É minha

1372 Words
Capítulo 31 Lucia Bianchi Ele ficou de pé diante do sofá, os olhos semicerrados, a respiração pesada, e ainda assim havia precisão no jeito como se moveu. Aproximou-se até meu perfume bater no peito dele. Eu ergui o rosto. — O que você decidiu? — perguntei, sem conseguir esconder o tremor. Ele não respondeu de imediato. Apenas me virou de costas com as mãos firmes, encaixando meu corpo no dele como se estivesse recolocando uma peça no lugar certo. O calor do seu peito colou nas minhas costas; os dedos apertaram minha cintura, num aviso. — Você é minha — disse, rente ao meu ouvido, a voz grave roçando minha nuca. — Te conheci como Lucia, então será Lucia. — Mas o que a gente vai fazer pra esconder is— — Shiu. — a palavra veio afiada. — Você fala demais. Estou fodido da cara com você. Não esqueci que me enganou ragazza. Não quero decepcionar meu pai e o conselho. Então fica quietinha e começa a obedecer teu marido, capisce? Senti a mão dele abrir dois botões da camisa que eu vestia — a dele — e entrar por baixo do tecido, firme, possessiva, cobrindo meu seio num gesto que não era carinho; era domínio. O polegar roçou lento, e meu corpo, traidor, acendeu. — Che cazzo… — ele resmungou, mordendo a mandíbula. — Recebeu homem em casa quase nua. Io deveria me vingar. — A culpa é sua que chegou bêbado — devolvi, entre raiva e vergonha. — Não estou bêbado. — um sorriso curto, cínico. — Bom… um pouco. Vou deixar passar. Só porque está bem gostosa. Os dedos desceram pela minha barriga, seguindo a curva dos quadris. Puxou o elástico da calcinha, e meu coração tropeçou. — O que você está fazendo? Você estava com uma p**a e agora vem mexer na minha... — Shiu… — ele voltou a encostar a boca na minha orelha. — Empina pra mim, bella. Preciso estar dentro de você. — Por quê? Está e******o? — Sempre estou. — o timbre dele ficou mais baixo. — Mas agora eu só preciso lembrar por que escolhi acabar com a minha dignidade por uma mulher. Tira essa calcinha maledetta do diavolo. Trinquei os dentes. Respirei fundo. Fiz como ele pediu. Se Vinícius havia me escolhido, eu precisava, pelo menos, não dar novos motivos pra ele duvidar. Inclinei o corpo, apoiei as mãos no braço do sofá, senti as palmas suarem. Amanhã eu iria saber direitinho sobre essa v***a vir até aqui. Atrás de mim, o som do cinto deslizando pelo passador, o zíper, a aproximação. A mão dele percorreu a linha interna da minha coxa com firmeza, subindo sem pressa — controle, sempre controle — até me encontrar. O toque primeiro foi quente, depois exigente; meu corpo respondeu num susto, misturando dor e vontade. Quando ele me tomou, a ardência me partiu um segundo — ainda havia uma sensibilidade por ter transado ontem — e precisei morder o lábio para não gemer alto. Ele percebeu. — Olha pra frente — ordenou, a mão subindo de volta ao meu seio. — Agora você é só minha. Eu obedeci. A testa encostada no tecido áspero da almofada, os olhos fechados. O ritmo dele começou duro, exato, como se cada movimento fosse uma sentença. Não houve beijo, não houve afago; só a pressão das mãos, ora apertando minha cintura para ajustar o ângulo, ora se perdendo no meu cabelo, puxando minha cabeça para trás quando um gemido escapava. O couro do sofá chiava baixo com a fricção. Minha respiração ficou acelerada. — Ninguém vai encostar em você — ele disse, rouco, o peito batendo nas minhas costas. — Nem carogna de Moretti, nem ninguém. Entendeu? — Sì… — a resposta saiu quebrada. No começo, meu corpo só tentava acompanhar — dolorido da primeira vez, tenso pela noite que ainda me prendia as veias. Mas as palavras dele, por mais cruas que fossem, foram untando meu medo com outra coisa. “Minha.” “Ninguém encosta.” “Obedece.” Era punição, sim, eu sabia; e, ao mesmo tempo, era um trilho. Quando percebi, eu já