Acordando assustada

2289 Words
BÁRBARA Deus! Que preguiça! Me virei na cama e me bati em um corpo. Abri os olhos de imediato e depois saltei dando um grito. Ele acordou no mesmo instante, assustado. Eu me encolhi num canto da cama com o coração disparado. — O que foi? — Ai meu Deus. — massageei meu peito e tentei regularizar a minha respiração. — Esqueci que tinha dormido com você. Aí eu achei que era sei lá… eu nem pensei. Só tomei um enorme susto. — levantei da cama e fui tomar um copo d'água. — Espero que não tenha acordado ninguém. — Bem, você me acordou. — ele levantou da cama e eu, que tinha me esquecido de como ele é sem camisa. Fiquei admirada com o que vi na luz do dia. Não é porque Gustavo é mais velho que Otávio que ele sai perdendo. Que pedaço. Que pedaço de m*l caminho! — Me dá um pouco d'água. Eu também fiquei assustado com o seu grito. — ele veio até mim dando uma leve risada. — Desculpa. Eu não me controlei na hora. O grito foi automático. — dei o copo vazio em sua mão e saí andando pelo quarto. — Eu vou demorar pra me acostumar com isso. — Não sabia que eu era tão f**o dormindo a ponto de assustar tanto assim uma pessoa. — Não. Não foi isso. — sentei na cama envergonhada e ele ficou rindo. — Foi o susto de ter uma pessoa do meu lado mesmo. — Você nunca dormiu com o meu irmão? — Bem… quando eu deitava pra dormir… quando eu acordava ele não estava. — Ainda bem, né? — ele se virou pra mim. — Senão já tinha morrido do coração. Eu acabei rindo. Ele tem senso de humor. Sempre o vi muito sério. Achei que ele era daquele tipo m*l humorado. — Mas falando sério, isso pode fazer m*l ao bebê. Sorte que eu sempre acordo bem cedo. — Que horas são essas?— procurei meu celular. — Nossa! Já passa das 10h! Isso é cedo pra você? — Não. Hoje é domingo. — Ah. Entrei no w******p e tinha mensagens da minha mãe e também da minha prima Lis. [Mãe: Bom dia, Bárbara. Como foi a noite com o novo marido? Espero que tenha feito o que eu disse]. Credo. Que mulherzinha s*******o essa minha mãe. Eu só a escuto porque é a minha mãe, mas tem horas que é cada absurdo. [Babi: Bom dia, mãe. Tudo conforme o combinado]. — Gustavo. — chamei sua atenção quando ele entrou no banheiro. — Diga. — ele começou a escovar os dentes. — A gente pode não contar pra ninguém que não aconteceu nada? É que a minha mãe tá perguntando e se eu falar que não ela vai me culpar e vai ficar me enchendo. — Tudo bem. Eu já ia te falar sobre isso também. Os meus pais também ficariam decepcionados comigo. Você sabe o quanto eles estão levando a sério tudo isso. — ele disse e depois voltou a escovar os dentes. — Aham. Então para todos os efeitos aconteceu. — Sim. — ele olhou pra mim rapidamente e depois voltou a escovar os dentes. Será melhor assim. Eu não podia t*****r com ele na nossa primeira noite de casados. Quer dizer… a gente m*l se fala. A gente nem teve noivado. Só pulou pro casamento e quem fez tudo foram nossos pais. Uma loucura total. Viemos nos falar direito ontem e eu ainda me pergunto porque aceitei isso tudo. Mas quando ouço a mãe dele justificando eu sinto que estou fazendo a coisa certa. A minha mãe não. A minha mãe não se importa comigo ou com o meu bebê. Ela quer dinheiro e mais dinheiro. Não importa com quem eu me case. Fui procurar uma roupa na minha mala enquanto ele estava no banheiro. Depois ele se trancou e ouvi barulho de chuveiro. Eu também pretendia tomar um banho. Eu não sei o que será da minha vida a partir de agora. Eu não trabalho. Meu pai me dá tudo o que quero e olha, eu sou economia. Tenho dinheiro que eles nem sabem. Sempre uso só uma parte da grana que me dão e deixo a outra rendendo. Às vezes invento coisas e peço dinheiro, então eu guardo. E assim eu vivo. Com a segurança de que quando eu terminar a pós eu terei condições de sair de casa. Mas eu sempre tive o Otávio e eu não sabia se nos casaríamos um dia. Eu sempre duvidei disso. Era o que me fazia querer ter a minha poupança garantida. Agora estou casada e me pergunto se meus pais vão continuar me