Capítulo 15 – Julia narrando
Julia, tem uma moça na recepção querendo falar com você — disse Maiara.
Comigo? Quem é? — perguntei, surpresa.
Pode me dizer o nome da pessoa? — Maiara conferiu no celular. — Ah… é a Maria Luiza.
Já desço — respondi, pedindo que ela avisasse pelo telefone.
Posso ir? — Pedrinho perguntou, ansioso.
Termina de se arrumar e aí você me encontra lá embaixo com a tia — disse, dando um beijo na testa dele. — Depois vamos para a Rocinha, para você ficar um pouco mais com seu pai antes de irmos embora.
Tá bom! — respondeu animado.
Desci até a recepção, mas quando cheguei lá não era Maria Luiza quem me esperava… era Rosa.
Não entendi porque você mentiu sobre o nome — falei, aproximando-me dela.
Porque você não iria descer para falar comigo — ela respondeu, com um sorriso calculado.
Por que não? Você nem me conhece — repliquei, calma. — Não fujo das minhas responsabilidades.
Vim pedir uma coisa para você — disse ela, direta.
O que seria? — perguntei, curiosa.
Quanto você quer para ir embora da vida do Ph junto com seu filho? — Rosa me encarou, séria. — Eu pago o que você quiser para você pegar o primeiro avião e sumir.
Eu não vou fazer isso — respondi firme. — Minha passagem está marcada para daqui alguns dias. Até lá, meu filho vai conviver com o pai dele, você querendo ou não.
Por que voltou? — ela perguntou, irritada. — Para estragar a minha vida? Ph é meu, está noivo comigo, me pediu em casamento e vamos ter um filho. Ele nem lembrava mais de você.
Entendo que você se sinta ameaçada com a minha presença — falei. — Mas também não tenho culpa de nada, assim como você. Estamos na mesma situação. Eu jamais me colocaria no meio de um casal; só quero que meu filho conviva com o pai e saiba que ele está vivo.
Você é muito falsa — ela retrucou. — Diz que não quer nada com Ph, mas por que então voltou?
Porque tenho um filho com ele, de dois anos — respondi. — Isso você não pode mudar, Rosa. Estou tentando ser educada, entendendo a sua situação, mas não tente me ofender ou afastar meu filho do pai dele.
Dizer que quer que o menino conviva com Ph é apenas uma desculpa para ficar perto dele — ela disse, desafiadora. — Mas você não vai tirar ele de mim, nem você nem aquele seu filho.
Aquele meu filho tem nome, Pedro Henrique — falei firme. — Ele é filho do seu noivo. Você vai aceitá-lo, tratá-lo bem e não vai afastar o pai dele. Sabe por quê? Porque eu não vou deixar.
Ph me ama — ela falou, olhando para mim. — Olha para você e olha para mim… você é uma garota, e eu sou uma mulher.
Bom, se você é realmente uma mulher, não deveria se sentir tão insegura assim — eu arqueei a sobrancelha. — Estaria na sua casa com seu noivo, e não aqui discutindo comigo.
Você não vai tirar ele de mim, nem seu filho — ela repetiu, me encarando. — Fica longe dele. É um aviso.
Está me ameaçando? — perguntei.
É só um aviso — disse ela, se afastando, e eu abri um sorriso.
Mamãe — Pedrinho chamou, correndo para mim.
Vamos, meu amor — peguei sua mão.
Cadê a Malu? — perguntou Maiara.
Não era Malu, era a Rosa — expliquei. — Acredita que ela veio me ameaçar para ficar longe do Ph e eu ir embora para os Estados Unidos?
Meu Deus — Maiara disse, surpresa. — E agora?
Vamos para Rocinha — falei, decidida. — Vai ter que me engolir, eu e meu filho. Essa i****a.
Chamamos um táxi, mas ele não quis subir até o morro, nos deixando no meio do caminho. Quando chegamos na casa de Malu, Rosa estava sentada em um canto, comendo, e arregalou os olhos ao nos ver.
Pai! — Pedrinho correu até Ph.
Você veio — Malu falou, me abraçando.
Oi — disse Joana, curiosa. — Você é minha tia?
Sou sim, meu amor — respondi.
Fiquei triste ao pensar na morte do Perigo. Eu sabia de tudo que ele fez contra Malu, mas me contaram que ele morreu tentando salvá-la e à filha dela. Perigo era muito amigo da minha mãe e me queria bem.
Você acredita que a Rosa foi ao hotel dizendo que era você para me mandar embora? — perguntei a Malu.
Acredito — ela respondeu. — Essa mulher é terrível. Tentou dar o golpe no Ph, passou pelo Rd e não conseguiu. Agora tentou com ele… — Malu encarou Rosa. —
Se ela acha que vai fazer m*l ao meu filho, eu mato ela — pensei, furiosa.
Você volta quando? — Malu perguntou.
Domingo — respondi.
Não volta, Julia — disse ela, séria. — O seu lugar é aqui.
Tenho uma clínica lá, uma vida… não posso largar tudo — respondi.
O que sente quando está aqui no morro? — perguntou Malu. — Alegria, não é? Pedrinho precisa conviver com o pai também. Você está sozinha lá.
Amo esse lugar — falei. — Jamais imaginei que sentiria tanta falta até voltar.
Então por que ir embora? — ela perguntou.
Olhei para Maiara, procurando apoio.
Alguém viu Maiara? — perguntei.
Não sei — Rd respondeu.
Não muda de assunto — Malu retrucou.
Como vou ficar? Ph está com ela — falei.
Você precisa ficar por causa dele? — Malu questionou. — Fique pelo seu filho, por mim, pela sua família. Sinto sua falta. Rosa não vale nada, logo Ph vai abrir os olhos. Você não precisa dele para ser feliz. Tudo que você é lá nos Estados Unidos, pode ser aqui também.