Késsia.
--- A gente vai?
--- O que cê acha?
--- Não sei, vamos ao menos saber do que se trata.
--- Ata, se finge de desentendida não amor, é lógico que cê sabe.
--- Tá bom, mas mesmo assim, não custa nada a gente ir.
--- Cê é uma filha da mãe Melissa. Nós vamo então c****e.
--- E as crianças?
--- Não sei, os padrinhos tão em casa?
--- Sim, eles não vão sair, e também irão gostar de ter duas crianças em casa.
--- Fechou então, a noite a gente vai e deixa eles lá, dormimos na casa dos padrinhos e passo o dia com eles lá amanhã.
--- Eita, já estava na hora mesmo.
--- Calada v***a.
Dá pra acreditar que a praga do Levi convidou as anjos mascaradas pra um encontro? Na moral, podia eliminar aquele menino do mundo, e eu já até sei o que ele vai pedir, mas não posso aceitar, e nem é por eu ser r**m, na verdade eu sou, mas tenho outros motivos além desse.
Primeiro que não quero tá seguindo ordens dos dois, foi por isso que eu e a Melissa começamos sozinhas, por que a gente não segue regras, e sim as regras que tem que se adaptar a gente, eu nunca me dei muito bem com regras, desde pequena sempre gostei de ser livre, e quero continuar assim, sem ter que obedecer ninguém além dos meus pais lógico, e a única regra que temos realmente no nosso trabalho é não matar inocente.
Claro, se houver algum momento em que os dois precisem de nossa ajuda pra matar alguém a gente não vai negar, agora ficar seguindo ordens deles é demais, e não é só por mim, Melissa ainda é bem pior que eu, ela não suporta seguir regras de outra pessoa.
Não entendo por que, mas desde pequena eu e ela nunca gostamos de seguir as ordens de um homem, até por que nossos pais nunca fizeram isso, sempre quem ditava as coisas para nós eram nossas mães, e apesar de a gente respeitar e obedecer os nossos pais nas poucas vezes que eles nos dá ordens, com um homem de fora é diferente, e pra mim seguir ordem de Thomas ou de Levi ahh meus amores, só mesmo morta, ou se eu tivesse possuída também.
Resumindo, não tem dúvida alguma sobre esse assunto, nós nunca vamos aceitar receber ordem de alguém, e também não vamos aceitar dar as ordens, agora até eu fiquei sem entender a mim mesma.
Então, na verdade seria hipócrita se a gente não gostasse de receber ordens de alguém, mas gostasse de dar as ordens, eu e Melissa gostamos da liberdade, a partir do momento que você dá ordens a alguém, você se torna responsável por ele, na nossa cabeça é assim, e é por esse motivo que nós duas só daremos algum dia ordens a alguém, se for para um filho, que aí a gente é responsável por ele e pode ordenar, caso contrário sem negociação.
O pai e o padrinho dizem que nós temos é a cabeça complicada, eles não se importam da gente ser assim, mas o pai quando se junta com o meu padrinho só é resenha, os dois são f**a juntos, e único assunto que os dois conversam é sobre as filhas.
Fui organizar uma bolsa pros meus nenéns, é gente, meus nenéns, chamo eles assim agora, nem são meus filhos mas que se f**a, quem cuida deles sou eu mesma.
Os dois quando viram eu organizar as coisas ali ficaram me olhando com os olhinhos em dúvida, nossa coisa mais linda esses dois meu Deus.
--- Tia, a senhora vai mandar a gente pro papai?
--- Não gostam de passar o tempo com o pai de vocês?
--- Não é isso tia, se a gente ficar com ele, atrapalha.
Merda, eu odiava o fato de que Theo era tão maduro assim, qual a necessidade? Ele é só uma criança cara, e teve que aprender cedo a ser mais maduro, precisava dar atenção pra irmã e cuidar de si sozinho, um dia eu ainda vou cravar uma faca no corpo do Thomas anota aí, num vai demorar muito não, acho que aquele tiro de raspão que eu dei foi muito pouco pra ele.
--- Olha, a tia vai precisar sair a noite, vou deixar vocês seguros na casa dos meus padrinhos, lá vocês vão poder brincar com eles como brincaram com tio Henry tudo bem?
--- E a senhora volta mamãe?
Aquela ruivinha danada ainda não tinha deixado de me chamar de mãe, e quem disse que eu tinha coragem de repreender ela? Ficava era com o coração mole caramba, eu devia sim não me apegar a eles, não sabia quando Thomas poderia embora, mas a cada dia que passava eu só me aproximava mais dos dois.
--- Vou sim pequena, e esperem por mim, vamos dormir bem agarradinhos.
Os dois dormiam comigo todos dias, a pesar de Thomas ter comprado camas, não adiantou, eles não saiam daqui, e quando Thomas colocavam eles no quarto deles, eu ia buscar os dois no meio da noite.
Dei um banho da beleza e da fofura nos dois e coloquei nas cadeirinhas no carro.
