Melissa.
Finalmente chegou minha vez, depois de eles falarem tanto agora que consegui minha narração.
A única coisa boa pra contar sou eu, cresci muito bem e hoje sou uma gostosa, autoestima é tudo minha gente, tem nada melhor que isso não, se você mesma não se achar maravilhosa e gostosa quem vai?
Sou filha única, e ainda mulher já viram, fui muito paparicada, mimada a beça, minha mãe coitada, sofreu, não tinha nada que eu pedisse que o meu pai não me entregava na mão, e ela sempre dizia que por causa dele eu cresceria rebelde, mas mostrei pra ela que seria diferente, não tem uma garota mais santa no mundo que eu, quer dizer, uma que finja mais, já que não sou de toda tão santa assim né?
Fingir também é uma palavra forte demais, eu realmente tenho duas personalidades, a quietinha e a extrovertida, as duas fazem parte de mim, o negócio é que só uso elas na hora certa, ou talvez também a minha real só seja a extrovertida, nem eu mesma sei.
Kess sempre diz que isso se chama boa atuação, e realmente é, não sei por que não investi na carreira de atriz, p***a, sou muito boa nisso, mas né, cada um com seus sonhos, e os meus estavam longe de trabalhar como atriz ou qualquer outro emprego "normal".
Na realidade ser uma assassina também não seria um sonho, eu só quis fazer aquilo, é perigoso? É, mas eu gosto, é muito bom, os gritos, os pedidos de misericórdia, tudo aquilo é uma melodia tão atrativa aos meus ouvidos, é bom estar ali sabendo que você foi a última pessoa a ver o alvo.
Quando a gente decidiu ser assassinas de aluguel, a primeira coisa que as tias Angel e Lívia nos disseram foi nunca matar inocentes, elas não foram contra a nossa escolha, mas a única ordem delas foi essa, e nós obedecemos, sempre antes de qualquer assassinato a gente pesquisa sobre a pessoa, quem é, como vive, o que fez, como fez, por que fez, tudo isso é importante na hora de considerar se são inocentes ou não, e só depois de todas essas considerações, podemos confirmar o assassinato de um culpado, nosso trabalho não é só encomendar e irmos matar na hora, até que o alvo realmente morra ou não, antes disso tudo é passado por muitas etapas.
E por todas essas leis no nosso serviço nós antes de começarmos a ser assassinas estudamos, e muitas coisa, o primeiro foi fácil, não queríamos ser vistas nem reconhecidas, por isso a máscara e modificadores de voz, Kess tinha mais facilidade em aprender sobre computadores então quem ficou com essa parte foi ela, eu fiquei com a parte cuidar do dinheiro e dos nossos objetos de trabalho, apesar de ficar na casa dela, sou eu quem sempre dou uma olhada, ver o que falta, dar uma limpeza, amolar um pouquinho se precisar, é basicamente isso.
O último e mais importante foi o treinamento, isso ai nem custou muito, as tias Angel e Lívia nos treinaram, somos tão boas quanto as duas quando estavam em ação, estamos no auge do nosso trabalho nossa fama é tão maior quando a dos anjos da morte, e isso é só por que nós somos um pouquinho mais carinhosas e fazemos um trabalho como ninguém.
Os meus pais não sabem desse pequeno detalhe na minha vida, pra eles eu sou só uma garotinha ainda, e nunca faria nada de tão perigoso, a tia Angel já me disse uma vez que toda essa perfeição que eles tanto criam pra mim geraria um grande problema, e eu sigo até hoje esperando que o que ela falou tenha sido uma grande mentira, mas a tia Angel costuma falar coisas que dificilmente não acontecesse, isso me dá medo também.
Estava eu aqui na sala cuidando desses dois lindinhos, amo esse pequenos cara, são tão fofos, a cada hora eles estão com um sorrisinho no rosto e isso abala minha postura, como é possível dois seres tão pequenos ser tão lindinhos assim?
--- Que tal um bom café da manhã agora meu amores?
--- Eba.
Só vi os dois correndo pra cozinha, minha mãe estava lá ela serviria eles, eu fui ao quarto da Kess, talvez ela precisasse de algo, sempre que ela estava envolvida com os números ela se esquecia de tudo, era como se nada mais existisse, e se antes de ela terminar, alguém não a chamasse, ela ficaria dias em frente ao computador, parecia que era possuída, muito louco isso.
Quando ela escolheu fazer ciências da contabilidade, meus tios acharam de boa, disseram que era um ótimo trabalho pra ela, só que eles m*l esperavam pelo que vinha a seguir, depois de perceberem que Kess esquecia até mesmo sua própria existência quando estava envolvida nos números eles se arrependeram amargamente por falarem ter sido uma boa escolha pra ela, até mesmo tentaram fazer ela escolher outro trabalho mas não deu certo
--- Não precisa de nada?
Demorou um pouco até ela parar de teclar no computador, ela estava preenchendo uma planilha com os cálculos que tinha feito anteriormente no papel, não era difícil já que ela era muito boa com números, só era muita coisa a fazer.
