O locutor invisível lá do alto abriu o microfone, a voz falsa estourando nas caixas de som industriais espalhadas pelo teto alto, transmitindo o caos direto pros gringos engravatados nas cabines que pagavam em euro vivo pra ver a desgraça rolar no chão. — No corner vermelho, a máquina de demolição de Moscou, o exilado sanguinário das Forças Armadas... IVAN, O QUEBRA-OSSOS! — O som estalou nas caixas. — E no corner n***o, o pesadelo letal do Rio de Janeiro, o rei absoluto da favela... O MONSTRO DA LONA PRETA! Nenhuma arquibancada gritou. Não tinha povão ali pra bater palma. O silêncio daquele galpão era doentio, perturbador, cortado apenas pelo som da minha própria respiração curta e pelo rosnado baixo e gutural do russo. Olhei lá pra cima, direto pros camarotes espelhados e blindados que

