Desmascaradas.

2057 Words
Késsia. Cacete, essa é a primeira vez que me machuco em serviço, também era de se esperar, os dois alvos de hoje realmente não eram fáceis, suamos muito até conseguir derrubar eles, mas o filho da p**a ainda conseguiu me acertar na coxa. O corte era fundo, precisaria de pontos mas eu com toda certeza não iria a um hospital, nunca gostei de um, até quando eu era pequena o médico que tinha que vir em casa, eu não suporto estar em um hospital. Melissa estava desesperada, na cabeça dela a culpa era sua por eu ter me machucado mas eu não culpo ela, fui eu quem corri pra ajudá-la, e se não tivesse intervido ele poderia ter machucado ela bem pior do que me machucou. Foi trabalho da p***a pra mim consegui chegar até o carro, Melissa também estava cansada, tive que ir me arrastando, ela foi dirigindo o carro e eu no banco do passageiro só sabia gemer de dor, p***a, um corte na coxa dói. Nós duas estávamos tão aéreas as coisas ao nosso redor que esquecemos de trocar de roupa, pior ainda, a gente só tirou a máscara e carregamos pra dentro com elas nas mãos, nada disso poderia piorar né? Erro meu, as coisas foram de m*l a pior. Entramos em casa nos arrastando, eu gemendo de dor e Melissa gemendo de cansaço, e como eu disse, as coisas só pioraram, Thomas, Levi e Oliver estavam na sala tomando whisky, mas os três copos foram ao chão quando eles nos viram, ou melhor, quando viram nossas máscaras, a expressão de espanto nos rostos era nítida. Mas naquele momento eu não estava me importando se eles tinham descobrido sobre nós, eu estava com um corte da p***a na coxa, era isso que tinha minha atenção. --- Mas que merda, eu sei que isso é chocante mas dá pelo menos pra me ajudar ou chamar um médico? Só depois de eu falar isso eles caíram em si, Oliver pegou o celular ligando para um médico, enquanto Thomas e Levi vieram nos ajudar. --- Késsia, o que foi isso? --- Sem ânimo pra conversar agora Thomas, eu tô com dor caramba. --- Verdade, desculpa. Ele pressionou um pano e eu gritei, olhei pra ele com os olhos matador, a facada naquele momento parecia ser útil, só assim ele ficaria no mesmo estado que eu pra ver como é bom. O médico chegou um tempo depois, fez pontos, curativos e falou que estava tudo bem, eu só precisava de repouso e tomar cuidado pra não infeccionar. Assim que o médico partiu os três ficaram na nossa frente, de braços cruzados e esperando uma resposta que não viria, naquele momento eu só queria descansar, mas meus planos saíram pelo ralo, tia Lívia, tio Morte, meus pais, e os padrinhos abriram a porta. Primeiro eles analisaram a gente, confirmaram se tudo estava bem e depois todos de sentaram ao nosso redor nos olhando como se fôssemos alienígenas. --- O que? Vocês também não já mataram caramba? --- A situação de vocês é diferente, mentiram. --- Sem essa tio, a gente não mentiu, vocês que não perguntaram, só tiraram conclusões precipitadas ao pensarem que não queríamos seguir no mundo do crime. --- Nos enganaram direitinho, ninguém soube disso até agora. --- Engano seu tio coringa, as tias Angel e Lívia sabiam. A atenção agora estavam pra elas todo mundo ficou chocado ao saber que as duas sabiam e eles não, aproveitei a distração deles e subi pro quarto, tava cansada demais pra ficar ali explicando tudo pra eles. Depois de um banho cai na cama como uma pedra, acho que nem me mexi durante a noite toda. Pela manhã as crianças acordaram cedo, ficaram encarando meu curativo e fazia uma careta triste --- Dói tia? --- Agora não doi mais, só que ontem doeu muito. Tomamos um banho antes de descer, de vez em quando eu tomava banho pela manhã, as crianças pegaram esse costume também, apesar de não ser sempre. Fomos os três pra