Capítulo 1

504 Words
Capítulo 1 Giovana narrando Pego os bombons que estão em cima da minha mesa e jogo um na direção de Lucas. Ele pega no ar e sorri. — Valeu, doutora. Bate na minha mão antes de abrir a embalagem. Trabalho na penitenciária há alguns meses e, de vez em quando, trago alguns doces para os internos que passam pela enfermaria. Tudo comprado com o meu dinheiro, porque, obviamente, o governo não vai gastar um centavo para adoçar a vida de quem está preso. Talvez eu seja trouxa. Ou talvez só seja viciada em chocolate e tenha facilidade para sentir pena dos outros. Se eu gosto de um bombom depois de um dia r**m, por que eles não gostariam? Claro que existe um critério. O senhor Arnaldo, que vive secando minha b***a toda vez que passa pela enfermaria, nunca ganhou nem um chiclete. Os m*l-educados também não. E muito menos Souza. Na última vez que resolvi ser simpática, ele comeu o bombom, amassou a embalagem e jogou na minha cara. Desde então, risquei o nome dele da lista de beneficiados. Cruzo os braços enquanto observo Lucas. — Essa é a quarta vez que eu te costuro só essa semana. Ele faz uma careta. — Você fala como se a culpa fosse minha. — E não é? — Claro que não. — Lucas... — Você não pode me culpar porque resolveram me esfaquear. Seguro a risada. — Talvez parassem de tentar te matar se você deixasse de provocar todo mundo. Ele abre outro sorriso. — Eu só falei que ia comer a mãe do cara. Balanço a cabeça. — Você falou isso para um homicida. — Os caras não sabem brincar. Eu seria um padrasto excelente. Dou uma gargalhada. — Você tem um talento impressionante para arrumar confusão. — É um dom. — É um problema psicológico. Antes que ele responda, a porta da enfermaria se abre. Um dos agentes entra acompanhado de outro detento. Assim que bato os olhos nele, meu bom humor desaparece. Ah, não... Maldito Souza. — O que aconteceu? — pergunto, caminhando na direção dele. Levanto a mão para examinar o ferimento no abdômen, mas ele dá um passo para trás. — O que tu tá fazendo aqui? A cara fechada dele faria qualquer pessoa recuar. Menos eu. Cruzo os braços. — Pegando um bronze. O agente me lança um olhar de reprovação. Forço um sorriso. — Desculpa. Volto a encarar Souza. — Estou cobrindo a outra enfermeira. Ele precisou faltar hoje. Mentira. Na verdade, ele estava de folga. E eu fui i****a o suficiente para aceitar uma hora extra. Souza continua me olhando como se minha simples existência fosse um incômodo. Conheço aquele tipo. O homem não sabe sorrir. Não sabe agradecer. E, pelo visto, também não sabe ser educado. — Vai continuar me encarando ou vai deixar eu ver esse machucado? Ele solta um suspiro impaciente. — Não era para você estar aqui. Inclino a cabeça. — Engraçado. Calço as luvas descartáveis. — Eu estava pensando exatamente a mesma coisa.
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