A consciência de Mariana retornou em fragmentos desconexos, como se ela estivesse emergindo de um mergulho profundo em águas escuras, densas e terrivelmente geladas. O primeiro sentido a despertar não foi a visão, mas o olfato: o cheiro estéril de álcool, antisséptico e aquele odor metálico pesado, típico de hospitais públicos de grande movimento, era tão forte que parecia ter um gosto amargo e persistente no fundo da garganta. Depois veio o som — o bipe rítmico, insistente e impessoal de um monitor cardíaco que marcava os segundos de uma vida que ela, naquele momento, m*l reconhecia como sua. Cada batida eletrônica ecoava em seus ouvidos como um lembrete metálico de que o tempo não havia parado enquanto ela estava no vazio. Suas pálpebras pesavam como se estivessem coladas por uma substâ

