Quem é você?

1438 Words
— Até que enfim... Achei que tinha parado pra fabricar as estradas... —  disse abrindo a portar com um sorriso no rosto que logo se desfez — Eu disse que não quero te ver de novo! — Kyungsoo, ele também é meu filho e eu quero ver. — ouvi a voz de Chanyeol e senti meu coração acelerar no mesmo momento. Mesmo com todas as merdas que ele havia feito, eu sentia saudade dele e com certeza Daehyun também sentia, já que chutava minha barriga com mais vontade sempre que ouvia a sua voz. Ou Me chutava como uma constante alerta "não caia na dele", "não seja babaca". — Olha, Chanyeol... — Soo... — chamei antes que Kyungsoo terminasse a frase. Ele revirou os olhos e deixou que Chanyeol entrasse na sua casa. — Depois não diz que eu não tentei. — falou sério e chamou Nana com a mão. — Vem bebê, deixa o tio sozinho. A pequena logo foi junto ao pai, pedindo colo para que os dois subissem as escadas. Eu estava sentado em pose de lotos no sofá, deixando minha barriga – que estava enorme – entre minhas pernas. Chanyeol sentou na mesa de centro a minha frente e cruzou os braços, olhando para minha barriga. — Eu me mudei. — começou sério. — Fiz um quarto para ele na nova casa, você já... Escolheu o nome? — perguntou receoso, cheio de dedos, o que deveria servir para mim como mais um sinal de alerta. — Já. Muito obrigado, Chanyeol, mas não quero seu quarto, nem precisa ter contato com ele. Eu sei que você não o quer, mas eu quero e vou conseguir criar. Se era só... Chanyeol suspirou, apoiando os cotovelos nas próprias coxas, como se pensasse no melhor a se dizer. — Eu gosto de você, Baekhyun. Estou fazendo isso por você. Não é o bastante? — Não, não é. Gostar de mim não é o bastante. Sabe como eu amo esse bebê? Você tem noção que por sua culpa eu podia ter perdido ele? Gostar de mim, fazer a p***a de um quarto, não é o bastante Chanyeol. Se for para ficar comigo tem que gostar de muito mais do que só um pouco. E tem que amar ele tanto quanto eu amo. — Daehyun se revirou ainda mais em minha barriga, me dando um certo desconforto por um momento, me fazendo segurar minha barriga, como se isso fosse impedir ele de tentar sair dali. — Já que a gente está nessa mesmo, pelo menos tenta. — Chanyeol disse quase num sussurro. — Suas aulas já acabaram, você não pode ficar aqui pra sempre. Vai lá pra casa. Pelo menos tenta. — Tentar ficar com você ou tentar ter uma vida com você? Aqui pelo menos eu sei que estou com a minha família. Talvez você esteja vendo Kyungsoo como um professor que me ajudou por caridade, mas é muito mais que isso. — Tentar ter uma vida comigo. — Chanyeol chegou mais perto, roçando seus lábios nos meus e me fazendo suspirar antes de lhe beijar de verdade. — Ah, que merda de recepção. — disse Jongin ao entrar em casa, jogando as malas no chão irritado. — Appa. — Hanna desceu as escadas correndo em direção ao meu irmão e pulando em seu colo, enchendo seu rosto de beijos. — Oi, meu bebê, eu estava com tanta saudade de você. — Jongin abraçou a filha com força, beijando as bochechas fofas. Kyungsoo desceu as escadas aos poucos, respirando fundo como se tivesse algo errado, mas logo foi até Jongin beijando seus lábios. — Agora alguém vai me explicar o que estava acontecendo aqui?  — Eu vou morar com o Chanyeol! — O QUÊ? — Kyungsoo gritou desacreditado. — Ele vai ter um filho meu, não pode ficar aqui para sempre. — Você está tomando a decisão errada, Baekhyun. — Jongin suspirou e eu baixei a cabeça, provavelmente ele estava muito certo, mas eu também sei que agora eles podem finalmente aproveitar a vida de casados juntos e não é justo que eu e meus problemas ficássemos no meio do caminho. — Mas é o necessário, Jongin. DUAS SEMANAS DEPOIS Realmente, era tentar ter uma vida com Chanyeol, ao lado dele e não com ele. Como se eu fosse seu caso de caridade. Eu estava em