A casa na Baía do Sol, em Mosqueiro, havia se transformado em um território de sombras e ecos sufocantes. O som das ondas quebrando lá fora, que em outros tempos servia como o metrônomo da paz que elas tanto buscaram, agora soava como um lembrete rítmico e c***l de que o tempo continuava a correr, indiferente à tragédia. O mundo de Maria, no entanto, permanecia congelado em um cinza gélido e imóvel, preso no exato instante em que o seu corpo falhou no saguão do Hospital Metropolitano. Lá dentro, o ar parecia pesado demais para ser respirado, carregado com o cheiro da maresia que agora trazia apenas lembranças amargas. Júlio atravessou o corredor de madeira com passos cautelosos, evitando qualquer rangido que pudesse ferir o silêncio denso que se instalara na residência. Ele segurava uma b