--- Preciso de roupas, meus cremes, perfumes, e roupas para as crianças também.
--- Só isso?
--- Por enquanto só, pode cuidar deles esses dias?
--- Não tem essa não bonita, somos irmãs esqueceu? Se uma precisa a outra ajuda, pode trabalhar tranquila, eu cuido deles.
Fechei a porta do quarto e fui trocar de roupa, estava de pijama ainda, eu e a Kess nos acostumamos desde pequenas a sempre usar pijamas, então o tempo que não tem visita em casa, vestimos sempre nosso bom pijama, é confortável, não tem um uniforme melhor pra se usar em casa.
De roupa trocada desci, as crianças brincavam com o meu pai, ele era apaixonado por crianças, e minha mãe também era.
--- Vou na casa da Kess pai, volto logo.
Os dois estavam tão entretidos com o meu pai que nem mesmo me olharam, tava perdendo a importância já, só bastava eles encontrar alguém que desse atenção que esquecia os outros rapidinho, falsos demais.
Quando cheguei na casa dos tios a tal Estéfane estava de b***a pra cima, Kess tinha me contado o que sabia sobre ela, e não gostei nem um pouquinho dessa mulher, pior que uma cobra credo.
A Kess e eu éramos duas confidentes, não existia nada sobre nós que ambas não sabia, cada coisa da nossa vida era compartilhada entre nós, não existia mentiras no nosso meio, nosso lema era sempre ser sincera uma com a outra, mas talvez eu não esteja seguindo esse lema tão arrisca assim.
Thomas ia descendo as escadas.
--- As crianças estão com a Késsia?
--- Estão, eles vão ficar em casa por alguns dias, pode ir vê-los lá se quiser.
--- Fala sério, quem é que quer ver aqueles pestinhas? É bom mesmo que não estejam aqui, mais paz pro meu interior.
É sério isso? Eu posso voar na garganta dessa v***a não posso? Vou amassar a cabeça dela qualquer hora, igualzinho como se amassa massa de pão.
--- É bom prestar atenção no que sai da sua boca Estéfane, vai morrer qualquer dia desses por causa dessas palavras.
A coitada ficou caladinha, não soltou um A, e fui cuidar do que vim fazer aqui, se não arrancaria a garganta dessa mulher a qualquer momento, me dava nojo só em olhar para aquela figura.
Peguei uma mala média, colocaria as roupas dos três ali pra não carregar tanto peso, não me esqueci dos cremes e perfumes da Kess, os dela era diferente e ninguém lá em casa usava deles, a vaca era enjoada, não gostava de cheiro forte, mas não suportava ficar sem perfume, vai entender, a cabeça dela faltava uma peça, isso sim, não tinha outra explicação.
Quando passei pela sala novamente a bonita estava de pernas pro ar, lanches estavam espalhados por todo sofá, só em olhar me dava calafrios, ela comia enquanto limpava o nariz e coçava o cabelo, que tipo de alienígena era aquele? Nunca presenciei cena tão nojenta.
Sai dali rapidamente, Deus me livre se aquela doença for contagiosa, quero nem pensar.
Quando cheguei em casa a risada das crianças não foram ouvidas, eles não estariam dormindo àquele horário, ainda era cedo e eles nem tinham brincado tanto assim.
--- Oh mãe, onde estão as crianças?
--- Seu pai levou eles para brincar, disse que a sala estava pequena.
--- Típico dele, acho que existe uma criança no interior dele que ainda não cresceu.
Sorrimos e eu me sentei pra tomar café da manhã, não tinha comido nada ainda, tava morta de fome, eu era magra mas fazia um estrago.
--- Vai ficar aqui sempre agora filha?
--- Vou mãe, a casa dos tios tem muita gente agora, posso passar de vez em quando
--- Como é a mulher do Thomas?
--- A senhora devia ir lá conhecer ela junto com a tia Lívia, precisam ver o quanto ela é higiênica.
--- Arg, fica quieta menina.
Se tinha uma coisa que a minha não suportava de jeito nenhum, era alguém sem higiene, e se um dia ela se encontrasse com aquela Estéfane, na certa minha mãe jogaria ela em uma banheira que tivesse na água sabão em pó e água sanitária, nem assim toda a sujeira dela sairia.
--- Tadinha da Kess, ter que suportar aquela mulher.
--- Realmente mãe, eu no lugar dela não aguentaria.
Seria difícil pra Kess conviver com aquela mulher, principalmente por que agora ela tinha criado uma afeição enorme pelas crianças, e o que Estéfane fez com eles, tenho certeza que um dia ela pagaria, que ela tivesse sorte de não ser a Kess a cobrar, se não seria bem pior, se tinha uma coisa que não descia na garganta da minha amiga era injustiça.
Kess é do tipo calma, mas quando a raiva dela acumula ela não consegue se segurar, sempre que ela tá com raiva ela chora, ou é isso ou ela mata qualquer um que aparecer em sua frente, ela nunca foi muito boa em controlar a raiva, e eu nem sei o por que, mas quando ela está nesse estado dificilmente alguém consegue segurar ela.
