Capítulo 3: Hospital (Parte 2)
Blake olhava em seu relógio impaciente, esperando seu amigo parar de falar asneira. Ele nunca foi o homem mais paciente do mundo, sempre gostou das coisas rápidas e feitas do seu jeito e estava esperando o irmão há quase uma hora.
— Temos mesmo que esperar o Noah? — perguntou enquanto sacudia seu pé.
— Eu conheço vocês dois muito bem, se vou contar algo relacionado aos seus pais vou falar para os dois juntos…
Jake sabia da personalidade dos irmãos Coleman, que apesar de seguirem carreiras completamente diferentes eram completamente iguais quando se tratava da família. A primeira vez que Blake e Noah passaram uma noite na cadeia foi por estarem defendendo a integridade do pai, que na época estava sendo acusado de assédio contra uma funcionária que mesmo sendo comprovado que ela havia inventado, ainda estava em todos os lugares, foi um escândalo. Os irmãos haviam espancado outros rapazes que foram parar no hospital, um com o nariz quebrado e outro com a costela. Resumindo, Blake e Noah não eram fáceis de lidar.
O médico tinha certeza que a notícia que ele tinha para contar aos irmãos acabaria com eles.
— Eu já estou aqui! — disse o moreno entrando sem bater e com as mãos levantadas como se estivesse se rendendo.
— Qual o problema de vocês? Não sabem bater na porta? — Jake disse com uma falsa irritação.
Noah não respondeu, apenas sentou-se ao lado do irmão cumprimentando-o.
— Porque você demorou tanto? — Blake perguntou observando o sorriso do irmão e ignorando completamente o amigo.
— Eu estava no treino, não achei que o Jake fosse conseguir informações tão rápido. — disse com um sorriso de lado.
Assim como Blake, Noah também havia recebido uma visita de seu pai. Robert se dirigiu ao apartamento de Noah após sair da casa de Blake e encontrou o filho na cama com quatro garotas. Como todo bom jogador de Hóquei no gelo, Noah havia saído do jogo na sexta à noite e aproveitou a noite comemorando a vitória do Rangers em cima do Capitals. Ele havia conhecido um grupo de amigas (e fãs dele) com quem bebeu e no fim da noite foram parar na casa dele.
Talvez por conhecer muito bem seu pai, estranhou a visita e a forma como tudo aconteceu. Seu pai queria que ele tomasse jeito, que encontrasse alguém e que passasse mais tempo com a família. A forma misteriosa e o ultimato que recebeu o fez desconfiar.
Blake e Noah haviam conversado naquela tarde por telefone e comentaram sobre o que poderia estar acontecendo, então eles imaginaram que algo acontecia com seus pais e decidiram que tentariam descobrir. Blake não queria casar e Noah não queria deixar sua vida e ser obrigado a assumir a empresa com seu irmão. Porque mesmo que ele fosse independente dos pais, seu pai era um homem poderoso e poderia acabar com a carreira que ele tanto havia lutado para alcançar.
— Vocês me pedem informações e duvidam da minha capacidade… — disse um pouco irritado.
— Isso quer dizer que há algo errado? — Blake questionou.
Blake pediu para Jake investigar se havia errado com a saúde do pai, já que meses antes ele tinha sido internado no hospital por conta de alguns problemas cardíacos.
Jake deu um longo suspiro, não tinha como adiar aquela conversa por mais tempo.
— O que houve Jake? Diz de uma vez! — foi a vez de Noah aumentar seu tom de voz.
— Há algo com meu pai? — Blake perguntou mais insistente.
O médico voltou a suspirar passado odiando a ideia de ser ele a dar aquela notícia.
— Não há nada de errado com o pai de vocês, muito pelo contrário. Consegui a ficha dele e tudo está absolutamente bem, ele vem tomando os remédios de maneira correta, acredito que o coração dele ainda vai bater por muito tempo.
Os irmãos permitiram que seus rostos se suavizassem mostrando a tranquilidade que aquela informação havia deixado. Mesmo que a notícia fosse boa, a expressão do médico continuava séria mostrando que havia mais.
Sem dar tempo para os irmãos, Jake continuou: — Também tentei dar uma olhada na ficha da sua mãe, apenas como uma garantia…
— Como assim tentou? — Noah franziu a testa.