cozinha, preparei o café da manhã, meus pais deviam tá dormindo ainda, eu tava era curiosa pra saber como eles chegaram tão rápido aqui ontem, pensei que eles estivessem viajando e não aqui por perto. Nós três não esperamos pelo resto da família, começamos comer sem eles mesmo, a fome bateu e não teve como esperar. Minha mãe apareceu quando já estávamos finalizando. --- Nem espera mais não é queridinha? --- Fome bateu mãe, cês demoraram. As crianças foram assistir desenho e eu fui organizar a bagunça que os dois deixaram. --- Aliás, como chegaram aqui tão rápido ontem? --- Já estávamos vindo, Levi avisou e a notícia correu. --- Vou arrancar a língua e os dedos dele isso sim. --- O que mesmo que aconteceu ontem? Nenhuma das duas já se machucou antes em serviço. --- Os alvos eram fortes mãe, sabiam lutar, e além do mais se machucar faz parte do trabalho, a senhora sabe muito bem disso. --- Mais cuidado na próxima filha, faz parte do trabalho se machucar, mas não gosto de ver você machucada. Ela acariciou minha cabeça e foi tomar o café dela, o diálogo entre mim e a minha mãe sempre era bom, nossa relação era incrível, os cuidados uma com a outra e demonstração de afeto era constante, apesar de eu as vezes não demonstrar muito, e ela também não, mas nenhuma das duas tinha qualquer dúvida sobre o amor que sentimos uma pela outra. Minha mãe parecia a queridinha da família, ela se dava bem com todos, e todo mundo ouvia os concelhos dela, parecia mesmo que era a anciã da família, todo mundo respeitava ela. Mas acho que isso acontece por que nas horas de desespero ela é a única a manter a calma, nossa família é totalmente desesperada em situações difíceis, só a mãe consegue manter o equilíbrio, mamãe incrível eu tenho pô. Agora era meu pai que vinha na minha direção, eu estava esperando ser repreendida e que ele me pedisse pra parar com o trabalho, eu não pararia, mas no meu pensamento ele faria isso. --- Como tá esse corte? Dói? --- Não, parou de doer ontem mesmo depois do curativo. Ele só afirmou e foi tomar o café dele, eu olhei pra mãe e ela deu de ombros, meu pai sempre dava chiliques quando eu me machucava, o que aconteceu agora? Será que ele não se importava mais tanto assim comigo? A mãe saiu e ficamos só nós dois, clima tava tenso, e eu nem sei por que. --- Senta aqui filha. Me sentei ao lado dele, eu esperava uma reação pior da que eu imaginei, já que de começo ele não disse nada. --- Qual é dessa cara? --- O senhor nem mesmo me pediu pra largar o trabalho. --- Tua cabeça é pior que a da tua mãe, do que vai adiantar se eu falar? Tu num vai ouvir mesmo. --- Podia pelo menos reclamar, agindo assim me faz pensar que nem se importa mais comigo. Ele riu e me puxou pra um abraço, meu pai era meu melhor amigo, sempre conversamos sobre tudo, ou quase tudo. --- Ontem eu descobri sobre o seu trabalho, e sabe o que eu percebi? --- Hum? --- Que você cresceu. A pior parte de ter um filho é perceber que um dia ele cresce, eu tava adiando isso, não queria que você crescesse, queria que fosse pra sempre minha pequena Kess, mas você cresceu, e bem. --- Graças a vocês pai. --- Sim, sua personalidade é uma mistura de sua mãe e eu juntos, pelo menos assim nenhum de nós se sente triste por parecer mais que um que com o outro. --- Me desculpa não ter falado antes pai. --- Tudo bem, pelo menos sua mãe sabia. Eu nunca vou me acostumar a te ver machucada, então a única coisa que peço pra ter é cuidado, dói ver você sentido dor. --- Vou me cuidar pai. --- Minha menina realmente cresceu. Meus pais são os melhores do mundo, tiveram dois filhos, e apesar do Thomas não ser filho biológico deles, recebeu o mesmo amor que eu, a distância entre eles foi o próprio Thomas