Falando um pouco sobre mim, diferente da Kess eu preferi não trabalhar, sei lá, nunca gostei, só passo meu tempo lendo livros ou apreciando minhas armas de trabalho, meus pais sempre souberam que eu não tinha intenção em trabalhar e não me julgaram, nossa família não iria a falência por conta disso, meu pai antes de se aposentar tinha comprado uma empresa, investiu nela um bom dinheiro, não precisaríamos trabalhar se não fosse do nosso desejo, tínhamos dinheiro o suficiente pra viver anos sem precisar levantar um só dedo.
A unica coisa que eles se preocupam muito é que eu tenha um relacionamento, diz eles que eu preciso ter alguém, em algum momento eles podem não estar e eu fico sozinha, já que não tenho irmãos, mas na minha cabeça não funciona assim.
Eu nunca me imaginei casando, não sei, nunca consegui ter esse sonho dentro de mim, acho que não preciso de homem, ou talvez eu só não tenha me apaixonado ainda como a tia Angel já disse, pode ser que quando eu encontrar alguém que eu queira viver pra sempre meus pensamentos mudem.
Os meus pais se conheceram nesse mundo do crime, o meu avô praticamente ofereceu a minha mãe ao meu pai, casamentos arranjados nesse meio era comum, e a minha mãe teve sorte em ter sido o meu pai o marido dela, na maioria da vezes mulheres que se casam arranjadas, sofrem violência e muitas outras coisas, mas o meu pai era diferente, ao contrário de tudo isso ele foi muito bom com ela.
Desde sempre meu pai me ensinou como eu deveria ser tratada por um futuro marido, apesar de eu ter dito muitas vezes a ele que não desejava me casar ele me mostrou como uma mulher deveria ser tratada em um casamento, e se algum dia eu me casasse não aceitaria menos que aquilo.
Fui no quarto da Kess levar a mala que eu tinha trazido, quando abri a porta ela ainda encarava o computador, ela não tiraria os olhos daquela tela por tão cedo, o trabalho parecia muito, me dava cansaço só em olhar para aquilo.
--- Trouxe isso, e come isso aqui, não comeu nada ainda.
--- Obrigada, foi de boa lá?
--- Nada demais, mas vou te falar, quase que eu pulo na garganta daquela v***a, não gostei dela.
--- Temos o mesmo gosto então, o que ela disse?
--- Chamou as crianças de pestinhas.
--- Qualquer dia vou colocar ela pra tomar gasolina e depois coloco fogo de dentro pra fora, vai ser da hora.
--- Boa idéia, cê sempre tem as melhores idéias.
--- Claro, te ensino depois.
--- Muito convencida.
Kess costumava ser assim quando recebia elogios, por causa disso eu evitava elogiar ela, ficava se achando demais.
--- Parece que não vamos receber trabalhos por tão cedo.
--- Tenha calma flor, próxima semana vamos passar todas as noites ocupadas, aproveitando, pesquisa sobre os alvos, como sempre faça um bom trabalho.
Ela me entregou uma pasta com algumas fotos e nomes, a próxima semana seria produtiva, eram muitos alvos, que beleza.
--- O jeito que você fica feliz olhando tantas fotos é surreal.
--- Se aparecer mais alvos me chame senhora.
--- Falsa.
Fui pro meu quarto, era a hora de contatar todos os meus conhecidos em busca de informações, eu era famosa, tinha muitos contatos, claro que nenhum deles sabiam exatamente quem eu era, mas isso era só um detalhe, e a real, eles não precisavam saber quem eu era de verdade.
Pra minha mais pura felicidade cada um ali não era inocente, exceto por um garoto, ele parecia ainda estar na faculdade, era jovem e tinha o estilo nerd, iríamos visitá-lo pra saber mais, não encontrei muita coisa de importância relacionada a ele.
Se tinha uma coisa que eu e a Kess odiava que acontecesse no nosso trabalho era que encomendasse assassinatos de inocentes, cada um que vinha até nós sabiam muito bem que nossa regra era não encomendar assassinato de inocente, mas parece que quem encomendou não sabia disso, iríamos visitar essa pessoa também.
Procurei mais um pouco sobre o cara nerd, e ele parecia ser inocente mesmo, o cara nem mesmo bebia, era raro existir um homem assim, mas é aquilo, eu poderia estar enganada, por isso visitar ele seria necessário, não se podia acontecer um engano no nosso trabalho, checar bem antes de tomar uma decisão era muito importante, ir pessoalmente até ele seria melhor que procurar mais informações através dos outros.
Felizmente só tinha esse de inocente, ainda assim passaríamos uma semana toda fazendo nossos trabalhos, aquilo me enchia de alegria, iria esperar muito ansiosa pela semana que viria, alguns alvos estavam me esperando para serem eliminados, quem seria eu para decepcionar eles em não aparecer? Tinha que fazer as honras.