Rafaella Narrando... Assim que o mosquito me deixou na frente da casa dos meus pais, senti meu coração disparar. O portão, o cheiro familiar da rua, até o barulho dos cachorros latindo em alguma casa vizinha me trouxeram uma onda de lembranças tão fortes que meus olhos já marejaram antes mesmo de eu entrar, me fazendo até esquecer do que aconteceu na boca com o Terror. Respirei fundo, tentando me recompor, mas a verdade é que eu tava tremendo por dentro. Fazia cinco anos. Cinco anos sem cruzar aquela porta. Cinco anos sem sentir o abraço deles de verdade, sem ouvir o tom de voz ao vivo, sem o cheiro da casa misturado com café passado na hora. Empurrei o portão devagar e segui até a sala. A primeira pessoa que meus olhos encontraram foi meu pai. — Pai… ____ minha voz saiu fraca, falha,