que criou, meus pais não tem culpa por isso. Nunca me cansaria de dizer que os dois eram incríveis, sabiam a hora de dar carinho, de aconselhar, de repreender, e de dizer não, tudo que eu sei hoje foi graças aos dois, se eu não fosse grata seria a pior filha do mundo. Fui pra o quarto, deitar um pouco e talvez dormir, não podia andar muito, os pontos poderiam abrir, nos últimos dias teria que ter cuidado com esse machucado, é uma merda. Agora que sei como é me machucar em serviço o cuidado vai ser dobrado, eu sei que eu passo metade do dia dentro do quarto, mas basta você perder algo pra dar valor, é sempre assim. Minha mãe abriu a porta, ela não costumava bater. --- Tem um rapaz lá embaixo esperando você Kess. Pensei um pouco, não estava esperando ninguém, desci com ela e quando chegamos no topo da escada contemplamos a cena do Thomas e meu pai olhando pra ele como se ele fosse um pedaço de carne. --- Sem esse olhar pai. --- Quem é o garoto? --- Um aluno. --- Sua perna tá bem? --- Está Enrico, só me machuquei ontem no trabalho, mas não vou poder treinar você hoje. Eu não podia me esforçar, ms ainda bem que a mãe estava aqui, ela podia treinar ele por esses dias. --- Mãe? --- Deixa comigo, mas não vou pegar leve. Dona Angel nunca pegava leve, até mesmo no treinamento meu e da Melissa, nós duas sofremos pra c****e, quando se trata de treinamento minha mãe leva muito a sério. Os dois foram pra academia, meu pai foi atrás, Enrico ia sofrer muito esses dias, tadinho nem sabia o que esperava por ele. Thomas ficou olhando pra mim, encarei ele de volta tentando entender o que ele queria já que ele não falava nada. --- Vai falar ou só vai ficar me encarando? --- Por que tá treinando ele? --- Eu dei uma chance pra você quando deixou de ser covarde, ele também não merece uma? --- Faz sentido. Aqui. Ele me entregou uma caixa, não era tão grande, tinha um tamanho médio, abri a caixa e vi ali tudo que eu precisava pra passar meus dias de solidão. Tinha chocolates, meio amargo, e pirulitos, eu não gostava de outros doces a não ser isso aqui e sorvete, a pergunta é, como ele descobriu o que eu que eu costumava gostar agora, meu gosto mudou completamente, não era como se ele tivesse adivinhado isso. --- Me senti m*l vendo você chorar ontem, não se machuque mais. Ele só disse isso e me deixou ali com a cara de i****a, mas que merda, meu coração acelerou só por que ganhei doce? Que filho de uma mãe, eu sou i****a mesmo, essa é a única explicação. Fui ver como estava o treinamento de Enrico, a essa altura do campeonato ele já devia estar quase morto, minha mãe não teria nenhuma dó dele, e juntava meu pai, iriam acabar com ele. Quando cheguei na porta da academia ele estava pra cair no chão, o ar dele parecia ter sumido completamente, ia morrer logo se continuasse assim. --- Menos mãe, ele tá começando agora. --- Quando treinei você também só estava começando, se ele quer mesmo se tornar tão forte assim precisa aguentar. Eu olhei pra Enrico, ele estava caído no chão e tentava regular a respiração, meus pais pegaram pesado, nesse ritmo ele estaria todo quebrado em poucos dias. --- Acha que consegue aguentar? --- É difícil, mas acho que consigo. --- Ela é a melhor pessoa pra treinar você, também fui treinada por ela, só precisa ter determinação, você escolheu esse caminho, como tem a vontade o resto é mais fácil. --- Vou me esforçar, e fazer valer a pena, não foi perca de tempo você ter estendido sua mão a mim. Antes de começar o treinamento eu falei pra ele que seria difícil, nada é tão fácil quanto parece, e ele sabia disso desde o começo, o maior passo dele foi deixar de ter medo, isso foi seu grande começo.
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