Sabia que não merecia aquela segunda chance, porque foi fraca tentou tirar aquilo que não a pertencia, a própria vida, queria poder falar uma última vez com o irmão, para poder seguir em frente ali, com sua pequena flor francesa, não acreditava mais em romances, em tempo algum, mas acreditava no amor materno, fraterno...
Meg vendo sua amiga tão agitada tentou consola-la a guiando para a cama.
---Pobrezinha esta muito cansada, deite-se vou pegar umas ervas para fazer um chá---Meg saiu
A druida ruiva entrou, Lana sentou-se na rústica cama.
---O..O que estar acontecendo comigo? ---Indagou ao ver o ser mágico
---Minha irmã te deu uma porção...
---Porque?
---È uma longa história---A mulher arrastou a cadeira de madeira e sentou em frente a Lana, Segurou nas duas mãos da bela jovem, era tão parecida com...
----Tenho todo o tempo do mundo. ---- Lana falou, tentando conter todos aqueles sentimentos desencontrados que a consumiam naquele momento, já nem sabia o que eram as suas tristezas e quais pertenciam as outras pessoas.
---Eu...posso...ver o passado das pessoas que toco e...---Murmurou ainda atordoada
---Depois sente-se exausta--- A druída completou ,Balançou a cabeça---Não tem todo tempo do mundo querida,agora você só tem doze meses,antes de continuar o caminho que começou a trilhar.
---Como? Não posso deixar Juliette e Meg...Por favor desfaça o que a bruxa fez---Implorou
---Bruxa? ---Sorriu, teria um novo apelido para atormentar a irmã, amava-a mesmo ela sendo tão certinha com as regras druidas
---Não posso, está além de mim, já quebrei muitas regras e uma delas é estar aqui, você tomou uma poderosa porção druida, e....---O mais r**m daquele encanto era que se dissesse como a pessoa afetada poderia desfazer, causaria sua aniquilação instantânea, mas ela era Rana e não perderia ninguém.
---Vou te ensinar como usar só quando quiser ou precisar de sua nova habilidade---Segure em minhas mãos e aprenda, vou liberar pra você a informação---Lana sentiu a impetuosidade do ser mágico a sua frente e aprendeu, apesar de sentir-se absurdamente cansada----descanse --- A mulher druida ajudou-a deitar-se.
---não vá! ---Pediu antes de adormecer tentando compreender se tinha um dom ou uma maldição?
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August jogou o copo na lareira, sentia-se frustrado foi mais uma pista falsa, parecia que Marie Adelaide sumira.
Com aquele toque na druída, Lana aprendeu muitas coisas sobre sua nova condição, aprendeu a controlar sua nova habilidade e a usa-la quando quisesse, que além de poder ver o passado das outras pessoas também podia curar pequenos machucados, e retirar a escuridão das pessoas.
Mas essas atividade tinham um preço, essas atividades roubava-lhe as forças ainda que momentaneamente, não ousara usa-lo mais, mas todas as tardes depois de seu turno de limpeza, e sua paciência exercitada com a ranzinza governanta, passava alguns momentos agradáveis com sua nova amiga.
Mesmo que não quisesse ela via a luz ou a escuridão das pessoas e sua querida amiga Roseline, tinha medo estava presa num sentimento de culpa pela morte dos que amava, bem a família da pobrezinha em nada contribui-a para a sua cura dois meses depois daquele episódio e tudo que ela recebia eram cartas, por isso Lana resolveu testar suas novas habilidades, o tempo estava passando ajudaria sua nova amiga, cuidaria para que Meg tivesse um futuro e voltaria até a família de Juliette.
Mas precisamente ao tio dela, August, torcia para que a esposa do homem a boneca de porcelana fosse tão linda por dentro e amasse sua pequena Juliette como sua aparência, se não fossem eles, usaria até o último instante de seu dom até achar as pessoas certas.
Talvez o capitão e a dona da pensão, sorriu, bem os fariam se encontrar, parecia que os dois tinham algumas coisas incomum, pelo menos a falsa rudeza,sorriu.
Guardou os baldes,limpou as mãos no avental,seguiu até o cômodo preferido de Roseline,bateu na porta,ela já estava lá bordando algo no claro da janela,parecia uma princesa de contos de fada,lá fora a grama do jardim era convidativa,mas a moça estava de costas e não via a beleza que a chamava,ela dava as costas para a vida,sua beleza e juventude,inundada em grande tristeza,pensou em si,no outro eu que preferiu tirar a própria vida,a enfrentar os problemas de frente,mas todos precisam de uma segunda chance.
