Como é o Gustavo?

1868 Words
BÁRBARA Subi para o quarto e comecei a arrumar o que faltava. — Bárbara. — a minha sogra bateu na porta que estava aberta e eu olhei para ela. — Posso entrar? — Claro que pode. Ela veio até a cama e sentou na beirada. — Como passou a noite, verdadeiramente. — Bem. Eu dormi muito bem. — E o meu filho, ele foi gentil com você? — Sim. Bem mais gentil que o seu outro filho. Eu não estava mentindo sobre isso, mas sabia que a gentileza sobre a qual ela falava era na hora do s**o, coisa que não aconteceu pela gentileza do Gustavo de não me pressionar. Isso me impressiona nele. Pela sua imagem de homem quieto e misterioso, eu imaginaria que ele seria pior do que o irmão. Tipo daqueles machistas que usam a mulher como escrava s****l. Mas talvez ele seja, só que não quis mostrar isso na casa dos pais. Vai saber quantos chegarmos na casa dele se ele não muda sua postura por completo? Espero que não. De verdade, eu espero que não. Ele foi tão bom comigo ontem e ele fala comigo de um jeito amigável e gentil que não me faz enxergar esse casamento como um fardo e sim a união de dois para o bem maior. — Eu sei que não aconteceu nada entre vocês. — a mãe dele disse, derrubando por terra a minha ideia de fingir que rolou. Eu olhei para ela como a criminosa pega no flagra. — Mas eu não vou contar a ninguém. Eu e o meu marido sabemos muito bem quando tem alguma coisa acontecendo nesta casa. As paredes têm ouvidos. Mas eu imagino que o meu filho tenha respeitado a sua vontade. — Sim. Por favor, não conta a ninguém não. Principalmente a minha mãe. Ela disse que eu deveria fazer tudo o que o Gustavo queria, mas o Gustavo disse que iria respeitar o meu tempo e eu ainda não me sinto confortável com toda essa história. Sinto que estou traindo o Otávio. — De certa forma está, mas esquece o Otávio. É meu filho, mas eu tenho que dizer que ele não vale a pena pra você. Foi a primeira noite, eu entendo você e imagino que o Gustavo seja um pouco devagar em assuntos amorosos, visto que nunca trouxe nenhuma namorada aqui. Mas eu quero boas notícias do meu casal. Eu ri deste final. Ela se acha cupido. — Paulina… — eu sentei na cama, com o propósito de perguntar algo que tire a minha aflição. — Como é o Gustavo? — O que você quer saber especificamente? — ela deu um sorriso. — Como ele é em personalidade. Quer dizer, eu não tenho uma ideia dele e eu não sei se o jeito como ele agiu comigo ontem e hoje pode ser o que ele sempre é ou só um personagem. Ele é o seu filho e ninguém mais do que você pode conhecer e entender como ele é. Eu tenho medo de que ele seja como o Otávio, em uma amplitude diferente. Ela balançou a cabeça, apertando os lábios. — Desde a primeira vez que você passou pela porta da nossa casa ao lado do meu caçula eu imaginei que você não era a garota que meu filho merecia. Meu filho merece alguém que lhe dê tudo o que ele dá aos outros. Você parecia muito boa e é. Eu posso imaginar o que passou com o meu filho e sinto muito por ele ser desse jeito. Talvez tenhamos sido péssimos pais. Eu não quero que se bebê cresça ao espelho do Otávio. — ela olhou para a minha barriga, depois para mim. — Nunca colocaria você para casar com o Gustavo se ele fosse como o Otávio ou pior. Gustavo é tudo o que ele mostra. Vocês serão felizes juntos. Aos poucos você vai esquecer de Otávio e se acostumar com uma relação saudável. Eu sorri. Que alívio. Se a mãe dele está dizendo, quem sou eu para discordar? A mãe que não passa a mão na cabeça do filho errado também não deve mentir sobre a bondade do outro. — Ainda bem. — eu levantei da cama aliviada e ela também levantou. Fechei a mala e a arrastei para fora do quarto. A minha sogra veio junto. — E aquele grito hoje cedo? Eu ri. — Eu acabei esquecendo onde dormi e com quem eu dormi. Tomei um grande susto. Ela também deu risadas. — É normal, depois acostuma. Mas cuidado com os sustos. Pode fazer m*l para o bebê. — Sim. Eu vou tentar acordar virada para o outro lado. — planejei e fiquei rindo da situação. [•••] GUSTAVO Eu e meu pai sentamos na varanda, olhando para o jardim que é tão bem cuidado e a parte com mais vida nesta casa. — O que achou do casamento? — Bom. — respondi olhando fixamente para as flores. — Bom? Achei que ficaria mais feliz. Eu sei que gosta dela. — Com que base chegou a essa conclusão? — o encarei curioso. — Pelo jeito que sempre olhou para ela e seu comportamento quando ela vinha pra cá com seu irmão. — ele colocou um cigarro na boca, acendeu e depois fumou, soltando a fumaça para um lado. — Eu sou seu pai, sou homem, sei perceber essas coisas. — Ainda bem que só você percebeu. Otávio já teria tentado me m***r. — Não acho que ele se importava tanto com essa garota. Talvez seja uma paixão platônica ou só as consequências dos negócios entre ele e a família dela, mas duvido que houvesse