📖 Capítulo 6 – Buscando um Lar
Narrado por Helena
Depois de algumas consultas e atendimentos de rotina, meu corpo estava cansado, mas minha mente não parava. A sensação de realmente estar fazendo algo significativo me deixava empolgada.
Respirei fundo e decidi que era hora de ir até a sala dos médicos e enfermeiros. Precisava me organizar, entender melhor os colegas, e… também precisava de respostas sobre onde eu e minha mãe poderíamos morar.
— Oi, pessoal. Posso incomodar um pouquinho? — perguntei, tentando soar natural enquanto entrava na sala.
Alguns levantaram os olhos das mesas, sorriram e voltaram ao trabalho. Outros me acenaram de leve. Mateus estava ocupando-se com um prontuário, mas sorriu ao me ver.
— Claro, Helena. O que você precisa? — disse a enfermeira Jéssica, ainda com aquele sorriso caloroso e acolhedor.
— Estou tentando me organizar… Eu e minha mãe vamos nos mudar para cá, e precisamos de um lugar para morar. Alguém conhece alguma casa para alugar perto do hospital? — perguntei, tentando não parecer nervosa.
Jéssica franziu um pouco a testa, pensativa.
— Humm… casas por aqui não são muitas, mas dá pra achar sim. Posso te ajudar a procurar. Tem alguns conhecidos que alugam ou vendem cômodos.
Meu coração deu um salto de alívio.
— Sério? Você faria isso por mim?
— Claro! — ela respondeu, animada. — Aqui no morro, a gente se ajuda. Não precisa ter medo. Eu posso te mostrar algumas opções amanhã cedo, depois do expediente.
Senti um calor subir ao rosto. Não era apenas o cansaço da manhã. Era a sensação de acolhimento, algo que há muito eu não sentia fora da minha mãe.
— Obrigada, Jéssica. De verdade. — murmurei, sentindo uma pontada de emoção.
— Relaxa, doutora. A gente vai achar um lugar seguro e confortável pra você e sua mãe. Pode confiar.
Olhei ao redor da sala, observando os médicos e enfermeiros ocupados com seus afazeres. Tudo ainda parecia um pouco caótico, mas havia uma sensação de família ali, um cuidado coletivo. E eu sabia que precisava disso. Precisava sentir que, pelo menos ali, eu podia recomeçar.
Enquanto conversávamos, comecei a me imaginar morando naquele morro, longe da sombra do meu pai, em uma casa simples, mas minha. Um espaço seguro para mim e minha mãe, onde eu poderia trabalhar sem medo, e onde meu passado não teria poder sobre o presente.
Jéssica percebeu minha expressão pensativa e sorriu.
— Relaxa, doutora. Vai dar tudo certo. Eu prometo.
Sorri de volta, tentando acreditar.
— Eu espero que sim.
E naquele instante, enquanto ela anotava nomes e endereços de possíveis casas, percebi que estava realmente começando minha vida ali. O morro ainda era um território desconhecido e perigoso para mim, mas pela primeira vez em muito tempo, senti que algo estava realmente ao meu alcance.