O RITUAL DO ABATE E O BATISMO DE FOGO O sol de manhã cedo começou a rasgar a linha do horizonte do Rio de Janeiro, cortando a neblina que cobria as ladeiras da comunidade. Na laje da Torre, o clima era de prontidão total para o combate. Eu tava em pé, o peito nu estufado ostentando os cortes de arame farpado da Lona Preta, segurando o fuzil AR-15 dourado com as duas mãos baleadas. O Menor se aproximou rápido, com o rádio transmissor estalando na mão e o semblante travado na pura neurose da favela. — O canil tá ouriçado lá embaixo na passarela, Monstro! — o Menor gritou, batendo a mão na coronha da pistola. — O batedor deu o papo que são dois Caveirão preto do Bope e quatro viatura do Choque manobrando de ré pra subir a 19! Os cara vieram pra sufocar o movimento, patrão! Qual é a ordem do