algum sentimento maior que isso. Seu irmão é insensível e ela é muito quieta, vulnerável e manipulável. Seu irmão só a usava para o que queria e pronto. — Eu não enxergava dessa forma não. Ele parecia ter muita estima. Sempre de olho nela. Ele fumou de novo. — Como um mascote na coleira. Talvez fosse a mais preciosa, mas não a mais especial. Cansei de ouvir as histórias de Otávio sobre as garotas que ele ficou. Essa não é de longe a melhor. Os pais dela são muito interesseiros. Creio que eles jogaram a filha para cima do Otávio como uma moeda de troca, assim como fizeram com você. — Não vão tirar um centavo de mim. — deixei claro para meu pai e deixarei para os pais dela, caso me procurem com esse tipo de ideia. — Assim que eu assinei os papéis do casamento, Bárbara se tornou minha responsabilidade, seu pais não. Eu darei tudo o que puder a ela. A eles? Nada além de consideração de genro e sogros. — Se seguir por esse caminho terá o meu apoio sempre. — ele e ajeitou na poltrona. — A garota parece ser uma boa pessoa, diferente dos pais dela. — Ela é. — afirmei. Olhei para a sala e a minha mãe descia as escadas junto com Bárbara e uma mala. Os funcionários ainda não tinham terminado de colocar os presentes no carro. Um deles apareceu pelo jardim. — O carro não coube tudo. — Tranquilo. Amanhã ou depois eu venho buscar. — levantei da cadeira. — Obrigado. — falei só rapaz que depois saiu pelo quintal mesmo. Entrei em casa e fui ao encontro delas. Ainda não acredito que estou casado com ela e que ela vai morar comigo. Sempre que me deparo com ela sinto um frio na barriga, subindo pelo meu esôfago. Ela parece tão perdida em toda essa história que vez ou outra me pego envergonhado e me sinto culpado pela situação. — Tudo pronto? — olhei para a mala. — Sim. — ela balançou a cabeça segurando a alça da mala. Eu resolvi ajudar a carregar e talvez isso me dê pontos com ela. Sei que é impossível ela não pensar que eu posso ser parecido com o meu irmão. Mas Deus me livre de eu ser como o Otávio! Meu irmão é muito s*******o e eu sou pé no chão e bem racional. Ela vai entender isso futuramente, com o convívio. — Se vocês quiserem ficar mais tempo aqui, podem ficar. — Não, mãe. É melhor a gente ir logo. Assim organizamos a casa, vemos um pouco dos presentes e descansamos da noite de ontem. Não é, Bárbara? — Sim. É melhor. — ela balançou a cabeça, com um olhar tímido. Puxei a mala e deixei ao meu lado. — Obrigado por tudo, mãe. — lhe dei um abraço e um beijo. — Não fique sem vir aqui agora que casou. — De jeito nenhum. — dei um leve sorriso. — Bárbara, fique a vontade para vir sempre. Mesmo se esse folgado não quiser vir. — ela deu um abraço na Bárbara e todos sorrisos. O olhar dela cruzou com o meu e… Deus, que sorriso bonito ela tem. Todo tímido, sincero. Eu ganhei na loteria sem dúvidas. Quando elas se soltaram eu só acenei para o meu pai, que verei no dia seguinte e Bárbara também acenou. Fomos embora. Eu coloquei a sua mala no banco de trás e depois arrumei o banco para ela sentar. Assim que ela passou pela minha frente para entrar no carro, senti o cheiro bom dos seus cabelos. Ontem a noite eles não estiveram tão perto de mim. Espero que nesta noite seja diferente. O mais difícil é tê-la perto e não fazer nada, esperando o seu tempo. Quanto tempo será preciso para fazê-la esquecer do lixo do Otávio e começar a pensar em mim? Espero que poucos dias. Eu vou fazer de tudo para ela ficar perto de mim e vice-versa. Acho que me declarar tão cedo seria visto como um ato de desespero por ela. Por isso eu tenho que deixar o interesse surgir dos dois lados e eu sei que vai, então tudo será como eu sempre imaginei. E quando isso acontecer não correrei o risco de perdê-la para o Otávio, caso um dia ela tenha que escolher entre nós dois. Fechei a porta do carro e entrei pela outra porta, no banco do motorista. — Quer colocar uma música? — eu perguntei, vendo que ela parecia bem quieta. — Você quem sabe. — O que você gosta de ouvir? — Ouço de tudo. — Mas não tem uma preferida? — procurei um canal de rádio. — Não. — Vou deixar no rádio então. — sintonizei e deixei num volume agradável. Depois comecei a dirigir. Pelo seu silêncio eu fiquei preocupado. Ontem ela parecia mais falante. — Você está bem? — Sim. — ela balançou a cabeça. — Está calada. — Eu sou assim. Fico mais falante quando estou nervosa. Interessante. — Ah. Então não está tão nervosa quanto ontem e hoje cedo. — concluí e dei um leve sorriso para ela. Ela sorriu olhando para a frente. — Fico feliz que se sinta mais à vontade comigo, mas eu gosto de ouvir a sua voz. Ela mordeu os lábios enquanto sorria olhando para suas mãos e a rua pela janela do lado. — Desse jeito eu fico sem jeito. — ela comentou com uma risada tímida. "Eu também adoro te ver sem jeito ".
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