Roseline precisava dar uma a si mesma ---Aproximou-se da janela e ficou contemplando o belo jardim, mas a frente um caminho ladeado de flores serpenteava até certamente o lago.
---Diga-me Roseline, não sente falta dos jardins,eles são tão lindos---A jovem abandonou o bordado no colo e suspirou saudosa
---Não são para mim...---Balançando a cabeça como se afugenta-se a ridícula esperança de ter algo perdido...
---Você é a dona, se não para si,de que adianta?---Lana falou aproximando-se da janela e abrindo mais as cortinas.
---Horas Lana, que pergunta!
---Já faz tempo de mais, porque não divide comigo sua dor?---Roseline a olhou nos olhos com um misto de espanto e esperança,coisa que não sentia a tanto tempo...
---C-como sabe? ---Perguntou espantada, enquanto Lana aproximava-se se ajoelhando ao lado da sua cadeira de rodas.
---Que todos se preocuparam apenas com seu exterior, do que com a dor que te consome?
Lana perguntou suave, tirou a toca, aquilo incomodava de mais, soltou os rebeldes cabelos castanho avermelhados, puxou uma cadeira sentou na frente da amiga, pegou nas duas mãos de Roseline, que sentiu uma confiança, a olhou nos olhos e fez o que nunca teve coragem,contar da sua dor,da sua culpa,sentiu-se confiante.---Respirou fundo como alguém que se prepara para mergulhar em aguas profundas.
"O casamento seria no dia seguinte, mas o vestido não havia sido entregue, então de tanto insistir o pai cedeu, e foram os três do campo até a cidade pegar o vestido, na volta estava chovendo muito o cocheiro se perdeu foram para a região das montanhas, estava escuro quando encontraram o caminho certo.
Maldito atalho, um raio assustou a parelha de cavalos, o cocheiro foi jogado e a carruagem soltou dos eixos no precipício, sentava-se junto com seu pai e noivo, como estivessem numa roda de moinho, de repente os gritos, o silêncio, o barulho da chuva, a escuridão, então quando acordou tudo havia mudado."
Lana chorava com Roseline, a abraçou de forma fraternal.
---Eu sinto tanto, minha querida a sua perda, mas eles não iriam querer que você desistisse da vida, assim, tenho certeza que eles ficariam felizes se lembrasse dos momentos bons.
Depois daquele desabafo Roseline, sentiu-se corajosa para falar dos dias felizes ao lado do pai e do noivo foi uma conquista lenta e gradativa, todas as tardes por mais um mês Roseline falou e falou até que fez um pedido surpreendente queria ir na tumba do noivo e do pai no cemitério da igreja na cidade ligada ao condado, para surpresa da governanta, a lady queria levar a limpadora de chão.
---Ajude-me, Estendeu as delicadas mãos para Lana, que olhou a diferença suas unhas estavam horríveis e as mãos cheias de calo, segurou as mãos de Roseline e liberou um pouco de sua energia para ela---Roseline contra todos os diagnósticos ficou em pé sobre pernas trêmulas, deu passos vacilantes até a tumba de seus queridos, depositou uma rosa em cada túmulo.
---Perdoem-me! ---Uma lágrima solitária rolou da face suave.
A partir daquele momento Roseline se perdoou permitindo-se lutar pela própria recuperação, Lana a criada que limpava o chão tornou-se sua única amiga e promovida para espanto de todos a sua acompanhante.
Cada dia daquele mês em sigilo, Roseline se exercitou com a ajuda de Lana, as vezes enquanto dormia, Lana liberava mais de sua força restauradora para a sua bela e doce patroa.
---É um milagre, Lana veja, posso correr---correu no amplo quarto rodopiando e dançando--- Entre um divertido passo de danças e pulos parou na frente de sua serva e amiga mais querida, notou-lhe agora a palidez e as olheiras---Está bem? ---Perguntou preocupada.
---Só um pouco cansada. ---Lana falou, sentia-se sem energia, e se pudesse fazer a vontade do seu corpo dormiria do amanhecer ao anoitecer, sentia que em breve essa vontade a venceria, mas por enquanto lutaria com todas as suas forças, necessitava de um lar para sua pequena Juliette.