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Blurb

Lizzie cuida da pequena Olívia praticamente desde que nasceu. Seu pai Jack Reed é um workaholic que nega a existência da bebê depois de um grande sofrimento. Mas tudo pode mudar de repente.

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Partidas e chegadas
Lizzie estava se sentindo sem rumo. Sem casa, morando num quartinho, sem emprego, Sem saber como continuaria a faculdade. Quando saiu do orfanato, Maria, a quem considerava como mãe -uma das cozinheiras do orfanato- mesmo sem ter muitos recursos, havia lhe dado algum dinheiro, mas já estava acabando. Precisava urgente de uma solução. Precisava de um emprego. Ela saiu pra caminhar mais uma vez para distribuir currículo, embora não adiantasse de muito, pois além de cuidar das crianças do orfanato, não tinha nenhuma experiência. -Meu Deus eu não aguento mais andar, meus pés estão me matando! Ela se lembra que está perto da igreja do Padre Tomaz. Ele a conhece desde pequena, lá poderia descansar e se aconselhar. Caminhou um pouco mais e chegou a Igreja. Ela se ajoelhou e rezou. Pediu que não perdesse as esperanças, que tudo desse certo. Mas se distraiu ao ver Padre Tomaz conversando com um homem alto e elegante de olhar triste e sombrio. Ele com certeza era o homem mais bonito que já tinha visto na vida. Apesar de não conhecer muitas pessoas. Seus olhos de um azul profundo, eram tristes e melancólicos. - Lizzie! Que bom que você veio! Estava exatamente falando de você! Lizzie saltou da hipnose de olhar aqueles olhos tão azuis... - De mim? Por que? Aquele homem lindo de feições tristes se aproxima. O corpo de Lizzie treme. Ela não entendia por que. -Sim! O Sr Reed precisa urgentemente de uma pessoa para cuidar de sua filha, pensei em você já que cuidava das crianças do orfanato e está buscando emprego. - Senhorita? Qual seu nome? A voz dele parece tão intensa quanto seu olhar. Calafrios. Lizzie tenta se concentrar. - Lizzie... Lizbeth West - Preciso de alguém com experiência para cuidar da minha... Ele engasga e se recompõe em seguida. -... filha. A senhorita parece muito jovem... Lizzie tinha 20 anos. Ficou mais tempo que a idade limite para a maioria, por ajudar com as crianças no orfanato. Mas não poderia ficar mais , já que em pouco tempo faria 21 anos. De repente uma angústia queimou seu peito e sem perceber ela já estava falando. - Posso até ser nova! Tenho 20 anos, mas entrei pra faculdade pública com 17, fui criada no orfanato e lá ajudei a cuidar de outras crianças, bebês inclusive! Lizzie respondeu sem pensar ,num tom forte, quase de desabafo. Estava tão cansada de procurar emprego e ser dispensada ... era sua oportunidade e talvez tivesse soado grosseira... De repente os olhos tão amargurados pareciam esboçar um sorriso... - Entendo... Se quiser podemos fazer uma experiência. A senhorita teria que morar em minha casa, teria acomodações e refeições e ... Acho que esse salário seria justo. Ele entrega um papel com um valor absurdamente alto para uma babá. -Eu... Lizzie engasga. As palavras sumiram de sua boca. Seria um milagre? Deus estaria escutando suas preces? Lugar para morar, alimentação E esse salário... PUTA MERDA que salário! - Senhorita West? O que me diz? - Eu topo! Lizzie falou sem hesitar. -Mas eu faço faculdade a noite... As aulas estão para começar. Algum problema? Os olhos dele tinham um tom diferente. Surpresa. - Problema nenhum. A noite a Sra Silver pode lhe ajudar. Padre Tomaz comemorou euforicamente. -Deus seja louvado! Tenho certeza que dará tudo certo. - Então, vamos? Onde podemos pegar suas coisas? -Hã?Já? - Senhorita, eu preciso para hoje! A voz dele tinha um tom de autoridade que estremeceu o corpo de Lizzie. Ela respirou fundo. Não podia perder essa oportunidade. Aceitou com um gesto com a cabeça. -Ótimo. Passe seu endereço ao motorista. Lizzie falou o endereço ao motorista. Entrou no carro enquanto Padre Tomaz