Puxei a pasta preta e a abri. A primeira folha não era um prontuário médico convencional, mas sim um relatório de óbito clandestino. Havia fotografias em alta resolução anexadas. Senti o meu estômago contrair violentamente, o ácido subindo pela garganta, mas minha expressão permaneceu esculpida em gelo. As imagens mostravam um homem de proporções gigantescas, um verdadeiro urso de mais de cem quilos, estirado no que parecia ser um tatame emborrachado coberto de sangue. O osso frontal do crânio do sujeito estava literalmente afundado. Um buraco grotesco na testa, o maxilar deslocado, os olhos mortos e inchados. A violência aplicada ali não era de uma simples briga; era uma execução brutal, feita com requintes de crueldade e pura força bruta. — O que é essa carnificina, Letícia? — indaguei

