---Se me dão licença, preciso de um momento--- Lana levantou-se iguinorando a mão estendida de August.As pernas falharam ele a segurou.
---Pobrezinha, deixe que eu cuido dela August...
---Agradeço sinceramente aos dois, mas preciso ficar só...
---No final do corredor tem o jardim interno, não é August?
---E-Era isso que você precisava falar comigo?---perguntou a meia voz,ignorando a mulher solicita a sua frente.
Falou sem esperar resposta,caminhou para a porta seguiu até o fim do corredor,no final tinha uma porta de vidro que dava para um jardim interno,no centro do pequeno jardim de piso de pedras tinha uma fonte várias roseiras completava o ambiente,sentou no banco de madeira um pouco mais afastado da entrada não havia teto,facilitando assim o claro da lua tinha mais duas portas de vidro em lados opostos mais era grande o suficiente,para sentir-se num jardim ao ar livre.
Lana suspirou, o jardim era bem agradável, o teto em arco de vidro permitia que a luz entrasse sem permitir que a chuva atrapalhasse ali dentro havia até long chaises espalhadas e escondidas dentro do jardim deitou-se em um, deixando-se embalar pelo som das águas da fonte de mármore adormeceu.
“ Estava andando dentro de uma espessa névoa, aparecia uma flor de cristal, sentiu o cheiro...”
August pediu Beatrice partisse, angustiado ficou na biblioteca, o choro da criança ecoava na casa.
---Jonas o que ocorre, porque a pequena está tão zangada.
---Os criados que temos não sabe cuidar de crianças senhor, e a mãe não está com ela.Não a encontramos em lugar algum --- August estranhou, a criada trazia nos braços uma estridente criança, o lord adiantou-se e para surpresa dos criados colocou a pequena no colo, a bela menina calou-se quase instantaneamente.
---Podem ir eu fico com ela de quarto.--- A pequena adormeceu,com cuidado August a depositou na cama do seu irmão, suspirou, ele tinha partido, mas tinha enviado dois presentes, a criada de quarto a contra gosto ficou velando pelo sono da pequena.
August estava preocupado, sabia que Marie estava no jardim, mas não queria pertuba-la então resolveu voltar para a biblioteca.
August encheu o copo sentou na poltrona em frente a lareira ficou olhando o fogo, olhando sem ver preso em lembranças.
Um sono profundo e repentino a tomou deitou ali sob a luz do luar e suas lembranças foram devolvidas e com ela toda a sua dor, cenas se tornaram tão reais em seus sonhos ou lembranças?
Arthur,Seu malfadado casamento,a traição,o acidente,as mortes,seu bebê,a pequena Ana Beatriz,a briga com Arthur,a falência,o desespero,a estupida tentativa de suicídio,o salvamento,o encontro surreal com...
Uma Druida, a lenda,o casal se despedindo,a despedida,o pedido do soldado para dizer a seu irmão...a pequena Juliette,uma segunda chance de viver,e sua atual situação,agora era Marie apesar de não ser na essência o era em efeito.
Lana havia morrido para seu tempo,sua vida,e por mais louco que parecesse,aceitara a chance de amar novamente, Ana Beatriz estaria sempre em seu coração, teria um lugar especial para sua pequena joia,mas agora tinha sob sua responsabilidade a felicidade de uma pequena flor,daria o seu melhor,viveria da melhor forma,ajudaria,aos que pudesse.
O Conde de Wessex também estava no jardim perdido em lembranças e dor.
August então com doze anos conversava com seu fiel amigo e irmão j**k de dez tinha fugido para o coração encantado da casa, próximo a fonte,brincavam muitas das vezes que eram aventureiros em terras antigas e encantadas e aquele jardim de fato era, o ponto de fuga dos pequenos lordes quando os pais trocavam farpas um para o outro,os dois irmãos fizeram um juramento naquele mesmo jardim.As vozes alteradas dos pais dos garotos chegavam até eles
---Não fale de moral para mim,condessa,quanto do meu dinheiro custa seu amantezinho artista?
