Proposta.

2576 Words
Levi. Não tenho nada de tão interessante para contar sobre os últimos anos, então vou descartar a parte de retrospectiva na minha narração, minha vida é mais uma rotina, não tem nada que eu possa contar por aqui. Estava em casa no meu escritório, ser herdeiro de máfia não é nada fácil, tomar conta disso tudo, ter uma vida no crime, nada na vida é fácil, e pra quem escolhe estar no crime, a vida é menos fácil ainda. Como um bom comando que tenho em poucos anos consegui inimigos por toda parte, um grande feito meus amigos, não é qualquer um que consegue tanto assim, mas eu sou diferente, fui muito bem ensinado pelos meus pais. Em meio ao crime existem muitas alianças, e uma forma de firma-las na maioria das vezes é o casamento, muitos velhos já tentaram me juntar a alguma das filhas deles, mas nunca aceitei, só vou me casar uma vez, e com aquela deusa de cabelo loiro, ninguém além dela se casaria comigo. A deusa é a Melissa, nunca vi mulher tão linda quanto ela em toda minha vida, e vai ser com ela que irei me casar, só acho que vai demorar um pouco até que isso aconteça, tem muitos passos ainda a serem dados, e eu não dei nenhum ainda. O passo mais importante seria me declarar, só que como já dito anteriormente, sou frouxo, na verdade nem é isso, é só que, vai que eu levo um fora daquela mulher? Entro em depressão eterna, um tiro dói, e eu já experimentei, agora a rejeição tô fora em experimentar esse trem, e se vim dela pior ainda, não vou suportar mesmo. Na moral mesmo, eu até tentei no começo esquecer ela, mas depois desistir, ela habitou minha mente por completo, eu que me vire agora pra aguentar, como não tenho coragem o suficiente ainda pra me declarar só me resta ficar sentado e esperar uma boa oportunidade. O pai entrou no escritório, a minha sorte que de vez em quando eles davam uma forcinha, caso contrário eu tava era fudido, é muita coisa pra resolver sozinho, as vezes eu tinha dores de cabeça infernais por resolver tanta coisa. --- Resolvendo o que? --- Papelada, parece uma montanha sem fim esse c*****o. --- Passa metade aí garoto. Meu pai me chamava assim, não importava que idade eu tivesse, não iria me importar nunca em ser tratado assim por ele, era o meu pai, eu respeitava ele acima de tudo, nunca levantei a voz pra ele em toda minha vida, e se eu fizesse isso, bem capaz de ele arrancar meus dentes um por um com um alicate. --- Falou com a Melissa, ou ainda não tem coragem suficiente? --- O senhor sabe a resposta. --- É como a Kess disse, cê só vai dizer quando te derem um empurrão, e dos grandes, tá esperando o momento certo, mas é você quem faz o momento certo garoto. --- Não vou precisar disso pai, não dá corda pra Kess. --- Dou cordas e mais cordas por que concordo com ela, resolve logo isso, ou vai realmente perder a mulher que ama, já experimentei isso uma vez, e não é nada bom. O pai saiu, ele tinha resolvido metade da papelada, e tinha falado o que queria, na verdade acho que ele só veio aqui pra falar isso e não com intenção de me ajudar. Eu acho que ele odeia isso, esse negócio de perder um amor, principalmente por causa da mãe, ele quase perdeu ela uma vez por burrice dele, na cabeça dele ele só não quer que aconteça o mesmo comigo. Eu entendo e ouço os concelhos, mas não consigo colocar eles em prática, é mais difícil do que aparenta ser. Eu a Kess e a Mel fomos criados juntos, e não é por isso que eu tenho medo de dizer pra ela o que sinto, é que uma vez me lembro que Kess perguntou ela sobre o futuro, se desejava se casar, mas a resposta dela foi não, e ainda disse que não precisava de homem, vai que eu me declarava pra ela e sua resposta fosse essa? Quero nem imaginar. Isso nunca saiu da minha cabeça pô, mas também, e daí que ela não precisa de homem nenhum? Eu preciso dela c****e e ela tinha que entender isso mas ela não entende, mulher é um negócio complicado, e eu ainda era mais complicado que ela, na minha mente ela tinha que entender que preciso dela, mas eu ainda não tinha dito que precisava dela, o mais louco era eu. Parei com a caneta e empilhei a papelada num canto, deu por hoje, agora eu entendo completamente por que a Kess não quis assumir com o Thomas, problemas demais pra uma pessoa só, duas pessoas ajuda mas mesmo assim, os problemas nunca param. Fui tomar um bom banho, depois passaria em algum bar, beber um pouco pra espairecer a mente sempre funcionava, na maioria das vezes eu estava sempre espairecendo a mente. Meus parceiros de bar era o Thomas, e Leonardo, o único ali que não bebia por causa do amor era Leonardo, sorte a dele, mas isso não queria dizer que ele não sofria, já que tinha que aturar a gente. O Leonardo