--- Nossa gente que fofura são essas.
Melissa apertou a bochecha dos dois que riam alegremente, não tinha como alguém ver essas crianças e não se apaixonar, eles ainda soltavam o charme deles que era aquelas gargalhadas gostosas.
--- Cai fora p*****a.
--- Ou, aprende a compartilhar fia.
--- Parece que alguém que reclamava tanto de como eu falava agora fala igual a mim.
--- Quietinha aí.
Fui dirigindo o carro e Melissa brincava com crianças contando histórias pra elas, é surreal o sorriso desses dois, chegaram em casa tão tristonhos, cabisbaixo, e agora só sabiam mostrar aquela sorriso maravilhoso, eu ficava toda derretida, na moral.
Saímos correndo entrando na casa dos padrinhos, os mesmos quando viram a baderna soltaram gargalhadas.
--- Padrinho, que saudade do senhor.
--- Tudo falsidade pai, confia não.
Dei língua pra ela e abracei, meu segundo velho, eu costumava chamar ele assim também.
--- Demorou pra vim me visitar bobona.
--- Demorei mas vim, e eu ainda trouxe companhia pro senhor.
Ele foi brincar com as crianças e eu fui cumprimentar a madrinha, realmente demorei pra c****e a vim aqui, se não me engano já fazia meses, eu sei, eu era a pior afilhada do mundo, mas os dois me amavam mesmo assim, eu não merecia mas adorava aquele amor todo.
--- Padrinho, o senhor pode ficar com as crianças pra gente dá uma saidinha.
--- Vai lá, eu fico com essas gracinhas.
--- Valeu padrinho, o senhor é o melhor.
Sai com a Melissa, entramos no carro e começamos a vestir as roupas que colocamos ali, claro que a gente não ia sem as máscaras, nem a p*u de correr o risco de eles saberem que somos nós, se um dia acontecer de eles descobrirem tudo bem, mas uma de nós contar seria bem difícil.
O local que eles marcaram até que não era tão longe, não ia demorar muito pra gente chegar lá, e não tinha muita gente por perto, era melhor que fosse exatamente assim.
Assim que chegamos eles já nos esperavam, como de costume vestiam seus ternos, não sei como aguentavam, o tempo todo com um trem daquele, fosse eu ficaria sufocada, parecia que os dois estavam presos naquilo.
--- Vamo lá começar nosso belo teatro flor.
Caminhamos em direção a eles, e os dois nos olhavam como se tentassem adivinhar quem era por trás daquelas máscaras, mas para decepção dos dois, não seria agora que eles saberiam, e descobrir assim só em olhar seria bem complicado.
--- Não estão em trabalho, e ainda assim usam máscaras?
--- Gostamos assim, pode começar a falar, não sou fã de rodeios.
Thomas riu, da cara que Levi fez, naquele momento até eu queria rir, mas não podia, ia dá muito na cara, deixaria o momento de dar risadas pra depois.
--- Na verdade é uma proposta que queremos fazer a vocês.
--- E qual seria?
--- Trabalhar conosco, está certo que gostam de trabalhar sozinhas, talvez não queiram trabalhar com mais alguém, mas não seria melhor trabalhar para nós?
Aff, esse i****a não sabe nem mesmo como convencer a gente, tipo falar coisas mais convincentes, por que isso aqui nem mesmo abalou a minha decisão, isso ele não aprendeu bem a com tia Lívia com certeza, ela era boa em persuadir alguém.
--- O que te faz pensar que a gente aceitaria?
--- Vocês vão ganhar muito melhor, e não vão ter que realizar tantas exigências como no trabalho de vocês.
Fala sério, a exigências dos nossos clientes na maioria das vezes é levar algum m****o como prova de que o serviço foi concluído, aonde que isso não é bom? Pelo menos eu e a Melissa adoramos, a melhor parte do nosso serviço é quando um cliente faz esse tipo de pedido.
--- Hum, ele conseguiu convencer você?
--- Nem um pouco.
Nós duas estávamos rindo deles, realmente eu pensei que o discurso seria melhor, aquilo foi uma bosta.
--- E você? Não vai dizer nada?
Eu apontei pro Thomas com a cabeça, até agora ele não tinha dito uma única palavra, talvez ele dissesse algo melhor se abrisse a boca.
--- Não tenho o que falar.
--- Nem mesmo vai tentar nos convencer?
--- Não tem como, vocês trabalham sozinhas desde o começo, sem seguir ordens, sem leis específicas, se vocês aceitassem trabalhar conosco, só se estivessem desesperadas por dinheiro, e não parece isso, devem ganhar muito bem, e parecem gostar do trabalho de vocês.
Sinceridade, eu valorizo isso mais que qualquer coisa, na moral, a pessoa ser sincera comigo ganha meu coração, e é a primeira vez que Thomas foi sincero comigo, pelo menos depois que ele voltou.
