A ARQUITETURA DO SILÊNCIO O Rio de Janeiro lá fora é uma ferida aberta, latejando em carne viva sob um sol que não perdoa ninguém. A cidade é, na sua essência mais crua, um espetáculo deplorável de sangue, contrastes absurdos e sobrevivência primitiva. O caos respira nas ruas, a violência exala dos bueiros e a tensão social é uma corda de piano esticada ao limite, sempre a um milímetro de arrebentar. Mas aqui dentro, no trigésimo andar de um edifício espelhado encravado no coração financeiro do Leblon, com vista para a imensidão azul e indiferente do mar, o ambiente é estritamente cirúrgico. A desordem não tem permissão para cruzar a minha soleira. As paredes deste consultório não foram erguidas apenas para delimitar espaço; elas foram projetadas com concreto duplo e um isolamento acústi

