Finalmente Livre.

2084 Words
Thomas. Ela saiu para dentro de casa e eu fiquei aqui fora como um i****a, acho que lá no fundo eu já sabia que ela teria uma reação assim, Késsia é mulher demais pra aceitar um homem covarde como eu. Eu poderia ter ido atrás dela, mas não vou fazer isso, pelo menos não ainda, vou resolver minha vida primeiro, pra depois ir atrás dela, e ai sim correr atrás do perdão, não vai ser fácil, nem mesmo sei se ela vai me aceitar realmente, mas dessa vez não vou correr, assim que tudo estiver resolvido, irei atrás dela. Hoje eu não ia dizer tudo, eu não diria que amava ela, e que percebi isso quando estava em treinamento, mas quando eu cheguei no jardim e olhei pra ela, eu não consegui evitar de contar tudo, era a Késsia ali, a garota que eu amei, mas que nunca fiz nada de bom pra ela, que nunca me declarei a ela, eu nunca a esperei, o amor que eu sentia parecia vazio demais, eu precisava antes aprender, saber como deveria ama-la realmente, eu passei anos fugindo disso como um covarde, mas dessa vez, eu faria Késsia sentir todo o amor que tenho por ela. Fiz uma ligação para Oliver, ele além de ser um bom soldado, também era o advogado das duas organizações, ele se interessou por advocacia quando saiu do treinamento, de qualquer forma era útil. ----------------------- --- Ligando uma hora dessa, eu espero que o mundo esteja acabando ou você esteja morrendo. --- Tenho muita vida pela frente ainda, preciso que faça algo. --- O que? --- Organizar a papelada do divórcio. Ouvi pelo telefone Oliver pular da cama, o barulho da queda dele foi estrondoso, o celular pareceu voar bem longe. --- Eu ouvi direito? Você vai se divorciar daquela sanguessuga? --- Os papéis estão prontos amanhã? --- Claro, faço questão de passar a noite toda trabalhando nisso. Depois que saímos do treinamento, Oliver e eu ficamos amigos, ele foi o primeiro a saber sobre o que eu sentia pela Késsia, e quando eu conheci Estéfane, ele me avisou pra ficar longe, mas não ouvi e deu no que deu, não existia uma pessoa no mundo que torcesse mais pro meu divórcio que ele. --- Então passe aqui amanhã. --- Vou até mesmo levar minha melhores canetas, não posso correr o risco da sua falhar. --- Boa noite Oliver. --- Boa noite chefe. ---------------------- Oliver era duas caras, só me chamava de chefe quando eu fazia algo muito bom, diz ele que somos íntimos demais pra falar um com o outro como chefe e soldado. Entrei em casa, Estéfane não estava, na certa só voltaria no dia seguinte, era até raridade que ela passe uma noite sem sair de casa, talvez ela estivesse me traindo ou alguma coisa do tipo, mas nada disso me interessava. Tudo que eu queria agora era me ver livre dela, e no começo, pensei em fazer isso pela Késsia, mas não podia, se eu fizesse por ela, tenho certeza que ela ficaria ainda mais chateada comigo, eu deveria fazer por mim, e agora realmente eu estava fazendo isso por mim, por que não a amava, por que não a queria mais perto de mim, pelo menos dessa vez, eu teria coragem para fazer o que meu coração mandava. Eu dormi muito pouco, fiquei pensando na Késsia a noite toda, e no fim acabou que o dia amanheceu e eu quase não preguei o olho. Estava no banheiro escovando os dentes quando recebo uma ligação da mãe, fazia tempo que não conversava com ela, além de péssimo pai tinha me tornado péssimo filho também. ------------------ --- Oi mãe, como a senhora está? --- Olha, lembrou que sou sua mãe agora moleque? O que tava fazendo da vida que não ligou pra sua mãe desde que eu saí em viagem? Mudei pra chamada de vídeo, queria ver como minha querida mãe estava. --- Desculpa mãe, eu sei que sou um péssimo filho. --- Ótimo, ao menos está ciente disso. --- Quando voltam, preciso falar algo a vocês. --- Iremos no próximo mês, quero olhar para o rosto da sua mulher e dá uma boa