Brianna
São vinte minutos de carro até minha casa. Carros ainda me assustam pra caramba, mas só quando estou andando — felizmente, quando estou dentro de um, tento tirar isso da minha mente. Meu terapeuta diz que preciso desviar minha atenção disso.
Minha mãe está trabalhando no restaurante, Jasper está desaparecido e meu pai está sentado na sala de estar, como sempre. Ele é gordo e baixo, tem cabelos grisalhos e muitas rugas. Os dois joelhos estão com aparelhos e ele rosna para mim quando entro. — Você vai fazer o jantar? — pergunta como forma de cumprimento.
Meu pai não consegue trabalhar há muito tempo, desde que machucou os joelhos quando era pedreiro, e agora recebe auxílio-invalidez. Não é muito, mas ajuda.
— Claro — digo às pressas, indo para a cozinha.
Moramos em uma casa de três cômodos nos fundos de um campo, e quando todos estão em casa, parece que estamos amontoados uns sobre os outros. Começo a empanar o frango, esquento o óleo e fervo a água para fazer o macarrão. Minhas pernas estão me matando, minhas coxas parecem que alguém enfiou barras de metal nos ossos, mas se eu reclamar ou tentar sair da cozinha, meu pai vai gritar comigo por uma hora. Melhor terminar logo.
Felizmente, agora estou até grata por ter algo para me distrair da conversa com Liam.
A coisa toda é impossível. Meus pensamentos voltam para Jasper. Não consigo acreditar que ele foi tão e******o. O que ele estava fazendo no cassino tão tarde? Ele não aposta — felizmente, esse é um vício que não o interessa. Os amigos dele costumam ir no cassino rival. Não faz sentido que ele estivesse no meu, sozinho, como se planejasse roubar o lugar.
Mas foi um crime de oportunidade, não foi? Ele viu as fichas abandonadas e pegou. Meu irmão é rápido, costumava ser muito bom em truques de mágica, fazendo coisas desaparecerem. Mas parecia que foi para causar confusão naquela noite.
Ele sabe que não deve mexer com o cassino ou qualquer um dos grandes hotéis. Ele sabe o que Liam Chase faz com as pessoas que entram em seu caminho.
O que ele estava fazendo lá? Por que foi tão e******o naquela noite?
Não consigo parar de pensar nisso enquanto termino de preparar a refeição. Assim que o frango está pronto e a massa cozida, aqueço alguns temperos, verduras e molho de tomate para finalizar tudo. Meu telefone começa a tocar. Estou tentada a deixar cair na caixa postal, mas é Emilly.
— Ei — ela diz, e posso ouvir o zumbido do cassino ao fundo. — Número quinze. O que diabos aconteceu?
— Estou em casa fazendo o jantar — falo, tentando soar casual.
Mas Emilly não quer saber de nada disso.
— Não me faça começar a gritar, juro por Deus, porque eu vou. Você teve uma reunião com a p***a da Ava, o p***a do Will, o p***a do Nate e o p***a do divinamente lindo Liam Chase em pessoa. Por que diabos os quatro Deuses do Olimpo queriam falar com você?
Ela está sem fôlego quando termina, mas rapidamente acrescenta:
— Sem ofensa, eu te amo.
Fecho os olhos. Não deveria estar surpresa. A fofoca viaja por um cassino como uma doença venérea em uma vila de aposentados na Flórida. Muitas pessoas me viram entrar naquela sala, e todas devem ter visto Ava, Will e Nate saindo.
— Não foi nada de mais — digo, esperando que ela pare de insistir.
— Juro que vou te pendurar na janela se você não começar a falar agora!
— Preciso de dez minutos, não posso deixar a comida queimar.
Eu gemo, fecho os olhos e, relutante, conto a história para ela. Eu confiaria minha vida a Emilly — nos conhecemos desde o meu primeiro dia de trabalho e ela é minha melhor amiga no mundo — mas dizer qualquer coisa a alguém sobre Jasper é um risco.
Quando termino, Emilly fica estranhamente silenciosa.
— Eu sabia que seu irmão era um pedaço de merda, mas não sabia que ele realmente tinha vontade de morrer — diz suavemente.
Eu suspiro em resposta.
— Sinceramente, estou tendo dificuldade em acreditar em mim mesma.
— O que você vai fazer?
Ela não está mais brincando. A preocupação em seu tom é palpável.
— Vou encontrar com o Sr. Liam no apartamento dele em algumas horas para discutir minhas opções.
Outro silêncio.
Então ela grita.
— Você vai pra onde, p***a? p**a merda, você só pode estar brincando comigo! Você não vai para o apartamento do Liam Chase no último andar nem ferrando!
Seguro o telefone longe do ouvido por causa dos gritos dela.
— Você pode ter calma? — sibilo. — Todo mundo vai ouvir, sua doida.
Ela respira freneticamente.
— Me diga que isso não é verdade.
— É verdade — confirmo. — Estou pegando o elevador secreto para cima. Aparentemente, é real.
