Capítulo 29 Magnata

1616 Words
Magnata Narrando Puxei a carteira da mochila e levantei. O corpo já funcionando no automático. Fui andando na direção do quiosque… mas passei por elas primeiro. Sem parar. Só desacelerei o suficiente. — E aí, baixinha… — soltei pra amiga, a voz arrastada. Ela arregalou os olhos, me reconhecendo. — E aí, cacheada… — falei com a amiga da Luísa a cacheada e logo desviei o olhar olhando direto pra ela, sentindo o impacto de novo. — "Tá mais linda ainda." — pensei em aproximando dela. — E aí, gostosa… — sussurrei no ouvido dela, a boca quase roçando a pele. Ela travou. O corpo todo dela ficou rígido por um segundo. — Você… — falou, surpresa, a voz saindo falhada. Inclinei mais, quase encostando. — Tava com saudade. — sussurrei. E dei um beijo no ouvido dela. Devagar. Sentindo. Nem esperei reação. Segui andando, o coração acelerado. Fui até o quiosque, pedi duas águas de coco. Mas minha atenção? Toda nela. De longe. Olhando cada movimento. — "Tá mais linda ainda…" — pensei, olhando de canto. — "Os cachos. O jeito. O sorriso leve com as amigas. A pele bronzeada brilhando no sol." Peguei os cocos e voltei. Mas quando cheguei… Jonas já tava em cima. De novo. O mesmo playboyzinho. A mesma cara de quem acha que tem direito. Ele me viu e arregalou o olho na hora. A boca entreabriu, o corpo recuou um passo. — E aí, Luísa… — ele falou, a voz trêmula. — Esse cara é alguma coisa seu? — "Agora ele quer saber?" — pensei, sentindo o sangue ferver. Nem deixei ela responder. Entreguei o coco na mão dela, os dedos roçando nos dela. E bebi o meu, olhando direto pra cara dele. Calmo. Frio. Depois… sem aviso… Mandei a mão. Seca. Na cara dele. O impacto estalou no ar. Ele caiu pra trás na areia, os braços abrindo, o corpo batendo fofo. — Que pørra você pensa que tá fazendo?! — ela gritou, os olhos arregalados. Olhei pra ela. Calmo. — Cuidando de você, princesa. — falei, tranquilo, a voz baixa. — Eu falei que ia cuidar… e vou cuidar sempre. Inclinei a cabeça. — Tá afim de dar um mergulho? — Você não tá vendo que ela é cadeirante, seu arrombado?! — Jonas gritou, levantando do chão, a areia grudada na cara. Mostrei o dedo do meio pra ele. — Føda-se. Virei pra ela. — Licença. Peguei o coco da mão dela e entreguei pra amiga que tava mais perto. Me abaixei, passei o braço pela cintura dela e levantei. Leve. Como se fosse nada. O corpo dela encaixou no meu, os braços dela se apoiaram nos meus ombros. Tirei a saída de banho devagar. O tecido deslizou pela pele. E aí… vi. Pørra… Fiquei olhando. De cima a baixo. — "Caralhø…" — pensei, os olhos passeando. — "Como é que pode ser tão linda assim? Como é que pode ser tão perfeita?" A pele macia brilhando no sol. O corpo desenhado, cada curva no lugar. Os cachos caindo pelos ombros. Os olhos dela me encarando de volta. Respirei fundo. — Pode deixar que eu seguro. — amiga da Luísa falou na hora que peguei a carteira. Olhei meio torto pra ela, desconfiado. — "Essa aí é rápida" — pensei. — Joga aí, chefe! — o menor já gritou de longe. Concordei e joguei a carteira. Ele pegou no ar, ágil. — Se mexer na minha mochila… — falei, o olhar pesado. — Nem se preocupa, chefe! — ele respondeu, rindo. — Pode ficar tranquilo. Voltei pra ela. Olhei nos olhos dela. Passei a mão por baixo do corpo dela. E fui andando pro mar. Ela segurou no meu ombro com força. Os dedos dela apertaram a pele. — Eu tô com medo… — a voz dela saiu baixa, quase um sussurro. Olhei pra ela. — Já entrou no mar? — Não… — Então fica tranquila. — falei, sentindo o peso dela nos braços. — Tô contigo. Fui entrando devagar. A água subindo. Primeiro os pés. Depois os tornozelos. Depois as pernas. A água gelada batendo nos dois. — Que que tu tem com aquele arrombado, do Jonas? — perguntei, os olhos fixos nela. — Como você sabe o nome dele? — ela rebateu na hora. — Não interessa. — respondi. — Responde. — Nada. Ele é meu amigo desde o fundamental. Soltei uma gargalhada. — Nunca vi amigo beijar na boca. — Soltei e ela virou o rosto, os olhos com a expressão de indignação. — Você é um desconhecido fuçando minha vida. — a voz dela saiu firme agora. — Vai me levar pra mergulhar ou vai continuar falando do Jonas? Ri. E quando ela virou… Minha boca encostou no canto da dela. Por um segundo. Só um segundo. Ela travou. Olho arregalado. Corpo parado. A