Capítulo 5

1423 Words
Brianna A moça da recepção tem os dentes mais brancos e retos que já vi na vida. Ela me conduz até um elevador escondido atrás de um enorme vaso cheio de plantas. A porta dourada parece ter sido construída há pelo menos vinte anos, com desenhos rabiscados nas bordas. Ninguém nota essa porta enorme e dourada? Há um elevador secreto. Não que eu tivesse reparado antes. A recepcionista se aproxima da fechadura antiquada na mesa da frente, insere uma chave e a gira. As portas se abrem, revelando o interior do elevador. Estou estranhamente desapontada — uma parte de mim esperava unicórnios, arco-íris, glitter… talvez até uma explosão ou duas. — Direto para cima — ela diz. — Ele está esperando você. Há apenas um botão. — Uh, obrigada — respondo, mas a garota já está se afastando. Mordo o lábio, reconsiderando seriamente essa loucura. São cinco para as dez, e eu não preciso passar por isso. Poderia simplesmente ir ao cassino, encontrar Emilly e dizer a ela que sou uma verdadeira covarde. Ela vai gritar comigo, mas… tanto faz. Exceto que, se eu não for, Jasper vai morrer. Aperto o único botão, sem marcação, e as portas deslizam para fechar. O elevador começa a subir, e eu me encaro no espelho. Escolhi um vestido cinza que comprei para um casamento anos atrás, mas nunca usei. É justo, moldando meu peito e meus quadris, decotado, mas não tanto a ponto de exibir meu minúsculo b***o, e ajustado na cintura com um cinto fino. Parece apropriado para negócios, mas também meio sexy. Meu cabelo loiro escuro, solto e na altura dos ombros, está repartido de lado. Gostaria de estar usando sapatos melhores, mas não consigo me locomover sem minhas órteses — então terão que servir. Passei um tempo agonizante escolhendo essa roupa, e isso é tudo culpa da Emilly. A pior parte? Estou usando minha única calcinha preta rendada. Um conjunto que considerei extravagante quando o comprei há dois anos, presumindo que ninguém jamais o veria. Agora… não tenho tanta certeza. — Eu nunca transei — sussurro para mim mesma no espelho. Ainda assim, as borboletas revirando em meu peito e estômago sugerem que talvez eu queira. O elevador desacelera. Para. E, de uma só vez, a compreensão me atinge. Estou prestes a ver, pessoalmente, o mítico apartamento do último andar. Eu deveria estar surtando agora. Passei tanto tempo distraída com a possibilidade de dormir com Liam que não parei para pensar no que esse momento realmente significa. E agora, a realidade está me atingindo como um choque elétrico. Incontáveis horas foram desperdiçadas por milhares de funcionários especulando sobre este lugar. Liam é notoriamente reservado e raramente, ou nunca, fala sobre sua vida pessoal. Todos sabemos que ele mora em algum lugar do hotel — pelo menos, é o que dizem os rumores —, mas onde exatamente sempre foi um mistério. Fofocar sobre o apartamento do último andar é praticamente um passatempo para os funcionários do cassino. De todas as histórias, esta é a maior obsessão do cassino. Uma obsessão pela vida pessoal do chefe, que ele só alimenta ao cultivar esse mistério absurdo. Ouvi muitas coisas sobre este lugar. Todas elas completamente inventadas. Mas, mesmo assim… Ouvi dizer que esse lugar nem existe, o que é claramente errado. Pelo menos, espero. Seria bem r**m se tudo isso fosse um sonho. Ouvi dizer que é real, mas só conheço os boatos. O que é duvidoso, mas um lavador de pratos da cozinha jurou que era verdade. Ouvi dizer que é como um bar clandestino misturado com uma masmorra de sexo, e confesso que essa teoria faz sentido. Ouvi dizer que é feito inteiramente de travesseiros e camas, e que Liam o usa como um enorme palácio do prazer. Esse é o boato favorito da Emilly. As portas deslizam e se abrem. Sou recebida por… uma entrada de apartamento absolutamente comum. Dou um passo para fora, sentindo uma estranha decepção. Eu meio que esperava o cheiro de suor, almíscar e perfume, misturados com bolas de discoteca penduradas no teto ou algo igualmente opulento e exagerado. Em vez disso, não há nada de especial. Piso de ladrilho, paredes simples decoradas com pinturas de paisagens sem graça, o cheiro de madeira polida e um