---Como ousa?Já fui sua égua parideira,pari todas as tuas crias,algum ganho deveria ter...
O mais velho fechou as portas de vidro os isolando num mundo só deles com cheiros de flor e paz
---August não quero ser igual o papai e a mamãe---j**k falou enxugando as lágrimas.
---Como assim?---August sentou ao lado do irmão,os pais esqueciam que tinha filhos e só lembravam de digladiarem-se a sós,era uma família falida,odiava o quadro principal da casa,era falso,quando fosse lord e senhor,retiraria aquela farsa dali,não acreditava em família perfeita todas eram apenas fachadas,seguro que era assim"
De fato o August atual tornara-se cínico e frio,prometera-se nunca cair na armadilha do casamento, os herdeiros...Se não os tivesse sempre teria os filhos de j**k um romântico inveterado,certo que casaria.
---Parece que não existimos para esses dois---Suspirou o pequeno j**k,todas as peraltices que cometiam,os pais sorriam e lhe davam um presente mais caro que o outro,Se não fosse as lições de moral de August estava perdido,as meninas o estavam,todas chatas e tolas,frívolas apenas a pequena Rose não sabia falar então ainda não era tão chata.
---August façamos um juramento como os antigos e fieis cavaleiros---
---Sim façamos,meu bom fiel irmão---Falou de forma dramática
---Sou um caçador de dragões.
---E eu um caçador de ouro!
---Os dragões são mais perigosos que o ouro, quando encontrar minha princesa ela me amará eu a amarei e nunca a farei sofrer,mas sou um caçador de dragões,eles são perigosos,e se eu morrer cuide dela por mim.---falou solene.
----Irmão caço ouro,mas se morrer na luta com o dragão protegerei sua donzela com minha vida.
---Não pensa em salvar uma bela dama August?
---Ela tem ouro?---August tinha mais a natureza de um pequeno pirata enquanto j**k parecia um pequeno poeta.
As lembranças daquela conversa infantil o fez sentir um frio na espinha, parecia tão profética como um sonho recente e vívido.
Jack amava poesias,telas e tinta e adorava pintar,o quadro acima da sua lareira era a prova disso pintara a entrada da atual casa principal,não escapara nada nem mesmo as roseiras amarelas prediletas da pequena Rose
"Aquela conversa infantil o sacudira agora parecia tão profética como o que vivia,o dragão das tolas aventuras matara seu irmãozinho e ele deixara uma bela mulher,não mais donzela em apuros.
---d***a j**k,por que não me escutou?---Com fúria e frustração jogou o copo na lareira que se estilhaçou aumentando mais as faíscas do fogo.
Sufocado com toda a dor,ainda não se permitira chorar,era um conde,muitos dependiam de sua liderança,não podia ser fraco,aprendera desde cedo, não demonstrar seus sentimentos era fraqueza.
Sim era um nobre e fora educado rigidamente para ser um líder,isso lhe resultava muito poder e em contrapartida muita solidão,era uma escolha e seria assim,casaria um dia para ter seu herdeiro,se a mulher fosse bela e dividissem a paixão era o suficiente.quando a paixão acabasse ficaria almenos o respeito e a amizade,seu filho teria uma infância diferente da sua isso já era fato.
Mas como todos, conde August tinha seu momento humano que reclamava por vir a superfície,não era o quarto a testemunha desses raros momentos a não ser o coração da casa,o lugar encantado,se existisse magia! Nada disso aconteceria,amor romântico?Ele August não sofreria por essa praga,era uma maldição ,riu sem vontade.
Encaminhou-se para seu santuário,como em um ritual fechou todas as portas,a cada que fechava,liberava-se,ao som do último trinco as lágrimas silenciosas marcavam o rosto másculo,olhou para o jardim interno era um grande salão circular com roseiras e alguns bancos de mármore era de fato um jardim,no centro havia uma fonte,oculto por um meio muro inglês era um labirinto de trepadeiras o prêmio final era a fonte e o grande banco de madeira de carvalho lá onde a donzela imaginária de j**k estava presa.
