Késsia.
Eu fiquei olhando o Thomas por um tempo, a pergunta que ele me fez passava por minha mente, será mesmo que eu devia dar uma chance a ele? Na verdade até sei que não deveria, mas por outro lado eu queria saber quais seriam as jogadas dele, estava curiosa pra saber se ele realmente tinha interesse em me conquistar ou só era um papinho furado dele, talvez com todas as investidas dele e eu recusando sempre, chegaria um momento que ele poderia se cansar, pra mim ele desistiria na primeira oportunidade.
--- Dois meses, o tempo que tem, se em dois meses você não conseguir fazer meu coração acelerar e minha barriga revirar a cada aproximação sua, você desisti e voltamos a agir como dois irmãos.
Eu sabia que Thomas não gostaria de voltar a ser como um irmão, dava pra ver isso nitidamente nos olhos dele, exatamente por isso que dei aquela condição, ele poderia não conseguir e ainda ficar deprimido.
--- Fechado, só preciso de dois meses.
--- Acho bom se esforçar, não sou tão fácil de agradar.
Deixei ele ali sozinho com seus pensamentos, eu não sabia o que viria pela frente, mas estava ansiosa pra saber o que ele faria, ele não sabia nada dos meus gostos atuais, e também não sabia quase nada sobre mim, seria difícil ele fazer algo que fosse do meu agrado.
Pensando agora eu nunca tinha falado sobre isso com a mãe, na verdade nem tinha muito o que falar, quem devia falar era ele, já que era ele que estava apaixonado por mim e não o contrário, então deixaria essa tarefa tão importante pra ele concluir.
Falando agora em Enrico, ele foi bem no treinamento de hoje, só compartilhamos nossos nomes hoje por que antes eu tinha me esquecido essa parte.
No treinamento eu percebi que ele é forte, o problema é que ele não sabe como usar toda a força, ele apanhou muito pra mim ontem, mas quando ele estiver bem treinado vai ser difícil saber se eu ganharia uma luta com ele.
Não que eu vá enfrentar ele quando o mesmo estiver treinado, Deus me livre desse rostinho bonito ter hematomas por nada, eu não correria de uma briga com um homem se tivesse algum motivo, mas eu não teria motivos pra enfrentar Enrico quando ele estivesse bom de luta.
Hoje era dia de eu e Melissa saímos a trabalho novamente, ainda bem que Thomas estava sempre com as crianças a noite agora então eu não precisaria me preocupar muito com isso.
Os alvos da vez eram dois homens, pelo que descobrimos são fortes e bom de briga, dessa vez com certeza vamos ter um pouquinho de dificuldade, mas não corremos de um trabalho, e se tem dificuldade é melhor ainda.
Até agora não houve um só trabalho que nós duas não tenhamos concluído, nunca deixamos nada pela metade e não importa a dificuldade a gente sempre enfrenta, as pessoas até dizem que temos a mesma força e coragem dos anjos da morte, enfrentamos qualquer coisa.
A mãe e a tia Lívia não eram exatamente assassinas de aluguel, elas matavam mas não pra receber dinheiro, na maioria das vezes era só cobrando mesmo, ou eliminando um lixo do mundo, apesar de fazermos coisas parecidas ainda asim não é a mesma coisa.
Melissa.
Eu estava no meu quarto de pernas pro ar, estava novamente em casa sem ter nada pra fazer, na verdade eu só reclamava por não fazer nada por que eu não procurava uma ocupação, segundo minha mãe se eu procurasse eu não ficaria deitada o dia todo.
Mas era bom que eu guardasse minhas energias pra mais tarde, eu precisaria muito dela pra enfrentar o alvo de hoje, depois de pesquisar tanto sobre os dois soube que eles não morreriam quietinhos como a maioria, e na realidade isso era bom, eu gostava de dificuldade, fazia ter mais adrenalina.
Eu bem que era um pouco maluca em pensar dessa forma, mas o pensamento de que você pode morrer a qualquer momento diante de uma situação perigosa, faz com que você queira aproveitar seus últimos minutos de vida, é da hora, já passei por isso uma vez.
Nenhuma de nós duas já nos machucamos no nosso trabalho, e acho que em parte isso contribuiu um pouco pra que ninguém ainda saiba sobre a gente, se eu chegasse machucada aqui em casa bem capaz de meus pais terem um infarto, eles são tão cuidadosos comigo que só consigo imaginar isso.
Eu amava meus pais de coração, mas as vezes eles me sufocava, é um pecado enorme eu estar dizendo isso, mas eles me super protegiam demais, na cabeça deles eu não deveria ter nenhum arranhão, por que eu era filha única, se algo acontecesse comigo eles ficariam sem mim, pra eles eu tenho que fazer tudo que eles não fizeram na vida, eu não gosto disso.
Ter que carregar esse fardo não é fácil, já tentei mil vezes conversar com eles e explicar que eu poderia cuidar de mim mesmo mas isso não resolvia, nós brigamos muito, eles quer que eu tenha uma vida perfeita feliz e sem dor, sem ter nenhum problema para enfrentar, mas me diz, qual a graça de uma vida sem problemas e dificuldades no caminho?
É por isso que eu escolhi ser assassina, estar ali matando alguém fazendo o que eu realmente quero e deixando ir a tona minha verdadeira face me deixa feliz, o único momento em que sinto que sou eu mesma é quando estou com aquela máscara no rosto.
Desde pequena eu sempre vive como meus pais queriam, não brincava com nada que representasse perigo, tinha a personalidade que eles desejavam que eu tivesse, e agia como eles queriam.
