Letícia deu um gole generoso no seu Midnight Jazz, e eu observei a forma como a luz âmbar das arandelas dançava no vidro da taça. Ela umedeceu os lábios, ajeitou-se na cadeira de veludo e inclinou o corpo para frente, diminuindo a distância entre nós com aquela cumplicidade típica de quem está prestes a soltar uma bomba que não consta nos manuais de conduta de uma secretária executiva. — Olívia, na boa, a gente tem que sair dessa bolha de vez em quando — ela começou, a voz baixando para um sussurro conspiratório que m*l competia com o saxofone. — Esquece os colunistas sociais. O que rola de verdade nessas madrugadas é outra frequência. Sabe o prédio comercial onde a gente trabalha? Pois é, tem um pessoal da Faria Lima que frequenta lá e deixa escapar muita coisa. Eles comentam sobre um lu

