— Olívia... as cortinas... — ela sussurrou, a voz oscilando entre o pavor e uma urgência febril. — O Heitor disse que as cortinas precisam ser de chumbo. Se o sol entrar, ele vai ver as manchas no tapete. Ele vai saber que eu derrubei o vinho da cerimônia. Olívia, você não entende? Se a luz entrar, ele vai me desintegrar! Apertei a mão dela, sentindo o desespero pulsar contra a minha palma. Eu tentava manter minha postura clínica, o distanciamento de vidro que me protegia dos pacientes do consultório, mas ali, naquele jardim de inverno saturado pelo cheiro de remédio, eu não era a Dra. Villar. Eu era apenas a filha tentando conter o transbordamento de uma mente que se estilhaçou diante dos meus olhos. O paradoxo era c***l: eu era a psiquiatra mais respeitada da cidade, capaz de reconstrui

