em volta dele. Agora ele começava a rir com vontade. - Q-qual, é a g-graça? – ela tentava perguntar entre soluços e tosses. - Você não sabe nadar? – ele perguntou. A expressão envergonhada dela disse tudo. Ele riu ainda mais. - O quê que tem? Eu sou baixa. Além disso morava em um lugar que não tinha praia! E essa sua piscina é tão funda, nem sei como está dando pé para você... Bruno estava alheio ao que ela dizia. O foco dos olhos masculinos eram os m*****s duros e rosados de Serena expostos pela blusa molhada e transparente.
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