era um dos parceiros nos negócios, ajudava muito a gente também e vice versa, a gente conheceu ele em um jantar de negócios, quando ele salvou eu e Thomas de um atentado, a partir daí a aliança foi formada, na verdade eu nem sei muito sobre ele, e também nunca fiz tanta questão de saber, mas sobre nossa vida, ele sabe quase tudo. Oliver nunca aparecia quando Leonardo estava, os dois não se gostavam, mas o problema era Oliver, ele teimava em dizer que Leonardo não era próximo a gente por coisa boa, e sempre acontecia briga quando o assunto era Leonardo, por esse motivo, eu Thomas e Oliver, não falamos dele, evitar confusão. Na verdade eu não achava que Leonardo era duas caras como Oliver ditava ser, achava ele um cara da hora, e que não tava do nosso lado pelo que a gente era ou tinha, ele estava por que queria e era isso que fez nossa aliança ficar forte. Cheguei no bar e os dois já me esperavam com seus copos de bebidas na mão. --- Nem me esperaram? --- Demorou meu amigo. --- Faça das palavras de Leonardo as minhas. Thomas estava com uma carranca, com certeza o problema dele da vez se chamava Késsia, nem mesmo fiz questão de perguntar por que eu já sabia, seu rosto só assumiria a expressão de felicidade quando realmente se resolvesse com ela. Pedi minha bebida e ficamos ali bebendo, cada um com seus pensamentos, sem dizer nada, nenhum estava bêbado ainda, e na verdade ninguém de nós três tentava beber até cair, era só pra colocar os pensamentos em ordem, não sei com eles, mas comigo funcionava. --- Cês conhecem aquelas anjos mascaradas? Eu já tinha ouvido muita gente falar esse nome, elas eram tão famosas que qualquer um que ouvisse tremia, talvez as duas fizessem o trabalho muito bem, eu e Thomas presenciamos uma vez e te falar, duas psicopatas total, nunca vi alguém tão maluco quanto elas, quem arranca o braço de uma pessoa e fica balançando? Vai que a pessoa volta dos mortos pra atormentar? Confiar não é bom né, se bem, que acho que elas já são atormentadas. --- O que tem elas? --- Não disseram que precisavam de alguém para trabalhar com vocês? Façam a proposta ué. --- Elas trabalham sozinhas a muito tempo Leonardo, talvez por que não queiram trabalhar com terceiros. --- Ou talvez elas não tenham encontrado os terceiros certos ainda Thomas. Thomas e eu tínhamos dois pontos importantíssimos, um desses dois poderia ser, não custava nada tentar né? Na verdade elas não fariam muita coisa, as vezes só ajudar em matar alguns traidores, ou os que se achavam bom tentando nos derrubar, não era nada demais, elas só fariam o que já fazem, e talvez recebessem até mais conosco. --- Tentar não custa também, cês tão precisando, e as duas são boas, como as mães de vocês. Nós não sabíamos quase nada da vida de Leonardo, mas em compensação ele sabia de tudo sobre nós, acho que até mesmo os detalhes da nossa história ele conhecia, a gente contou em momentos de bebedeira como essa, fazer o que, efeito da bebida pessoal, mas em outros foi sem a bebida, não vou jogar toda a culpa na bebedeira. --- Marca você Levi, e no dia do encontro acompanho você. --- Tudo certo então. Depois de bebermos mais um gole juntos, cada um foi pra sua casa, a noite pelo menos tinha válido a pena, as idéias de Leonardo sempre eram boas, mas essa era um pouco duvidosa, elas poderiam não aceitar a nossa proposta, mas algo me dizia que elas aceitariam. A minha mãe ainda estava acordada, decidi ir falar com ela, era sempre ela que conseguia o número das pessoas que estavam envolvidas no crime, talvez ela conseguisse os delas. --- Oi mãe. --- Oi meu amor. --- A senhora pode consegui uma coisa pra mim? --- Depende do que seja. --- O número daquelas assassinas de aluguel. --- Por que quer o número delas? Minha mãe sabia tão rapidamente assim quem era sem nem perguntar? Acho que ela já esperava que eu um dia perguntasse isso. --- Leonardo deu a idéia da gente chamar elas para trabalhar conosco, não custa tentar. --- Tudo bem. Ela pegou um papel e anotou o número, me entregando logo em seguida. --- Tenta aí, se elas aceitarem, eu trabalho pra você também. --- Tá tão confiante assim que elas não vão aceitar mãe? Olha que eu tenho o meu chame pra fazer com que elas aceitem. --- Torcendo por você. Subi pro meu quarto depois de dar boa noite pra ela, deixaria pra fazer a ligação amanhã, já era tarde e eu também precisava dormir. Meu cansaço era sem comparação, passar o dia sentado revisando papéis, assinando papéis, e tudo mais, se não tivesse sido eu a ter feito essa escolha já teria desistido. Meus pais não me incentivaram a fazer essa escolha, eles nunca interferiram nisso, é verdade que eles me explicaram, falaram como era, dos