leve aroma amadeirado no ar. É um ambiente refinado, quase luxuoso, mas nada impressionante. Poderia abrir uma revista de arquitetura e ver uma dúzia de apartamentos iguais. Há um corredor logo à frente, uma porta a poucos metros à esquerda e uma escada à direita. — Olá? — grito, sentindo-me estranha. Ninguém me disse o que fazer quando chegasse aqui, apenas que eu precisava aparecer. — Vá até o fim do corredor, à esquerda. — A voz de Liam ecoa do interior do apartamento. Sigo em frente, meus pés latejando de dor. Andei mais do que deveria, e meu andar manco está pior do que eu gostaria. Enquanto caminho, observo as pinturas, as fotografias. Uma delas chama minha atenção: Liam, ainda criança, cercado por homens e mulheres em uma praia. Uma típica foto de família. Reconheço seu pai, o antigo dono do cassino, agora falecido, e sua mãe, parecendo incrivelmente jovem. A Sra. Chase ainda está sempre por perto no cassino — tão doce quanto parece, quase como um mascote do hotel. Ela recebe tratamento de realeza, nunca paga por nada e, ironicamente, deixa gorjetas generosas por onde passa. Todos a adoram. Já o pai… ele era complicado. Rígido com os filhos e ainda pior com os funcionários, especialmente aqueles que saíam da linha. Ouvi histórias dele gritando com garçonetes por derramarem bebidas ou repreendendo crupiês por mínimos erros de etiqueta. Tudo o que ouvi sugere que Liam é um chefe muito melhor do que ele jamais foi. Uma porta se abre. A mulher que surge tem cabelos escuros e lisos, lábios pintados de vermelho e um vestido provocante. Ela sorri de maneira maliciosa, como se soubesse de algo que eu não sei, e então desaparece no corredor. Continuo andando e sigo as instruções de Liam, virando à esquerda. Dou de cara com uma cozinha espaçosa, iluminada. A ilha central é enorme, e lá está Liam, parado diante do fogão, mexendo algo com uma colher de p*u. O aroma que invade o ambiente é incrível. Ele franze a testa enquanto cozinha, passando um pano de prato pela testa suada. — Sente-se — diz, sem sequer olhar para mim, como se soubesse exatamente onde estou. Limpo a garganta, hesitante. — Uh… desculpe, é uma hora r**m? — pergunto. Não esperava encontrá-lo cozinhando. É estranho. Quase íntimo demais. Como vê-lo tirar a camisa. (Exceto que vê-lo sem camisa não seria tão ruim.) — Estou quase terminando — ele responde, ainda concentrado no que quer que esteja preparando no forno holandês. Encontro uma cadeira alta na ilha e me apoio nela, soltando um suspiro de alívio. Só então ele finalmente se vira para me encarar. Seus lábios estão melados de molho. E eu quero lamber cada gota dali. — Meus pés doem — digo, desconfortável. Aprendi há muito tempo que fingir que minha deficiência não existe não adianta nada. As pessoas querem ajudar. Agem estranho, mas, na maioria das vezes, têm boas intenções. Ele resmunga algo inaudível e começa a cortar um pão grosso e crocante. O cheiro na cozinha é delicioso. Tomate, temperos, cebola, alho. Estou praticamente vibrando de excitação enquanto ele mistura tudo em duas grandes tigelas, acrescenta pedaços generosos de pão e despeja o molho por cima. Ele desliza uma das tigelas para mim, junto com um garfo e uma faca. — Ovos do Purgatório — diz, pegando a própria tigela. — O quê? — pergunto, confusa. Eu esperava um sermão, talvez algo obsceno logo em seguida. Não… isso. — Jantar — ele responde, gesticulando com o garfo. — É um prato mediterrâneo. Cebola e pimentão refogados até ficarem macios, alho, temperos, depois tudo cozido com tomates. Quando o molho está pronto, você quebra alguns ovos, tampa a panela, deixa os ovos cozinharem, e pronto. Ele se inclina sobre a tigela, pega um pedaço de pão, mergulha no molho e leva à boca. Eu o encaro. Depois, olho para a comida. Estou com problemas para processar tudo. Estamos sozinhos na cozinha — o que significa que Liam fez tudo isso sozinho. Os restos de sua comida estão espalhados por todo lugar: tábua de corte usada, facas sujas. Mas isso não pode estar certo. Liam Chase rico, um homem tão ocupado, poderoso estaria ocupado fazendo comida assim. Não sei se… isso é real.
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