Eu sempre ouvi da Késsia que ser obediente aos pais e respeitar a decisão deles é o que um filho deve fazer, acho que e tanto ouvir ela falar isso eu passo todos os meus dias só obedecendo e respeitando o que eles ditam pra mim.
Eu nunca quis culpar ela, não quis de verdade, mas não consegui, talvez eu não tenha coragem realmente de assumir a minha culpa, por isso culpo ela por ter uma vida r**m, me sinto a pior pessoa do mundo por isso, eu coloco a culpa na minh melhor amiga pela vida i****a que tenho.
Joguei aqueles pensamentos pra bem longe, ficar com a mente parada sempre me fazia pensar em coisas assim, eu não conseguia evitar, eles vinham sem nenhum aviso e eu só pensava.
Vesti uma roupa e desci as escadas, eu iria pra casa da Késsia, não tinha nada de tão interessante pra se fazer aqui mesmo, encontrei com minha mãe na sala.
--- Já vai pra lá de novo Melissa?
--- Vou mãe, não tô fazendo nada.
--- Precisa se acostumar a ficar sempre aqui com a gente, Angel e Felipe chegam logo, a casa vai ficar cheia demais pra você ficar lá o tempo todo.
--- Tá bom mãe.
Dei um beijo nela e sai, não era como se minha relação com os meus pais fosse r**m, eu só não gostava do modo como eles me tratavam.
Assim que cheguei já fui procurar a Késsia no quarto, atormentar a vida dela era meu passatempo favorito.
--- Caramba, tu acabou de sair e já tá de volta?
--- Eu estava aqui ontem querida, hoje já é um dia diferente.
--- Aconteceu alguma coisa lá?
--- Nada .
Eu era a pior amiga do mundo, eu sabia sobre tudo relacionado a Késsia, mas ela não sabia sobre tudo relacionado a mim, eu não tinha contado como me sentia em relação a minha vida, e me sentia uma pessoa sem coração por não ter nenhuma intenção em contar.
As vezes o que eu acho é que tenho inveja dela, sua vida parece ser tão melhor que a minha, ela tem pais compreensíveis, leva a vida do jeito que deseja e eles não se intrometem na vida dela, eu queria que minha vida fosse exatamente assim, eu sentia inveja da minha própria amiga.
--- Tem forças o suficiente pra enfrentar os alvos de hoje?
--- Talvez um pouco, estou um pouco cansada.
--- Você sempre está Kess, e olha que não faz nada.
--- Quietinha v***a.
Nenhuma das duas se importava com xingamentos desse tipo, tanto eu quanto ela xingava uma a outra, já era normal entre nós.
Quando começamos a nos preparar já era um pouco tarde da noite, nós preferimos esse horário por que dificilmente tem pessoas na rua, a não ser criminosos, e as vezes moradores de rua, aquela sempre era a melhor hora.
O local onde eles estavam era um campo aberto, parecia aquelas arenas dos jogos romanos, ou sei lá como se chamava aquilo, só sei que lembrava bem.
Os dois eram grandes e fortes, praticamente o porte de Thomas e Levi, estavam nos esperando no centro, um sorriso diabólico, deveria aprender com eles, eu sabia sorri daquela forma, mas o deles era bem melhor.
Eu sabia que Kess iria no da da direita, ela sempre escolhia esse lado, e acho que por eu ficar com o lado esquerdo isso sempre me dava sorte também, então nem me incomodava mais em disputar quem enfrentaria qual lado.
Olhamos uma pra outra e corremos até onde eles estavam, Kess deu um salto e naquele momento a cena pareceu de filme, p***a, ela sabia bem o que fazia, eu estava com minha machadinha em mãos e o homem não tinha nada, mesmo assim ele conseguiu tirar a arma de mim e jogar bem longe, ainda bem que eu sabia lutar.
Eu era pequena, mas graças aos céus tinha muita força, um soco meu não seria o suficiente pra derrubar aquele gigante, mas um monte deles poderia ao menos fazer ele sangrar.
Por um golpe de sorte eu consegui quebrar o nariz dele, mas aquilo só fez com que o homem se tornasse uma fera, ele pegou na minha perna como se eu fosse uma galinha e depois de rodar me arremessou longe, meu corpo foi arrastando nas pedras, certeza que eu tava parecendo ter sido atacada pelas pragas do Egito.
Enquanto eu não estava dando conta do meu oponente Kess estava indo muito bem, o homem já estava no chão e ela deferia golpes com a faca, eu arregalei os olhos, o homem parecia imortal, só parou de se mexer quando Kess deu um último golpe na garganta, a faca devia ter atravessado até o outro lado.
Eu estava quase ficando sem ar, ele estava prendendo meu pescoço, o sangue já deveria ter subido completamente pra minha cabeça.
Kess quando notou que a situação pra mim estava feia veio me ajudar, ela estava em cima do homem tinha esfaqueado o braço dele mas não adiantou, ele ne soltou e eu peguei minha machadinha que estava ali perto.
Em questão de segundos eu vi ele pegar uma faca no bolso e passar na perna da kess, foi tão fundo que vi o sangue jorrar.
Decidi acabar com ele logo, com toda a minha força eu cravei a machadinha na cabeça dele, demorou uns segundos a cair mas ele foi ao chão.
Corri até a Késsia, o corte estava muito feio e o sangue jorrava, eu me desesperei, ela tinha se machucado por minha causa, se eu tivesse dado conta ela não estaria assim agora, era visível a dor dela, ela não estava chorando mas gemia de dor, era pior ainda que chorar.