me movia para recebê-lo melhor, buscando o lugar exato onde o desconforto virava calor. Ele percebeu, e o som que saiu da garganta dele foi quase um rosnado. — Maledizione… que delícia… — sussurrou contra meu pescoço, entre dentes. — Você me deixa louco. A confissão veio num estalo curto, raivoso, como se o deixasse mais irritado admitir. Eu senti o desejo dele inchar, contra mim, e alguma coisa dentro de mim cedeu de vez. Abri a boca num suspiro que não consegui segurar; minhas mãos apertaram o braço do sofá, os dedos procurando equilíbrio. — Assim… — ele guiou, a mão marcando minha cintura, trazendo-me de volta a cada investida. — Brava. Isso. O corpo dele esquentava minha coluna inteira, e eu não pensei mais em Gracy, no vidro no chão, na vassoura, no passado. Pensei só na voz dele, que se partia em sons baixos e indecentes, e no jeito como me possuía como se quisesse apagar o nome de outro homem da minha pele — mesmo que esse nome nunca tivesse entrado em mim. Eu queria que ele gostasse. Queria que me escolhesse de novo, e outra vez, e mais uma. E, pela primeira vez desde que tudo desmoronou, senti meu próprio desejo crescer sem culpa. — Vinícius… — meu sussurro saiu pedindo e agradecendo. — Fica comigo aqui — ele ordenou mais uma vez, o ritmo crescendo. — Aqui. Agora. Quando ele finalmente perdeu o controle e me tomou mais fundo, o som que fez foi bruto, insano, como se o orgulho se rasgasse junto com o prazer. Eu estremeci por inteiro, segurando o jorro que me atravessou por dentro; ele agarrou minha cintura com força, travou, e eu senti a pulsação dele, quente, decidida, marcar o fim. Ficamos imóveis por um segundo que pareceu longo demais. Só respirações, descompassadas. Ele saiu devagar e me virou pelos ombros, não com delicadeza, mas com cuidado suficiente para que eu não caísse. Por um instante, achei que ele me olharia — que diria algo que consertasse alguma parte de mim. Não disse. O olhar passou pelo meu rosto, prendeu-se um segundo na minha boca, e desviou. Puxou a calça, ajeitou o cinto. Eu ajeitei a camisa, ainda ofegante, o coração machucando as costelas. — Vinícius… — ousei. Ele já andava em direção ao corredor. Parou só para pegar o cigarro na mesa, riscar o isqueiro com um tique impaciente e tragar fundo. O cheiro correu a sala. Não me ofereceu. Não me negou. Apenas virou o rosto meio de lado. — A conversa continua — disse, curto. — Mas não agora. Virou as costas e foi para o quarto. Ouvi a porta bater pela metade, o colchão aceitar o peso dele, e um silêncio grosso se espalhou como poeira. Caminhei até o banheiro, lavei o corpo com água fria, deixei a gota escorrer pelo pescoço até os pés. Ele não apareceu. Quando voltei à sala, as janelas ainda mantinham o dia atrás das ripas. Fiquei no meio do cômodo, descalça, sentindo o corpo secar. Toquei o lugar no ombro onde a mão dele tinha apertado. Doía. Era só a lembrança recente, impressa na pele de que ele me tomou de novo. Deitei no sofá, de lado. A casa cheirava a álcool, a fumaça, a nós dois. Fechei os olhos por um instante, mas o sono não veio — só a consciência de que, por mais que ele dissesse o contrário, já tinha me escolhido: “Você é minha.” Talvez ele ainda estivesse chateado. Talvez dormisse virado para a janela para não ter que ver a mentira que eu fui. Talvez, quando acordasse, não dissesse uma palavra. Mas agora eu sabia o que fazer: ficar. Calar. Obedecer quando fosse preciso. E, se me fosse permitido, ir abrindo espaço para a Lucia que ele disse que manteria viva. Rolei no sofá, puxei a outra camisa que vesti para cobrir as coxas e fiquei ouvindo a respiração dele ao longe, atrás da porta semiaberta. Não tinha mais forças para chorar. Quando ele acordar, vai me dizer como foi que Gracy apareceu aqui.
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