respiração presa. Olhei pra ela. Perto. Muito perto. — Você é linda… — falei baixo, os olhos nos olhos dela. E mergulhei com ela nos braços. A água fechou em cima dos dois. E por um momento… não existiu morro, não existiu guerra, não existiu nada. Só ela. E eu. Debaixo d'água. Com ela nos meus braços. A água fechou em cima dos dois. Por um momento, não existiu morro, não existiu guerra, não existiu nada. Só ela. E eu. Debaixo d'água. Com ela nos meus braços. Mas aí… o desespero veio. Ela se agarrou no meu pescoço com uma força que eu não esperava. Os dedos dela cavaram na minha pele, as unhas cravadas, o corpo todo dela tremendo. Ela tentava subir, tentava se agarrar em mim como se o mar fosse engolir ela inteira. O coração dela batia tão forte que dava pra sentir contra o meu peito. — "Pørra…" — pensei, sentindo o pânico dela. — "Ela não sabe nadar." Puxei ela pra cima na hora. O corpo dela colado no meu, os braços dela enlaçados no meu pescoço, a respiração dela ofegante, o peito subindo e descendo acelerado. Os olhos dela arregalados, perdidos, como se o chão tivesse sumido. — Calma, calma… — falei, segurando ela firme, os braços envolvendo a cintura dela. — Tô contigo. Não vai acontecer nada. Ela abriu os olhos. Aqueles olhos que me enfrentaram no telefone, que me encararam sem medo, agora tavam arregalados, assustados, marejados. A mão dela apertou meu ombro com força, como se eu fosse o único lugar seguro no mundo. — Eu… eu não sei nadar… — a voz dela saiu trêmula, quase um sussurro. — Meu Deus… — Fica tranquila. — falei, puxando ela mais pra perto, sentindo o corpo dela relaxando devagar. — Tô segurando. Você não vai se afogar comigo não. Pode ficar de boa. Ela respirou fundo, tentando se acalmar. Os dedos ainda cravados no meu ombro, mas o corpo já tremendo menos. — Quem é você? — ela perguntou, os olhos fixos nos meus, a voz ainda meio trêmula. Olhei pra ela. Olhei fundo. O cabelo cacheado molhado, os fios grudando no rosto dela, as gotas escorrendo pela pele. Linda. Linda de doer. — Eu sou o oposto de você. — falei, a voz saindo mais grave. — Você é o meu anjo. Ela franziu a testa, confusa. — Por acaso você é o demônio? — perguntou, um meio sorriso começando a se formar. Dei uma risada baixa. A água batendo nos dois, o mar balançando suave. — Você pode ter certeza. — respondi. — Eu sou o demônio… pra quem merece. Ela ficou me olhando por um segundo. Depois, soltou o ar que tava preso. O corpo dela relaxou de vez nos meus braços. — Obrigada. — ela falou baixo. — Do quê? — perguntei, confuso. Ela passou a mão no rosto, tirando os cachos molhados da frente dos olhos. — De todo mundo aqui na praia… você foi o único que me colocou em contato com o mar. — a voz dela saiu mais calma agora. — Era tudo que eu sempre quis. Fiquei quieto, ouvindo. — Eu nem lembro qual foi a última vez que eu entrei no mar… — ela continuou, os olhos perdidos na água. — Acho que foi meu pai me carregando. Quando eu ainda era criança. Meu peito apertou. Não sei por quê. Mas apertou. — Não acredito. — falei, balançando a cabeça. — Uma mulher tão bonita… pele tão bonita… ainda não foi abraçada pelo mar? Ela me olhou, a sobrancelha arqueada. — O mar não conhecia o seu cheiro? — completei, com um sorriso de canto. Ela revirou os olhos. — Deixa de ser bobo. Ri. A gargalhada saiu solta, gostosa. — Bobo? — repeti. — Nunca me chamaram de bobo antes. — Pois é, tem primeira vez pra tudo. — ela provocou, já mais relaxada. Olhei pra ela. O rosto dela iluminado pelo sol que já tava se pondo. Os olhos dela brilhando. A boca entreaberta, pronta pra provocar de novo. — Tá melhor? — perguntei. — Estou. — ela respondeu. — Quer ir mais pra dentro? Ela olhou pro mar aberto, depois pra mim. — Estou com medo. — Já falei. — segurei ela mais firme. — Eu tô contigo. Ela mordeu o canto da boca. Pensou. Depois assentiu. — Vai devagar. — Sempre. — falei. E comecei a andar. Devagar. Sentindo cada passo na areia molhada. A água subindo. Primeiro na cintura, depois no peito. Ela segurava no meu ombro, confiando. E eu? Eu tô aqui. Com ela. Fazendo algo que ela sempre quis. E no fundo, no fundo mesmo… eu sei. Essa pørra já não e mais só atração. É mais. Muito mais. E eu não tô pronto pra admitir. Mas também não tô pronto pra fugir. Continua...
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