Rafaella Narrando... É sufocante estar perto do Douglas de novo. Eu achei que, com o tempo, ele teria mudado, que a vida teria ensinado alguma coisa, mas não. Continua o mesmo ignorante de sempre, arrogante até o último fio de cabelo. Ele fala como se a voz dele fosse lei, como se o mundo inteiro tivesse a obrigação de se curvar diante das ordens dele. E o pior é que ele realmente acredita nisso. Agora ele me deixou em casa e foi embora. Entrei devagar, ouvindo o som insistente da panela de pressão. A cozinha estava quente, o ar com cheiro de cebola dourando e tempero forte, meu pai, de costas, mexia algo na panela com a colher de paü. — Oi, paizinho ____ soltei, tentando que a voz soasse leve. Sorriso automático. Ele virou o rosto e o sorriso dele veio mais devagar, cheio de cuidado.

