O Santuário dormia. As luzes apagadas lançavam sombras longas pelos corredores, e apenas o vento, deslizando entre as árvores do jardim, ousava quebrar o silêncio. Era um silêncio espesso, quase palpável, que parecia prender a respiração da casa inteira. Mas em John, nada repousava. Deitado na cama, encarava o teto como se fosse uma prisão. O corpo pesado, o coração em guerra. A cena da noite anterior queimava em sua mente como ferro em brasa: a mecha de cabelo que ele afastara do rosto dela, o calor da pele que não lhe pertencia, o perfume que o seguiu escada acima como provocação invisível. E, mais que tudo, a sensação de que havia se segurado à beira de um precipício — e que, se desse mais um passo, se perderia para sempre. A águia tatuada em suas costas parecia viva, pedindo voo, ped