Emilly solta uma gargalhada histérica.
O apartamento do último andar é um pedaço da história e tradição do cassino. Há dezenas de rumores sobre ele. Alguns funcionários nem acreditam que ele existe, já que ninguém nunca esteve lá. Até mesmo a equipe de limpeza é cautelosa sobre quem pode ou não subir até o último andar. A maioria dos funcionários sabe do elevador secreto, mas há debate sobre para onde ele realmente vai.
Agora eu sei com certeza. E acho que Emilly também sabe.
— Não acredito que isso está acontecendo. Você vai ver o apartamento no último andar, e vai pegar o maldito elevador secreto. Isso é como encontrar a fonte da juventude. Não, isso é melhor, porque você também pode t*****r com Liam Chase.
Solto um grunhido de surpresa e quase derrubo a panela com água fervente. Me atrapalho com o telefone, deixo-o cair no chão e termino de escorrer o macarrão antes de pegá-la.
— Não vou t*****r com Liam Chase! — digo bruscamente.
— Você está bem? — ela pergunta. — Ouvi barulhos e imaginei que você tivesse tido um ataque.
— Deixei o telefone cair. Emilly, me escute, definitivamente não vou dormir com Liam Chase, certo? Não é isso que está acontecendo.
— Uh, você é uma i****a? Liam é o solteiro mais cobiçado da cidade ele está te convidando para o apartamento dele às dez da noite para discutir como salvar seu irmão. Querida, ele está te tornando sua concubina.
Minhas pernas queimam e minha cabeça gira.
— Pare com isso. Não tem graça.
— Se fosse só negócios, por que não esperar até amanhã? Aceita logo. Você vai ser a parceira s****l dele. Está entrando no harém dele. Ninguém vai para o apartamento de um homem solteiro como Liam às dez da noite sem esperar ser fodida.
Fecho os olhos.
Deus, ela tem um bom argumento.
— Não vou dormir com ele para salvar Jasper — sussurro furiosa, ciente do meu pai no outro cômodo.
— Dane-se Jasper! É o Liam Chase! Eu faria qualquer coisa para estar no seu lugar. Liam é um deus do c*****o andando entre nós. Você tem alguma ideia do que eu faria para estar na sua posição? Eu queria que alguém da minha família roubasse o cassino para que eu pudesse f***r Liam. Eu me entregaria a ele com prazer o quanto ele quisesse.
— Pare — Eu digo, apertando os olhos.
— Por favor.
— Por que você não está animada? Ele é lindo, e está sempre te observando, então você sabe que ele acha você gostosa.
— Não é verdade.
— É, sim, vocês são sexys juntos. Você tem um corpo sensual em forma de pêra.
— Sou deficiente.
— Você manca, mas o que isso importa?
— Não seja i****a, Emilly.
— Olha, só estou para entrar nisso com a mente aberta.
Ao fundo, ouço alguém gritando com ela.
— Merda, Dan está puto. Tenho que ir.
— Eu não vou dormir com Liam.
— Use algo sexy, ok? Algo que acentue sua b***a. Você tem uma b***a incrível e pernas realmente senxuais.
— p****s pequenos.
— Caras gostam de p****s pequenos. Você é uma menina pequena! Ele vai te jogar para todos os lados. Ok, Dan, p***a, ok! Estou indo! Tchau, querida, te amo, aproveite ser virada do avesso pelo homem mais lindo do mundo.
Ela desliga.
Eu coloco meu telefone sobre o mesa e meu rosto em minhas mãos. Isso não pode estar acontecendo.
Eu não vou ser a acompanhante de luxo de Liam Chase.
Ele não pode estar falando sério ao usar meu irmão para me chantagear a dormir com ele.
Mas quanto mais penso nisso, mais acho que Emilly pode estar certa.
O jeito que ele me olha. Um encontro às dez horas. Em seu apartamento particular. Tudo aponta para que isso seja um encontro s****l.
Posso fazer isso? Posso dormir com Liam Chase para salvar a vida do meu irmão?
Liam é lindo, não há dúvidas sobre isso. Mas há um pequeno problema.
Sou virgem. Nunca dormi com ninguém. Meu acidente aconteceu quando eu tinha dezenove anos, e basicamente passei os últimos sete anos me recuperando. Sexo e namoro não têm sido prioridade.
Além disso, eu moro com meus pais conservadores, então não é como se eu pudesse trazer alguém para casa. Supondo que haja algum cara que não se importe com cicatrizes feias nas pernas, mas ainda não conheci um.
Não, Liam não quer dormir comigo. Emilly está apenas sendo Emilly e tentando me intimidar. Há outra explicação para tudo isso. É apenas uma conversa.
Mas, só por precaução, já estou pensando na roupa que vou usar e fantasiando sobre Liam me lambendo entre minhas pernas.
— Ei, Brianna, p***a eu estou morrendo de fome — papai chama da sala.
E assim, meu devaneio desaparece.
— Está quase pronto — eu respondo, e esqueço tudo sobre essa coisa estúpida de sexo.