Capítulo 2

543 Words
Capítulo 2 Souza narrando Merda. O que essa tapada está fazendo aqui? A outra enfermeira não está de folga. Eu precisava da enfermaria vazia. Foi exatamente por isso que fiz com que a enfermeira do turno não aparecesse hoje. — Não foi muito profundo, mas vai precisar de uns oito pontos. Como essa cicatriz se formou? — ela pergunta enquanto examina meu abdômen. Porque eu nunca conheci alguém tão burro quanto você. Giovana é a única funcionária mulher da prisão. A única. E fica trazendo docinhos para os presos. Metade dos condenados fala dela. Do corpo dela. Da b***a dela. E de como ela supostamente flerta com eles. Tem maluco que passa o dia inteiro fantasiando com ela. Trazer chocolate para um monte de homem que não vê mulher há anos não é gentileza. É burrice. Olho para o relógio na parede. Faltam dez minutos. — Tem um doce para mim? — pergunto. — Não trouxe. Ela nem levanta os olhos. Às vezes tenho certeza de que essa mulher me odeia. — Acho você tão burra. Ela finalmente para o que está fazendo e me encara. — Ah, é? Sinto uma pontada no ferimento. Tenho certeza de que ela apertou de propósito. — Sim. Mas como sou um cara legal, vou te dar um conselho. Ela arqueia uma sobrancelha. — Sai daqui. Giovana simplesmente me ignora e continua os pontos. Teimosa pra c*****o. Olho para o relógio novamente. Cinco minutos. — Eu te avisei. Depois não vem dizer que eu sou r**m. — Uhum. Ela continua costurando como se eu não tivesse falado nada. — Pronto. Você precisa cuidar disso para não pegar infecção. Em sete dias podemos tirar os pontos. Na mesma hora, o alarme de incêndio começa a tocar. Ela se assusta. — Mas o que... Logo depois, tiros ecoam do lado de fora da enfermaria. Os olhos dela se arregalam. — Ai, meu Deus... Não demora nem dez segundos. A porta é arrombada. — Enfim cheguei, p***a! — Frank entra sorrindo. Olho para ele. — Eu avisei para não trazer esse i****a. Frank me encara e depois olha para a enfermeira. — Tá me traindo, cara? Giovana empalidece. — Moço, pelo amor de Deus! Eu odeio esse cara! Eu juro! Ela aponta para mim desesperada. Frank fica alguns segundos em silêncio. Então cai na gargalhada. — Você devia ter visto sua cara, i****a. Foi hilário. — Vamos logo antes que descubram que o incêndio é distração. O sorriso dele desaparece. — O Ju levou um tiro. Tá sangrando muito. Meu estômago revira. Frank olha para a enfermeira. Depois para mim. — Ele precisa de ajuda. Se é que você me entende. — Nem fodendo. — Vai deixar ele morrer? O cara veio te tirar da cadeia. Passo a mão no rosto. Que inferno. Frank não espera minha resposta. Segura o pulso da enfermeira e a puxa para perto. — Você vem com a gente. — O quê? Não! Ela tenta se soltar. — Solta! Eu não vou a lugar nenhum! — Sempre quis sequestrar alguém — Frank diz animado. — Isso é muito emocionante. Idiota. — Vamos logo, p***a! — rosno. Os tiros continuam ecoando pelo corredor. E, gostando ou não, nossa querida enfermeira acabou de virar parte da fuga.
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