bancando. Gustavo é totalmente diferente de Otávio, mas meus pais não o conhecem e pode pensar que eu serei responsabilidade dele e talvez não me dêem mais nada. Pelo contrário, talvez queiram ganhar com isso. Eu não quero pedir nada a ele. Vou me manter com a grana da minha poupança até quando der e espero que dê até eu terminar a pós e tomar coragem de fazer o que nunca fiz até hoje: trabalhar. O resto eu não sei como será. O resto do roteiro da minha vida. Estou nas mãos dele. Vamos ver como funciona o mundo do Gustavo e como me irei me encaixar nele. Encontrei um vestido e resolvi usá-lo. Também peguei uma lingerie e a minha necessaire. Fiquei sentada na cama, o esperando sair do banheiro. Então lembrei da mensagem da Lis, peguei meu celular e fui dar uma olhada. Já sabendo que seria alguma pergunta inadequada. Era um áudio. Como vou ouvir um áudio com o Gustavo por perto? Os áudios da Lis são do tipo que não dá pra ouvir perto de ninguém. Eu tentei ser rápida. Apertei e coloquei do lado do ouvido. Foi o tempo que o áudio ficou em som baixo. Mas tem dias que eu não tenho essa sorte. — Bom dia, recém-casada! Como está a nossa senhorita Belmonte? Espero que toda assada. — ela deu uma gargalhada e eu também fiquei rindo e morrendo de vergonha. Ainda bem que estou ouvindo isso em volume baixo. — Quero que me conte tudo. Como foi a primeira vez? Como ele é na cama? E a jeba? É uma abobrinha ou um pepino? Fizeram muito barulho. Chega. Tirei o telefone do ouvido e saí das mensagens dela Como ela tem coragem de perguntar essas coisas? Estou morrendo de vergonha disso. "jeba", "abobrinha", "pepino"! Esses códigos que ela usa são péssimos! Só a Lis mesmo pra soltar um áudio desses. O que vou responder… [Bárbara: Bom dia, inconveniente! Estou ótima. A noite foi ótima também.] Eu que não vou inventar detalhes de uma situação que não aconteceu. Deixa assim. Ela pense o que quiser. Esperei mais um pouco e Gustavo saiu do banheiro só com uma toalha enrolada no quadril. As gotas d'água nem querem se desprender dele. Como ele esconde esse abdômen debaixo daqueles ternos? Por que eu tô pensando isso dele? Eu não deveria estar pensando nessas coisas sobre o irmão do Otávio. Levantei e entrei no banheiro de cabeça baixa. Assim que fechei a porta eu voltei aos meus pensamentos. Eu não estou errada em pensar. É a realidade. O irmão do Otávio é um gostoso e agora ele está casado comigo, então não é crime achar ele gostoso. O Otávio nunca me assume pro mundo, só pra sua família e a minha. Para muitos se soubessem que estivemos juntos achariam que eu sou só um mais um caso dele, dentre tantos que ele mantém. Por que eu tenho medo disso? Por que eu sou tão fiel a ele se ele nunca foi a mim? Eu preciso me desprender dessas ideias. Me desprender do Otávio. Agora ele está preso e se Deus quiser vai ficar muitos e muitos anos preso. E quando ele sair não vai me procurar pois sou insignificante pra ele. Ele deve ter outra patricinha que gosta mais. A garota que ele vai procurar quando sair da cadeia para m***r a vontade ou aquela que ele vai chamar para fazer as visitas íntimas. Não serei eu. Tenho que me libertar desse relacionamento péssimo que tive com ele. A fila andou, a situação agora é outra e caso ele volte seus pais, os meus pais não estão mais do seu lado e vão me defender, afinal de contas foram eles que me colocaram no lugar onde me encontro agora. No papel de esposa do Gustavo. Mas que o Otávio vai querer m***r o Gustavo ele vai e ele pode não querer mais nada comigo, mas que vai me tratar como uma traidora e vai querer me m***r também ele vai e é isso que me deixa tremendo de medo. Me deixa tão preocupada a ponto que tudo o que eu fiz ontem só pensava nas consequências com o Otávio. Tomei banho e quando estava passando a mão pela minha barriga eu pensei no bebê que está crescendo ali dentro. "Com certeza o seu pai biológico não lhe faria. Talvez nem como tio ele seja bom pra você. Se ninguém soubesse, se antes de tudo eu pudesse fugir, você seria feliz somente