Capítulo 2
Souza narrando
Merda.
O que essa tapada está fazendo aqui?
A outra enfermeira não está de folga. Eu precisava da enfermaria vazia.
Foi exatamente por isso que fiz com que a enfermeira do turno não aparecesse hoje.
— Não foi muito profundo, mas vai precisar de uns oito pontos. Como essa cicatriz se formou? — ela pergunta enquanto examina meu abdômen.
Porque eu nunca conheci alguém tão burro quanto você.
Giovana é a única funcionária mulher da prisão.
A única.
E fica trazendo docinhos para os presos.
Metade dos condenados fala dela.
Do corpo dela.
Da b***a dela.
E de como ela supostamente flerta com eles.
Tem maluco que passa o dia inteiro fantasiando com ela.
Trazer chocolate para um monte de homem que não vê mulher há anos não é gentileza.
É burrice.
Olho para o relógio na parede.
Faltam dez minutos.
— Tem um doce para mim? — pergunto.
— Não trouxe.
Ela nem levanta os olhos.
Às vezes tenho certeza de que essa mulher me odeia.
— Acho você tão burra.
Ela finalmente para o que está fazendo e me encara.
— Ah, é?
Sinto uma pontada no ferimento.
Tenho certeza de que ela apertou de propósito.
— Sim. Mas como sou um cara legal, vou te dar um conselho.
Ela arqueia uma sobrancelha.
— Sai daqui.
Giovana simplesmente me ignora e continua os pontos.
Teimosa pra c*****o.
Olho para o relógio novamente.
Cinco minutos.
— Eu te avisei. Depois não vem dizer que eu sou r**m.
— Uhum.
Ela continua costurando como se eu não tivesse falado nada.
— Pronto. Você precisa cuidar disso para não pegar infecção. Em sete dias podemos tirar os pontos.
Na mesma hora, o alarme de incêndio começa a tocar.
Ela se assusta.
— Mas o que...
Logo depois, tiros ecoam do lado de fora da enfermaria.
Os olhos dela se arregalam.
— Ai, meu Deus...
Não demora nem dez segundos.
A porta é arrombada.
— Enfim cheguei, p***a! — Frank entra sorrindo.
Olho para ele.
— Eu avisei para não trazer esse i****a.
Frank me encara e depois olha para a enfermeira.
— Tá me traindo, cara?
Giovana empalidece.
— Moço, pelo amor de Deus! Eu odeio esse cara! Eu juro!
Ela aponta para mim desesperada.
Frank fica alguns segundos em silêncio.
Então cai na gargalhada.
— Você devia ter visto sua cara, i****a. Foi hilário.
— Vamos logo antes que descubram que o incêndio é distração.
O sorriso dele desaparece.
— O Ju levou um tiro. Tá sangrando muito.
Meu estômago revira.
Frank olha para a enfermeira.
Depois para mim.
— Ele precisa de ajuda. Se é que você me entende.
— Nem fodendo.
— Vai deixar ele morrer? O cara veio te tirar da cadeia.
Passo a mão no rosto.
Que inferno.
Frank não espera minha resposta.
Segura o pulso da enfermeira e a puxa para perto.
— Você vem com a gente.
— O quê? Não!
Ela tenta se soltar.
— Solta! Eu não vou a lugar nenhum!
— Sempre quis sequestrar alguém — Frank diz animado. — Isso é muito emocionante.
Idiota.
— Vamos logo, p***a! — rosno.
Os tiros continuam ecoando pelo corredor.
E, gostando ou não, nossa querida enfermeira acabou de virar parte da fuga.