— A ficha médica da mãe de vocês está em um sistema privado do qual eu não tenho acesso. Porém consegui o nome do médico que privou e colocou tudo relacionado à mãe de vocês em uma pasta secreta. Ele se chama Donald Spencer, ele é um médico com formação em tratamento de câncer em estado terminal. A clínica dele é em Washington e também é uma das melhores do país… O tratamento dele é revolucionário e até já foi premiado por algumas instituições.
Blake e Noah não sabiam se o que estavam escutando era real. A mãe deles estava com câncer? Então o problema era com a mãe deles?
"É uma exagerada que acha que os filhos nunca vão dar a ela a felicidade de dar netos para ela. Apenas quero que ela seja feliz e se for isso que a deixará feliz, vou proporcionar essa experiência para ela."
Blake por um instante lembrou das últimas palavras que seu pai havia dito naquela manhã.
Finalmente tudo fazia sentido.
•••
Há algumas salas dali a loira entrava desesperada no local onde sua amiga estava. Chloe havia deixado todo o trabalho acumulado em sua casa para correr para o hospital depois da ligação que recebeu de Kara.
Ela ainda não entendia o porquê da amiga estar em um hospital. Não quando Kara sempre era econômica e evitava usar o seguro para algo realmente urgente, por esse motivo a loira suspirou quando viu a amiga aparentemente bem.
Kara havia realizado todos os exames necessários e também teve um atendimento psicológico, algo para garantir que a garota ficaria bem depois de toda aquela situação.
— O que houve, Kara? Porque você está no hospital? — A loira interrogou a amiga.
Chloe olhou bem para Kara, apenas para garantir que não havia deixado acontecer nada demais.
A morena tentou segurar e, conseguiu até aquele momento. Deixou todas as lágrimas descerem, deixando Chloe confusa e preocupada.
Kara não era de chorar, mesmo quando tudo à sua volta estivesse em ruínas ninguém nunca a veria chorar. Ao menos era o que Chloe pensava.
Apesar da amizade de anos, as duas eram muito diferentes. A diferença não estava apenas na cor do cabelo das mulheres, mas também em suas personalidades e atitudes. A loira era um claro exemplo de não julgar o livro pela capa, do tipo que quer casar e ter filhos, que quer uma casa grande em Manhattan. Mas apesar disso, também queria abrir sua própria galeria de arte e aprimorar os seus conhecimentos. Não que fosse o momento certo para pensar em tudo aquilo, pois estava sofrendo uma grande desilusão amorosa.
Depois de perceber a preocupação da amiga, Kara contou o que havia acontecido há algumas horas e explicou como estava se sentindo.
— Eu sinto muito, amiga! Não imaginei que tivesse passado por tudo isso… Meu Deus! — disse quando Kara terminou de falar e voltou a abraçá-la.
— Não imaginei que o Caleb faria algo assim! — Kara disse retribuindo o abraço.
A morena ainda sentia que a culpa havia sido dela, que talvez, se ela tivesse sido mais incisiva em relação a decisão dela sobre o fim do relacionamento com o Caleb, nada daquilo teria acontecido.
Chloe desfez o abraço e olhou para a amiga: — Ninguém imaginaria isso Kara! E está tudo bem, graças a esse homem que te ajudou nada aconteceu, mas você precisa denunciar o que esse babaca tentou fazer com você. Deixá-lo trancafiado, vendo o sol nascer quadrado, para nunca mais tentar de novo com ninguém.
Kara sabia que a amiga estava correta, mas ela não queria mais pensar sobre aquilo. Queria esquecer aquele dia.
— Chloe…
— Sem essa, Kara! Você não pode ficar com pena dele por ter terminado com ele a meio século atrás, apenas denuncie, ou ele continuará perturbando você. — Chloe estava muito irritada, por isso sua fala saiu alterada.
Chloe estava irritada com tudo, mas principalmente com homens em geral. Tudo a fazia lembrar do quão traída se sentia, mas pior, do quão incapaz havia sido em não alertar a amiga sobre Caleb. Não gostava dele e sentia algo estranho em relação ao relacionamento que Kara teve com o rapaz, ela pensa que era apenas uma implicância por não gostar das atitudes dele.
Percebendo que não adiantaria discutir com a amiga, Kara concordou em abrir uma denúncia contra Caleb. Afirmando que o faria quando recebesse os resultados de seus exames para ter algo com base.
As duas conversaram, até a doutora Parker retornar e dar alta para a morena.