sua casa porque teria um filho para ele cuidar. Chanyeol continua trabalhando na secretaria da escola nas férias, cumprindo sua cota horária até suas definitivas férias anuais. Nós dormíamos em quartos separados e m*l nos falávamos durante o dia, com exceção dos finais de semanas, como hoje, em que ficávamos o dia todo juntos. Sentados no sofá, olhando TV, mas sem conversar, a verdade é que Jongin estava certo, a minha decisão estava errada e Chanyeol não tinha nada comigo além do bebê. Não é como se eu não soubesse, mas ter certeza dava uma densidade  diferente a situação.  E bebê esse que não precisava ser um gênio para saber que Chanyeol não queria, ele gostava de estar comigo e talvez lá no fundo ele gostasse de mim como tanto dizia, mas era mais do que óbvio que essa gravidez era muito indesejada para ele. — Eu vou fazer algo para comer. — disse me levantando do sofá, eu já estava cansado dos mesmo programas de sempre e das reprises de dorama. — Eu vou tomar um banho, quando eu voltar podemos ver um filme. — Tudo bem. — Chanyeol beijou minha cabeça e foi em direção ao banheiro. Fui para a cozinha e preparei um sanduíche, mas não muito depois a campainha tocou e eu fui atender a porta. — Quem é você? — perguntou o cara assim que eu abri a porta. O que sinceramente deveria ser ao contrário, já que teoricamente eu estou na minha casa. — Ahn... Eu sou o Baekhyun... Eu moro aqui. Quem é você? — Eu sou o Sehun. — ele me olhou com um ponto de interrogação na cara e entrou no apartamento. — Cadê o Chanyeol? Sehun era um cara meio estranho, seu rosto parecia ser de alguém mais velho, mas seu jeito o fazia o parecer ter a minha idade ou até menos. Extremamente petulante. Ele era bonito, mas ao mesmo tempo sua aparência assustava um pouco, já que ele tinha pelo menos cinco piercings no rosto, usava uma jaqueta de couro, luvas do mesmo tecido e calça jeans, como se tivesse acabado de sair de um álbum dos anos oitenta. — Agora vamos... — Chanyeol parou ao ver Sehun no meio de sala e eu fechei a porta. — Eu disse que você não deveria vir aqui. — disse bravos e entre dentes. — E eu disse que tô me lixando pra sua opinião. — Sehun deu de ombros e se jogou no sofá. — Oh barrigudo, tu pede um pizza? Valeu. — com certeza, com toda a certeza mesmo, meus olhos se encheram de lágrimas por causa da gravidez não tinha nada a ver com eu ser um pessoa muito sensível que estava vendo o provável novo namorado de Chanyeol invadir o apartamento e me tratar daquela forma. Besteira. Unicamente por causa do bebê. Era meio claro que nós não tínhamos nada, mas como eu disse, aquela situação mudava a densidade da situação, tornando-a difícil de engolir. — Sehun, o Baekhyun não é seu empregado e essa não é a sua casa, então vai embora. — Não é porque esse barrigudo está aqui. Não é porque você só faz merda, Chanyeol, é por isso que não é. Uma lágrima escorreu por minha bochecha com suas palavras, e tudo que eu já estava sentindo a tempos se tornou ainda mais forte dentro de mim, senti a droga da cólica de novo, me fazendo respirar fundo ir em direção ao meu quarto, era óbvio que eu só estava estragando a vida de Chanyeol e era mais indesejado do que eu pensei.  Peguei minha mochila e comecei a colocar minhas coisas dentro. — Baekhyun, o que está fazendo? — Chanyeol entrou assustado no quarto e fechou a porta. — E-eu vou ligar p-para o Jongin vir me b-buscar. — me senti uma criança falando entrecortado por conta do choro que eu tentava prender e Chanyeol tirou minhas coisas da minha mão, me abraçando. — Não bebê, não. O Sehun é um i****a. Não liga pra ele. — Chanyeol... A gente não tem nada, eu estou aqui estragando sua vida e impedindo você de ficar com ele. Me deixa ir. Vai ser melhor para todos nós. Eu deveria ter ouvido meu irmão desde o início.
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