acenava com um sorriso. O caminho até seu quartinho foi de um silêncio profundo. Seus olhos as vezes se cruzavam, mas a maior parte do tempo eles olhavam pelas janelas. O carro parou. - Voc... A senhorita mora aqui? Os olhos dele pareciam não acreditar no que viam. Era um pequeno cortiço, cheio de janelas e roupas penduradas em cordões, numa pequena viela. As pessoas olhavam assustadas também... Um carro tão chique num lugar como aquele... Lizzie respondeu um pouco ofendida, um pouco envergonhada. -Sim, o que pude pagar... Eu... volto já Em poucos instantes juntou suas poucas roupas em sua mochila, um livro, uma bíblia, dois pares de sapatos ... era tudo que tinha além de uma boneca de pano e rosto de louça, lembrança de sua mãe. - Isso é tudo? -Sim. O olhar de surpresa parecia mais triste. Pena. Lizzie se sentia mal. Não gostava daquele sentimento. Ela respondeu entrando no carro. Tentando controlar as lágrimas que insistiam em brotar no seu rosto. No caminho o carro parou novamente. O Sr Reed desceu. Ele parecia abatido. Derrotado. Lizzie estranhou. Estavam em um hospital. -Senhorita West, vou precisar que pegue... A... menina... Ele se mexia desconfortável, sua voz baixa e rouca. Angustiado. Lizzie perguntou sem pensar... -Onde está a senhora Reed? - El.. Ela... ela se foi... As palavras dele saíram como um sussurro... carregadas de dor. Lizzie engoliu seco. Que triste. Perder a esposa no nascimento da filha... e a bebê? Nunca conheceria a mãe! Seria órfã como ela. As lágrimas insistiam em brotar. Ela se recompôs e foi pega-la. Em instantes a enfermeira lhe entrega uma linda bebê nos braços. Um estranho sentimento maternal lhe inunda o peito. Ela é linda! Como sua boneca, como porcelana. Ela caminha para o carro, mas antes em direção ao senhor Reed ,mas ele acena friamente, pedindo que se afaste. Até chegar a residência, nenhum som, além do doce som da pequena. Nenhum olhar. O senhor Reed se mantinha frio e distante, olhando pela janela. A casa era na verdade uma mansão, tinha uma estradinha, um amplo e verde jardim, de longe se via um lago. Na porta uma simpática senhora lhes aguardava. - Oh, bem vindos... você é? - Lizzie, a babá da pequena... Ela se deu conta que não sabia o nome da menina. Antes que pudesse perguntar a senhora lhe respondeu. - Olívia. A mãe dela gostaria que se chamasse Olívia. Sem nenhuma cerimônia a senhora abraça Lizzie e a pequena... repetindo baixo... “bem vindas... bem vindas..” - A senhora deve ser a Senhora Silver... -Sim, mas me chame de Diana! Sou a governanta dos Reed desde muito, muito tempo... - Diana, por favor, assuma daqui e mostre a senhorita West os quartos e o restante da casa . Ele falou já se afastando. Sem olhar para trás, sem um mínimo contato com a pequena. Aquilo parece errado. Ele é o pai dela. Lizzie aperta a pequena sob seu peito. Enquanto Diana tagarela e mostra a casa, o pensamento de Lizzie vagueia. Não consegue pensar em mais nada além de tanta dor. Para que serve casa bonita, tanto dinheiro e luxo... e tanta tristeza. Elas chegam ao quarto da bebê. Tudo tão lindo. De um rosa suave, decoração de princesa. O berço enorme, com almofadas e cobertores em lindos tons de rosa... -Lindo não é? Sarah decorou tudo ela mesma. Dedicou seus últimos dias... 《Sarah... Senhora Redd》 -Se de é seu quarto. Diana aponta para uma porta dentro do quarto da menina. Ligando os dois cômodos. É um lindo quarto decorado também em tons de rosa, talvez três vezes maior do que o quartinho onde morava. - Ficarei perto de você pequena... Lizzie fala olhando para a bebê em seus braços - Oh.. vocês parecem... Ela para - Melhor deixar que se acomode. Pode me dar a menina se quiser. -Não! Não precisa! Lizzie respondeu instintivamente puxando a bebê para si. Sentindo o desconforto do seu ato ,ela tentou consertar. - Eu cuido dela, é meu trabalho. Diana assentiu com a cabeça e saiu.

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