Capítulo 17
Rosa narrando
Aproveitei que todos estavam no churrasco da casa do Rd para ir à delegacia atrás de Roberto, amigo de Kaio que havia assumido o lugar dele. Fiquei do lado de fora, dentro de um táxi, observando enquanto ele entrava no carro.
Segue aquele carro — disse ao taxista, que começou a segui-lo.
Pedi a Julia que fosse embora e ficasse longe de Ph. Tentei avisá-la das consequências, mas ela foi até o morro da Rocinha mesmo assim. Agora eu precisava encontrar Kaio e avisá-lo que Julia estava ali; duvidava que ele não voltaria. Eu faria um acordo: ele tirava Julia do meu caminho, e eu dava a ele o que quisesse, mantendo Ph vivo seria suficiente.
Roberto entrou em uma casa e depois seguiu seu caminho. Passei batom vermelho, ajeitei meu decote e levantei um pouco o vestido. Caminhei até a porta da enorme mansão, apertei a campainha e esperei.
Boa noite — disse uma moça ruiva ao abrir a porta. — Como posso ajudar?
Estou procurando o delegado Roberto — falei. — Ele está? É um assunto de interesse dele.
Meu pai? — ela riu. — Ele não é meu pai, é meu marido.
Mas você é muito jovem — perguntei. — Quantos anos tem?
17 — respondeu, me encarando.
Pode chamar ele, por favor? — pedi.
Ele está no banho — ela disse. — Espere aqui que vou avisá-lo. Como é seu nome?
Rosa, do morro da Rocinha — falei.
Marcela — ela respondeu e fechou a porta.
Esperei alguns minutos até que a porta se abriu novamente.
Ele mandou você entrar e ir até o escritório dele — disse Marcela.
A casa era enorme, luxuosa e impecável. Entrei no escritório e a porta foi fechada atrás de mim.
Roberto estava lá. Ele parecia muito mais velho do que eu lembrava, pelo menos uns 30 anos mais velho que Marcela.
Rosa do morro da Rocinha — ele disse. — Achei que você estava morta, x9.
Pelo contrário — sorri. — Estou grávida do sub do morro da Rocinha. Uma grande reviravolta, não é?
Uau — disse ele. — Por que não fugiu de lá?
Preciso falar com Kaio, e você é a única pessoa que pode me levar até ele — falei.
Kaio está fora do país — respondeu.
Eu preciso falar com ele, é urgente — insisti.
Pode falar comigo — ele disse, se aproximando. — Estou no lugar dele. Como posso ajudar?
Só ele pode me ajudar — falei firme. — Preciso avisá-lo que a irmã dele, Julia, está de volta no morro do Alemão, junto da sobrinha dele, Maiara, filha da Marisa.
Que merda você está falando? — ele perguntou surpreso.
É isso mesmo — respondi. — Posso dar qualquer coisa para tirarem elas de lá e me deixarem em paz com Ph.
Eu posso ajudar — disse ele, aproximando-se e deslizando as mãos pelo meu corpo.
Julia narrando
O que tem nessa bebida? — perguntei, tonta.
Bn deve ter colocado algo — disse Malu. — Ele faz isso direto.
Estou passando m*l — falei, entrando para dentro da casa. Maiara me seguiu.
O que está sentindo? — perguntou.
Tonta — respondi, e ela começou a rir.
Dei para o Bn na lavanderia deles — ela confessou.
Você fez o quê? — perguntei, incrédula. — Está louca, Maiara?
Me deixa ser feliz — ela riu. — Daqui alguns dias vou embora e nunca mais vou ver a cara dele.
Mas ele é bandido, você disse que não queria se envolver com um — falei, ainda tonta.
Mas ele é gostoso — respondeu, sorrindo. — Muito gostoso, e transa muito bem. Isso só na primeira vez, em cima do tanque.
Você é louca — eu disse, tentando me equilibrar.
Ele me pegou assim — ela disse, puxando meus cabelos por trás.
Está me machucando! — reclamei, tentando tirar as mãos dela.
E aí ele me beijava e forçava minha cabeça — ela continuou. — Eu quero de novo, Julia, quero.
Ph parou no momento.
Ah… — disse, surpreso, vendo Maiara segurando meu rosto e aproximando a cabeça da minha mãe.
O que é isso? — perguntou.
Eu e Maiara nos encaramos e começamos a rir.
É que… — começou Maiara.
Eu e ela somos um casal — falei sem pensar. — É isso, na verdade, quando voltei, disse que tinha um filho, mas a verdade é que eu e Maiara somos um casal desde que nos conhecemos.
Somos — completou Maiara, sorrindo. — Um casal de mulheres apaixonadas, sempre juntos, fazendo nossas xavecas à noite.
Não precisa dar detalhes — disse, rindo.
Vocês estão de s*******m comigo, né? — Ph perguntou, incrédulo. — Julia, você bebeu?
Bebi… não sei o quê, mas bebi — respondi.
Mas não é mentira — disse Maiara, rindo. — Você acha que eu não posso pegar Julia? Posso sim, e melhor que você — disse, provocando.
É isso — finalizei, olhando para Ph. — Você foi trocado por uma mulher.
Saí, mas ouvi Maiara provocando:
Os meus dedos valem mais do que você tem no meio das suas pernas — ela gargalhou, vindo em minha direção.