--- Seu amigo falou tudo, não podemos aceitar a proposta de vocês, mas por causa dele, podem chamar sempre que precisar, quem sabe se der vontade a gente não dá uma forcinha.
Entramos no carro, acelerei pra casa dos padrinhos, eu realmente não sabia que Thomas podia ser tão sincero assim, mas se ele é sincero, por que diabos escolheu mentir e me enganar por tanto tempo?
Não tinha como adivinhar, não se ele não me falasse a verdade, algo me dizia que ele não diria por tão cedo, mas que se f**a também, não vou ficar quebrando cabeça com isso, quem tá perdendo em não me contar a verdade é ele e não o contrário.
--- Alguém parece estar com raiva.
--- Não enche Melissa.
--- Cês nunca tiveram uma conversa franca, como vão entender um ao outro? Esquece isso por enquanto, nada vai mudar, a não ser que um de vocês dêem o primeiro passo para uma conversa.
Eu odiava essa menina, ela sempre tinha os melhores conselhos, e as palavras que saíam dos lábios dela eram verdadeiras, tão chata que me irrita, eu podia arrancar a língua dela isso sim.
As crianças brincavam na sala, já era tarde da noite e a energia desses queridinho estava nas alturas, não sei onde eles conseguiam reunir forças pra tanta brincadeira, eu não tenho nem metade disso, queria eu ser tão energética assim.
--- Nenéns, que tal um banho e depois cama?
--- Vamos dormir com a senhora tia?
--- Mais é claro.
Corremos para o quarto que eu tinha ali, o banho foi reduzido a mais brincadeiras e no final só sobrou a bagunça por que os dois apagaram, é claro que sobraria pra mim arrumar tudo aquilo final, eu que me fazia de b***a esperando que aparecesse alguém do além pra arrumar no meu lugar.
Me deitei depois de arrumar tudo e tomar um banho, suspirei fundo, mais uma vez estava com o Thomas na mente.
Não saia da minha cabeça que ele tinha sido tão sincero na minha frente, mas não foi comigo, convivemos tantos anos juntos, ele sempre dizia que eu era a pequena dele, não consigo entender o motivo das mentiras.
Caramba, será que tudo é mais importante que eu? Nem acredito nisso, mais uma vez joguei pra longe os pensamentos relacionados a ele, não valia a pena.
Eu tinha despertado muito cedo, tinha algumas contabilidades pra terminar até o final da semana e eu m*l tinha começado, nos últimos dias eu não tinha trabalhado, tava ocupada dando atenção para as crianças e não me arrependo disso, eles são mais importantes, eu priorizava dar atenção a eles já que os pais idiotas deles não faziam isso.
Só que agora eu tinha que correr atrás do prejuízo, tinha um prazo determinado para cada trabalho como aquele, e não era como se eu pudesse escolher quando entregar, eles quem estipulava isso.
As crianças despertaram, talvez por conta do barulho constante dos meus dedos tocando as teclas, deixei o computador de lado um pouquinho e fui conversar com eles, eu não queria que eles entendessem aquilo como se eu não quisesse mais brincar com eles ou dá atenção, então era melhor que eu explicasse de certo que ele me entenderiam.
--- Theo, brinquei muito com vocês essa semana certo?
--- Hunrum.
--- Então, nessa semana eu deixei o trabalho de lado e dei atenção a vocês, não me arrependo disso, faria de novo, só que agora, eu preciso concluir todo o meu trabalho, você me entende?
--- Tudo bem tia, a gente brinca com tio Bruno.
--- Cuida da sua irmã meu bem, desculpe não poder brincar com vocês hoje.
--- Tudo bem mamãe, podemos brincar quando a senhora acabar.
Não aguento esses dois, dei um beijo em cada um e eles foram procurar a Melissa pra cuidar deles, eu sabia que aqui eles seriam bem tratados, receberia atenção e brincar muito enquanto eu estivesse atolada em todo meu trabalho, por isso quis vim pra cá com eles, sabia que ali eles se sentiriam em casa, assim como eu me sentia.
Depois eu iria compensar os dois, e também a partir de agora eu não aceitaria tantos trabalhos, só queria dar toda a minha atenção aos meus bebês, mas também tinha que me sustentar, teria que aprender a conciliar o trabalho e a meu tempo com as crianças, pra minha sorte os dois entendiam o meu lado, conversar sempre resolvia a maioria dos problemas.
No fundo eu meio que sei que não posso me apegar tanto assim a eles, talvez um dia Estéfane mude ou algo assim, e eles sejam uma família feliz, mas meu coração não escutava meu raciocínio, eu só queria que ele tivessem o restante de suas infância felizes e que brincassem muito, como uma criança fazia, queria dar tanta atenção a eles pra que os dois não se lembrassem que tinham pais tão relaxados.
Talvez eu tivesse errada em fazer tudo isso por eles, mas eu queria continuar no erro, só eram duas crianças, e se eu podia fazer eles feliz, por que não?