problemas, da quantidade de inimigos, a escolha eu fiz por mim mesmo, por que quis e tinha vontade, e a real não me arrependo, nem um pouco. Todo mundo tá ciente que a vida do crime é incerta, a chance de morte pra quem tá nesse mundo triplica comparada a vida de uma pessoa normal, e foi por isso que no começo tive medo, mas depois de ouvir as histórias do meu pai e da minha mãe das aventuras e adrenalina desse mundo, quis fazer parte também, não foi por necessidade, só foi pela adrenalina mesmo. Cada um com seus gostos e loucuras, ninguém pode julgar ninguém, e ditar o que é certo ou errado não é direito nosso, a vida fica mais fácil se cada um só respeitar e aceitar sem muita enrolação, por isso existia tantos problemas no mundo, muitas pessoas ainda não conseguiam respeita toda diferença. As únicas duas da família que não quiseram a vida do crime foi a Késsia e Melissa, apesar de estarem basicamente ligada e ajudando de vez em quando, elas não estão tão ligadas ao crime assim, é até melhor assim, não ia gostar de ver minha diaba de cabelo loiro com inimigos por toda parte não, e na verdade ela teria se casasse comigo, eu era muito b***a mesmo. Minha mente só tinha um parte tranquila por causa disso, ela não ter escolhido o crime foi a melhor coisa que ela pôde fazer, mas aí se eu me casasse com ela daria no mesmo, ela estaria na vida do crime, não sei se vocês perceberam, mas as vezes eu sou uma b***a mesmo, é cada burrice que eu falo ou penso, que fico até racionando as vezes que besteira que eu disse. É melhor eu ir dormir, ficar pensando nessas maluquice a noite toda vai me fazer cair amanhã, e é de sono. Eu sou preguiçoso por natureza, por isso minha rotina só começa às oito da manhã, a minha mãe sempre faz questão de lembrar que quando era ela que estava no comando, ela acordava às cinco ou antes disso, mas, como eu não sou ela, começo no horário que achar melhor, o importante era que eu acordava. Quando eu desci para o café da manhã Thomas já estava ali, madrugou certeza. --- Kess te expulsou? --- Cuide da sua vida Levi. --- Pra sua sorte eu cuido da minha e ainda sobra um tempinho pra xeretar a sua. --- Sem brigas meninos. O café da manhã foi na santa paz, mas por que minha mãe estava à mesa, se não toda aquela tranquilidade não seria possível. Depois do café da manhã Thomas me seguiu para o escritório, era a hora de fazer a ligação, iríamos somente marcar um encontro, não era a melhor opção falar sobre algo tão importante por telefone. Para que o telefone do outro lado fosse atendido precisei ligar quatro vezes, somente na quinta vez, fui atendido. -------- --- A quem devo a honra? --- Levi. A mulher do outro lado demorou a responder alguma coisa, na verdade eu nem sei se era realmente uma mulher, a voz estava modificada, não tinha como saber, mas como as duas assassinas eram mulheres, pensei que quem atenderia o telefone seria uma das duas. --- Quem quer que a gente mate? --- Ninguém, liguei pra falar de outro assunto. --- Desculpe senhor, mas até agora só trabalhamos no ramo de matar pessoas. --- Sei disso, só preciso que se encontre conosco, as duas, tenho uma boa proposta. --- Conosco é mais de uma pessoa, quem é o outro? --- Thomas, um bom amigo, só aceite nos encontrar, falaremos com mais paciência. Thomas só estava observando o desenrolar da conversa, e a pessoa do outro lado ficou um bom tempo sem responder, de certo que estava se decidindo se aceitava ku não. --- Mande o endereço, se decidimos ir, aparecemos lá. -------- Desligaram sem esperar minha resposta, muita falta de educação, poderiam ao menos ter esperado eu responder algo. --- O mais difícil já foi. --- As vezes acho que falta um pedaço do seu cérebro. Conseguir que elas nos encontre, é muito fácil, difícil vai ser convencer as duas, acho bom ter uma carta na manga, e das boas Levi, na sua cabeça é fácil, mas não tem como adivinhar. --- Nem precisa, meu charme vai fazer elas aceitarem. --- Se o seu charme fosse tão bom assim já estaria casado com Melissa. Minha resposta foi mostrar o dedo do meio pra ele. Thomas foi embora depois de combinarmos o lugar, seria hoje a noite, com certeza elas aceitariam e já começavam amanhã, daria tudo certo, eu sei que eu sou convencido, mas sou bom em fazer propostas, as alianças das duas máfias era sempre eu quem as fazia. Agora era só esperar que a noite chegasse, amanhã estaríamos com duas mulheres na máfia, ainda melhor eram assassinas, eu realmente tinha uma boa lábia, elas não iriam resistir ao meu charme, com certeza iriam aceitar de primeira, não tinha nenhuma dúvida. "Quanto mais alto o sonho maior a queda".
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