August lembrou dos tempos infantis onde as vezes ele era o dragão, nessas horas no jardim também era onde o grande tesouro ficava escondido,nessas vezes j**k era o espadachim inimigo,juntos matavam dragões,caçavam tesouros,porém o tempo foi passando e ambos crescendo.
Jack seguiu o ideal i****a de ser um herói,e ele cinicamente,tornou-se o caçador de ouro,suas irmãs diziam que tinha números em vez de coração,fez fortuna com embarcações,e depois herdou o titulo e as terras do pai,tentou fazer j**k ser menos sonhador e mais pratico,resultou naquela fatídica briga,fora sem sua benção,morreu sem que se falassem,não pode dizer que o amava.era de fato uma maldição o amor.
Fazia sofrer seu portador e mesmo que não soubessem August padecia desse sentimento tão r**m,soluçou,sentia-se fraco naquele momento,todos comentavam a sussurros que não esboçara um único pesar ou soluço de sofrimento pela morte do irmão,era assim melhor,por que,ser um espetáculo?Queriam um sinal de fraqueza que não os daria.
O luar invadia o jardim com sua pálida luz,apenas o suave barulho da água da fonte quebrava o silêncio,August chegou até o centro do labirinto,até a fonte e qual foi sua surpresa deitada no grande banco de carvalho,com a face banhada pela luz da lua os cabelos soltos,as mãos entrelaçadas dormindo um sereno sono,estava a bela de j**k.
como hipnotizado aproximou-se,parecia tão bela e tão etérea,com o raciocínio meio embotado pelo álcool ajoelhou-se notou que lágrimas escorriam pelos cantos dos olhos da bela,sentia-se um canalha que era,desejava a princesa do seu irmão,foi tocar o belo rosto,mas deteu-se,se levantou rápido,lavou o rosto na fonte para desanuviar a mente e retirar os vestígios de lágrimas.
Lana acordou da mesma forma que dormiu de repente,abriu os olhos,levou um momento para situar-se,o primeiro que viu foi a lua que ia alto no céu,depois o perfume de rosas a despertou,mas a que deixou mais curiosa foi a figura do conde de costas ouviu um soluço masculino isso cortou-lhe o coração.
Deus como era lindo,não estava disposta a sofrer mais deste m*l "amor",lembrou do último desastre,mas o homem era o que poderia dizer no mínimo atraente,estava chorando tentando recompor os dolorosos soluços,que se tornaram apenas em baixos grunhidos,não saberia bem o que falar,mas diabos era muito impulsiva,levantou-se e apoiou a mão em um dos ombros musculosos,músculos rígidos,ombros fortes...Obrigou-se a se focar(Lana, Lana deixa de ser louca)Ralhou consigo.
August surpreso sentiu uma delicada mão em seu ombro,a segurou levantou sem nunca solta-la,Lana olhou para cima abraçaram-se e choraram cada qual a sua perda a sua dor,a jovem sentiu-se protegida em braços consoladores,chorou por sua filha,pelo amor traído,pelo irmão que jamais veria novamente enfim encontrou o consolo que faltou no dia que resolveu dar cabo da própria vida.
Olharam-se nos olhos, ele enxugou as lágrimas dela e ela igual,com suavidade limpou as lágrimas da máscula face,fundiram-se em um beijo,sem palavras,sôfrego,selvagem, desesperado.
O inesperado beijo findou da mesma forma que começou,rápido,se soltaram ficaram alguns segundos se entre olhando assustados consigo próprio.
---Desculpa,não era para ter acontecido---August falou a guisa de desculpas em resposta Lana assentiu com uma das mãos nos lábios sem saber se queria apagar ou reter o calor do beijo, correu para o quarto que estava hospedada sem dizer nenhuma palavra.