comigo. Eu e você, longe do Otávio, longe da ganância dos seus avós". "Mas eu não vou ficar triste por causa disso não. Não quero que você fique triste. Eu quero que seja feliz dentro da barriga e fora também. Eu farei o que é certo para o seu futuro". Depois do banheiro eu saí do banheiro e não encontrei o Gustavo. Ele não estava em canto nenhum no quarto, então eu me vi na liberdade de vestir as roupas sem muita preocupação. Vesti a calcinha e o sutiã, depois passei meus cremes. Mas Gustavo já abriu a porta falando. — Bárbara, o café da manhã tá pronto. — Não deu tempo de puxar a toalha e ele arregalou os olhos. — Desculpa. Enrolei a toalha e prendi no meu corpo. — Eu já tô indo. — terminei de passar o hidratante toda envergonhada. É como se fosse um completo estranho me vendo quase pelada. É claro que a vergonha pega e pega de jeito. Meu coração disparou no momento. Ele fechou a porta e eu coloquei o vestido e saí do quarto. O encontrei me esperando no corredor. — Eu achei que já estava vestida. — Não se preocupe com isso. Vai se tornar comum mesmo… — tentei tratar com naturalidade. Tudo bem que vai se tornar comum em algum momento, mas até lá vão ser esses constrangimentos mesmo. Nós descemos as escadas e fomos para a sala de jantar. A sala de estar ainda estava com coisas do casamento, mas tinha uma equipe limpando e desmontando tudo. Quando chegamos na mesa a Paulina e o Régis estavam tomando café, junto com algumas tias do Gustavo. — Bom dia. — eu disse com um sorriso tímido. — Bom dia, querida! — uma das tias disse com um grande sorriso no rosto. O resto das pessoas deram o simples bom dia e a Paulina olhou para mim e sorriu. — Tudo bem, querida? — Sim. Estou ótima. — sentei numa cadeira que o Gustavo havia puxado para mim e ele sentou do meu lado. — Os dois parecem ótimos. — outra tia comentou com um orgulho escancarado, constrangendo a nós dois. Eu coloquei um pão com queijo e presunto dentro do meu prato e comecei a comer com café. — Vocês estão pensando em ficar aqui? — meu sogro logo perguntou. — Não. Daqui a pouco nós vamos pra casa. — Vão ficar morando no seu apartamento, Gustavo? — uma de suas tias perguntou como se fosse algo r**m. — Sim. A minha casa é espaçosa e confortável. Não há necessidade de ir para outro lugar. — Você já conhece a casa do Gustavo, querida? — ela perguntou a mim. — Não. Ainda não conheci. — Vocês namoram a quanto tempo? — Há algum tempo. — Gustavo respondeu sem ser claro. — Mas tempo o suficiente para se casar e não conhecerem a casa onde vão morar? Nossa, essa tia dele é enxerida, hein! — Querida, o Gustavo tem uma vida corrida. — Paulina entrou em nossa defesa. — Bárbara é uma menina caseira. Eles têm o tempo deles. São tradicionais. — Ah… mas no tradicional… — ela nos analisou com seu olhar e sorriu. — Antigamente se casavam às pressas por causa de gravidez. Será que teremos um bebê Belmonte vindo para aumentar a família? Eu fiquei sem saber o que responder e olhei para o Gustavo, rindo sem graça. Ele estava agindo como se não estivesse ali, e continuou tomando o seu café da manhã. — Se vier será uma benção. — Paulina comentou com um sorriso amigável. Eu admito que dei sorte com a sogra. — Pois é. — eu concordei com ela dando aquele sorriso sem graça. Nós terminamos o café da manhã ouvindo os palpites sobre como levar a vida de casado e depois levantamos para olhar os presentes. Eram muitos. Parece que cada pessoa que veio para o casamento trouxe um presente e como eram poucas pessoas e muitos presentes, suspeito que até o juiz trouxe um presente. — Vou mandar colocarem no fundo do meu carro. Junta as suas coisas lá no quarto que assim que acabarem de carregar tudo nós vamos embora. — Gustavo combinou comigo e então eu voltei pro quarto para arrumar minhas coisas. É real. Primeiro essa aliança que brilha no meu dedo, depois acordando ao lado de alguém que m*l conheço e agora estamos indo para a casa onde irei morar a partir de hoje. Coragem, Bárbara.
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