surra nela, quem sabe até colocar ela em estado vegetativo. --- Quando a senhora chegar ela já vai ser minha ex mulher mãe. --- Não brinca? Meu filho finalmente reagiu? --- Sim mãe, já falei com Oliver para preparar tudo, em poucas horas seu filho não estará mais casado. --- Meu coração até se alegrou, faremos uma comemoração em família daqui um mês. --- E uma grande mãe. --- Tenho que ir, lembre-se de ligar pra sua mãe Thomas, vou falar com a Késsia pra arrancar sua língua. --- A Késsia nem mesmo teria coragem pra isso mãe. --- Você que pensa querido. --------------------- Ela desligou sem dizer tchau e no fim das contas era que eu um péssimo filho. Vesti meu terno e fui ao quarto da Késsia, sabia que as crianças estariam dormindo com ela, a mesma ainda dormia, e os dois falavam baixinho pra não acordar ela, eram duas crianças bem mais atenciosa que eu. --- Que tal um café da manhã bem gostoso? Falei sussurrando também por que não queria acordar ela, os dois desceram devagar, com o dedo na boca sinalizando pra mim fazer silêncio, e eu segui os dois na ponta dos pés. Eu não era um chefe de cozinha, mas ao menos sabia me virar muito bem, tinha aprendido a fazer o café da manhã das crianças, e isso já estava ótimo, não era tão r**m, eles conseguiam comer tranquilamente. Fiz algo pra mim também, hoje iria trabalhar no escritório pelo menos até a hora do almoço, ontem não tinha feito nada no trabalho e com certeza já tinha muita coisa acumulada, se eu adiasse chegaria o momento que não daria mais conta. --- O papai vai trabalhar até a hora do almoço, podem guarda toda suas energias para a tarde filhos? --- Claro papai, ai a tia vai poder brincar junto também. A Késsia ia chegando na cozinha, ela deu um beijo nas crianças e me cumprimentou com um bom dia simples, tive a certeza que era só para dar exemplo as crianças. --- Tudo bem pra você trabalhar a tarde Késsia? Eu trabalho pela manhã e você cuida deles pra mim, e a tarde e noite eu cuido deles. --- Tanto faz, o meu trabalho tem um prazo longo ainda. Concordei com a cabeça, mesmo que ela não tivesse trabalho, eu não podia jogar toda a responsabilidade dos cuidados dos filhos que eram meus pra cima dela, ela já me ajudou bastante cuidando deles todo esse tempo, eu também tinha que me responsabilizar agora. --- Quando a Estéfane chegar, pode avisar ela pra ir ao meu escritório? --- Tá. Dei um beijos nas crianças e fui pra o escritório, e como imaginado tinha muita coisa pra fazer, mas correr daquilo nem era um opção. Não ter um braço direito era r**m, eu poderia ficar livre de quase metade do trabalho se tivesse um braço direito, na verdade de começo eu iria colocar Oliver nessa posição, mas o problema era que Levi também precisava dele assim como eu, então por enquanto eu só poderia continuar fazendo o meu trabalho, enquanto esperava Levi arrumar alguém de confiança. Uma pessoa para ser o segundo no comando devia ser de extrema confiança para o primeiro chefe, tanto eu quanto Levi não podíamos de modo algum colocar alguém ali só por que precisamos com urgência, devia ser alguém que estivesse a altura do cargo, e eu não falava em questão de poder, e sim em questão de responsabilidade. Oliver apareceu ali, feliz e assobiava, parecia até mesmo um pássaro, talvez ele tenha engolido um logo pela manhã. --- Ai, hoje me sinto especialmente feliz, parece que vivi toda minha vida esperando esse grande momento. --- Tanto drama, até parece que quer ser o segundo a se casar comigo. --- Eu faria isso se assim desejasse chefe. --- Obrigado, já tenho alguém pra o meu segundo casamento. --- Dessa vez eu tenho que confirmar se é um bom casamento ou não, você só se casa se receber minha benção. --- Vá procurar o que fazer Oliver, é melhor que ficar falando besteira. Ele iria ficar sentado me olhando trabalhar mas eu não