Capítulo 4: Um caos completo
Uma semana. E tudo parecia um caos completo na vida de Kara. Seu pai esteve desaparecido por dias e apareceu no gramado da casa onde vivem com muitos machucados e hematomas, além de estar desacordado e ensanguentado.
— Pai! — Kara gritou, enquanto saia de sua caminhonete, correndo ao ver o corpo imóvel do pai atirado no chão.
Ela tinha acabado de chegar do trabalho, então não conseguia imaginar desde que horas seu pai estava ali. Kara ligou para a emergência e continuou ajoelhada ao lado do pai, deixando que algumas poucas lágrimas caíssem de seus olhos.
Desde então se passaram três dias, três dias que seu pai estava hospitalizado em estado grave e ela também havia descoberto que eles estavam perto de serem despejados pelo banco. E como se as coisas não pudessem piorar, Kara soube naquela manhã que seu pai devia mais de um milhão de dólares em dívidas de jogo.
Kara sorriu ao ver a loira atravessar a porta e sentar em uma mesa no fundo da lanchonete e virou para Mara, que estava do outro lado balcão para saber se poderia ter algum tempo para conversar com a amiga.
— Mara, eu posso tirar cinco minutos de descanso?
— Não estamos com muito movimento, então pode demorar quinze minutos. — Mara sorriu sem mostrar os dentes.
Mara sabia os problemas de Kara e mesmo não querendo demonstrar, sentia pena do que a garota tinha que passar para poder viver; desistir dos sonhos e viver à mercê dos vícios do pai. Mara tinha 52 anos e trabalhava no Johnie's desde a inauguração e alguns anos depois se casou com o Johnie e se tornou responsável junto com o marido pelo restaurante.
— Obrigada! — Kara retribuiu o sorriso.
A morena deixou a caderneta em cima do balcão e caminhou até a mesa em que sua amiga estava sentada e se juntou a ela, sentando de frente para Chloe.
— Como você está, Kara? — Chloe perguntou desanimada e com um olhar triste.
— Nada bem. Mas você também não parece bem.
Chloe puxou algo em sua bolsa e entregou para Kara. Era um envelope.
— Nada comparado com os seus problemas, mas ainda assim um problema…
Era um convite de casamento. Mas não um qualquer, era o convite de casamento da prima da Chloe, Samantha, com o ex namorado dela, Dylan.
— Eles vão se casar e tiveram a cara de p*u de me enviar o convite. Como se eu não tivesse sido traída por eles dois, como se eu não fosse nada além de um parente distante. — Chloe havia começado a chorar sem perceber.
Quando foi embora de Nova Iorque, depois do divorcio dos pais, ainda era uma criança que tinha dificuldade de interação e acabou tendo alguns problemas psicológicos causados pela separação e a mudança repentina. Louisiana era linda, mas Chloe demorou para se sentir bem. Porém quando ela começou um relacionamento com um garoto chamado Dylan, no colegial, as coisas começaram a mudar. Eles estiveram juntos por cerca de quatro anos e em boa parte mantiveram um relacionamento a distância. E quando Chloe foi passar o feriado com a mãe e os parentes descobriu a traição, depois disso ela nunca mais retornou para o estado da Louisiana.
— Chloe, como eles puderam te enviar essa droga? Não se cansam de te fazer m*l essa história?
— Eu vou! — disse ainda entre lágrimas.
— Eles estão tentando te humilhar, te diminuir…
— Eu sei, Kara. Mas não posso, e não vou, passar a minha vida inteira infeliz pelo que o Dylan e Samantha fizeram comigo. Se os traidores vão ter um final feliz… o que eu posso fazer? — Deu de ombros, tentando parecer indiferente.
— Eu posso ir com você e então poderíamos colocar um sapo no vestido dela.
As duas riram da sugestão absurda.
— Eu aqui rindo do meu problema e nem perguntei como está o seu pai. — A loira disse ao perceber o semblante da amiga.
Kara suspirou.
— Ele está instável, mas não fora de perigo. E o seguro não vai cobrir as despesas médicas, parece que elas ultrapassam o valor do seguro. Eu não sei direito, vou resolver isso pela manhã.
•••
— Um acordo matrimonial? Essa é sua ideia? — Marcos perguntou em um tom zombeteiro. — Não pode estar falando sério! Também vai contratar um conselheiro amoroso ou alguma empresa de acompanhante para ter uma esposa temporária.
— Não é uma má ideia.
— Não, não é! É uma péssima ideia. Você já imaginou se essa mulher quiser mais dinheiro? Ou se ela não quiser te dar um filho? E a maior questão de todas, quem, em sã consciência, aceitaria ter um filho e se casar por um ano com um dos maiores canalhas de Nova Iorque? — Marcos se servia de conhaque enquanto falava.
Aquela não era uma reunião de verdade, apesar deles estarem na sala de conferências da empresa que o pai dos dois construíram com muito esforço e da qual Marcos era advogado.
— Não vou dar mais dinheiro do que o que irá estar acordado no contrato e a gravidez estará nas cláusulas do contrato e ela não irá manter contato com a criança…
O amigo negava sentando-se de frente para Blake, enquanto aproveitava o gosto de sua bebida.
— Não acho que você vá encontrar uma mulher que aceite essas condições.
— Na verdade, há uma que aceitará. — deixou no ar enquanto bebia o conhaque em seu copo.
— Quem? Alice? Porque se estiver pensando nela para ser sua esposa, você vai conseguir matar sua mãe antes do câncer.
Blake, Marcos e Jake eram amigos desde crianças e houve uma influência muito grande de seus pais nessa amizade. Mas o que os manteve amigos foi a rebeldia.
Blake havia pensado na possibilidade de se casar com Alice, mesmo que por um nanosegundo, pensou. Mas ele não queria ludibriar a mulher com a ideia de um casamento feliz e cheio de amor, tudo o que ele queria era ver sua mãe feliz com a ideia que seu filho havia tomado um jeito antes que ela morresse. Ele não queria que sua mãe morresse sem ver que ele estava feliz, mesmo que fosse uma mentira. E por isso Alice não era uma opção. Também porque sua mãe nunca a aceitaria, ela nunca gostou da Alice.
— Não, a Alice está fora de cogitação. Mas eu mandei que fizessem uma investigação para descobrirem tudo sobre a garçonete que eu salvei alguns dias atrás. — disse despreocupado.
— Uma garçonete? E por que ela vai aceitar esse absurdo?
— Simples, porque eu vou comprar a casa dela! — disse completamente indiferente, deixando o amigo muito mais curioso.