deixei, coloquei ele pra fazer alguma coisa também, assim eu poderia terminar mais cedo o que tinha de fazer. Oliver sempre foi brincalhão, o jeito dele é assim, mas quando eu ou Levi precisamos é ele que sempre está lá, é por isso e muito mais que será meu braço direito quando Levi consegui encontrar alguém, o jeito que ele trabalha e é sempre responsável pelo que faz, me leva a tomar essa decisão. Quando estava no treinamento, nós dois protegiam um ao outro, naquele lugar só sobrevivia quem tinha alguém, se não tivesse um amigo ou aliado ali dentro, as coisas ia de m*l a pior, o objetivo ali era torna alguém mais forte, só que uma pessoa que saísse dali sem alma, destroçar as almas de quem passava por ali, era como um inferno, existia o demônio que fazia de tudo para arrancar qualquer tipo de humanidade que existisse. Eu e Oliver tivemos sorte, parte dos garotos que entraram conosco, saíram sem alma sem coração, somente com as cicatrizes do sofrimento que viveram naquele lugar. Um tempo depois a porta foi aberta, só devia ser a Estéfane pra entrar assim sem nem bater antes, educação não era o negócio dela, eu estava ciente disso a muito tempo. --- Me chamou amorzinho? --- Chamei, entregue a ela Oliver. Oliver entregou os papéis nas mãos dela, a mesma leu e quando viu do que se tratava não gostou nadinha. --- Como assim divórcio Thomas? Acha mesmo que vou aceitar isso? --- Estou dando a opção de fazer tudo pacificamente, podemos resolver isso de outra maneira se assim desejar, mas afirmo que não será um método nada bom. --- Eu não vou me divorciar, são seis anos de casamento e você quer jogar tudo fora. Minha raiva subiu, esmurrei a mesa e ela tremeu, ela sabia do que eu era capaz. --- Seis anos de casamento uma p***a, eu passei seis anos aturando você, é a p***a de uma sanguessuga que não faz nada, não existe nenhum sentimento das duas partes, esse é mesmo um casamento ou só um caixa pra você c*****o? --- Eu mudo benzinho, eu juro, agora eu posso mudar. --- Assina o c*****o do divórcio, eu ainda tô sendo bonzinho demais com você. --- Tá bom, posso até assinar, mas meus filhos não ficam aqui. Eu soltei uma gargalhada alta, aquilo realmente era hilário, ela fugiu durante seis anos das obrigações de mãe, tinha jogado as crianças a mais de um mês aos cuidados da Késsia pra não ter que dar atenção a eles, e agora eles eram filhos dela? Não estendi. --- Você pode tentar, mas não vai sair viva, tô sendo bom em te deixar sair sem fazer nada, mas se mexer com meus filhos, vai perder a sua cabeça, consegue viver sem ela? A mesma engoliu em seco, eu realmente estava sendo bondoso, deixar ela sair assim sem fazer nada estava indo além da minha bondade, mas mexer com meus filhos seria demais, se ela ao menos ousasse pensar em fazer isso, não a deixaria escapar tão facilmente. Ela assinou os papéis na força do ódio, a raiva dela era visível, uma pena que ela não podia extravasar, tinha se passado os dias que eu deixava ela fazer o que quisesse, e só assistindo a tudo quietinho, o gostinho de finalmente me sentir livre daquela mulher era sem comparação. --- Não volte mais aqui, e nem na minha casa novamente, leve apenas suas roupas, jóias e todo o resto deixe aqui --- Tá maluco? Eu não tenho dinheiro, como vou sobreviver lá fora. --- Usa o resto do cérebro que tem, se é que você ainda tem um. A porta bateu e eu me encostei na cadeira com meu melhor sorriso no rosto, nunca tinha me sentido tão feliz durante toda minha vida, eu estava radiante. --- Parece que não é só eu que estou tão feliz com esse divórcio. Oliver falava demais, só que nesse momento nada poderia estragar minha felicidade, tudo estava acabado, eu não seria mais obrigado a ter que olhar para aquela mulher novamente, nem mesmo aturar mais seus chiliques.
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