Capítulo 45 Magnata

1447 Words
Magnata Narrando Eu já tava bolado desde cedo. Sentei na minha mesa na boca, puxei o notebook, abri o sistema de monitoramento que o Cyber montou pra mim e fui direto nas localizações da Luísa. Mania que eu já tinha criado. Nem percebi quando isso virou rotina. Só sei que virou. Antes de qualquer coisa, antes de resolver BO, antes de dar ordem, eu já tava ali, olhando aquele pontinho no mapa, acompanhando o movimento dela. Saber que ela tava bem era o que me mantinha calmo. Bem na hora, o Cyber mandou mensagem: "Tem novidade." Nem respondi. Já joguei a localização da casa dela na tela e comecei a seguir as câmeras. Nada demais. Silêncio. Tranquilo. Aí veio outra mensagem. "Vai pra loja. Agora." Eu cliquei. E foi aí que eu vi. A discussão acontecendo ao vivo. O filho da p**a gritando com ela. Apontando o dedo. Falando um monte de merda. Palavra pesada. Palavra suja. Palavra que não sai da cabeça de uma mulher nunca mais. A cara dele vermelha de raiva, o corpo inclinado pra cima dela, os braços abertos. Ela recuando na cadeira, tentando se proteger. — "Esse arrombado" — pensei, os dedos crispados no mouse. — "Ele vai pagar por isso." Eu fiquei olhando aquela cena com o maxilar travado. O sangue fervendo. A mão apertando o notebook. Não falei nada. Só mandei uma mensagem pro Nandinho. Ele já sabia o que fazer. Eu ainda não tinha explanado esse assunto geral, mas ele me conhece. Sabe ler quando eu mando mensagem seca, curta. Dois minutos depois ele respondeu: "Já foi resolvido." Eu nem quis saber como. Não perguntei se bateu, se ameaçou, se deu tiro. Só precisava saber que ele tinha aprendido. Que ele nunca mais ia chegar perto dela. Fechei o notebook, subi correndo, fui pra casa, tomei um banho rápido, troquei de roupa e botei exatamente a imagem que ela sempre me viu: bermuda, camiseta, sandália. Normal. Nada que assustasse ela. Só peguei a peça e dois pente cheio. Porque por mais que eu quisesse ser só o cara da praia, eu sabia que o mundo não deixava. E pisei direto pra localização dela. Quando cheguei na loja, eu só entrei. Não falei muito. — Vamos, Luísa. A mulher do balcão ainda perguntou se eu queria alguma coisa. Eu falei que não. Que só tinha ido falar com a Luísa. A outra mina perguntou se me conhecia. Forcei a memória, balancei a cabeça dizendo que não. Mas vai saber, né… Quem já subiu morro pra curtir baile ou pagode sabe muito bem quem eu sou. Só que ali, eu não era o Magnata do morro. Eu era só o cara da praia. Ela saiu. E quando eu botei a mão atrás da cadeira e perguntei que pørra foi aquela, eu já sabia de tudo. Abri o carro, peguei ela no colo como se fosse a coisa mais natural do mundo. O corpo dela leve nos meus braços, os cachos roçando meu rosto. Coloquei no banco com cuidado, fechei a cadeira e joguei atrás. Entrei segui. No caminho, ela respirou fundo. A mão dela mexendo no vestido, os dedos inquietos. Eu dirigindo. Ela do meu lado. Silêncio. O barulho baixo do motor, o vento entrando pela janela, o cheiro dela tomando conta do carro. Ela com as mãos no colo, os cachos caindo sobre os ombros, a cara virada pro vidro. — Onde a gente vai almoçar? — Ela quebro o silêncio primeiro. — Reservei um lugar especial pra nós dois. — respondi tranquilo. Ela virou o rosto pra mim. — Nossa… estou importante assim? — Restaurante do chef. Ela arregalou o olho. — No Copacabana Palace? — ela pergunta incrédula. — "Ela conhece" — pensei, um sorriso de canto abrindo no rosto. — "Ela sabe onde é." Eu só dei um sorrisinho de canto. — Eu quero ter uma conversa séria com você. — Fala. — O que você realmente quer? — Você. Ela virou o rosto pra mim. O olhar sério. — Não existe isso. — a voz dela saiu firme. — Você aparecer do nada, me ver na praia e dizer que me quer. Eu não acredito em amor à primeira vista. E muito menos que você seja o tipo de cara que se apaixona por uma mulher como eu à primeira vista. — "Mulher como ela" — repeti mentalmente, sentindo o peso da frase. — "Ela ainda não sabe o que eu vejo." Eu respirei fundo. Apertei o volante. — Eu não sei o que é isso. — falei, a voz saindo mais grave. — Só sei que desde que eu te vi, eu sei que tenho que te proteger. Eu gosto de cuidar de você. Ela soltou um riso sem humor, a cabeça balançando. — Gosta nada. — rebateu. — Proteger nada. Senão você já tinha me falado seu nome. Eu parei no sinal. O carro estacionado. O sol entrando pelo para-brisa. Olhei pra ela. — Olha bem pra mim… — pedi, a voz baixa. — E me diz aí. Qual nome você me daria? Ela me encarou sério. Os olhos analisando cada traço do meu rosto. — É sério mesmo? — perguntou. — Fala. Ela respirou fundo. — Você fala que é um demônio. — começou. — Dá pra ver no fundo dos seus olhos que você tem esse lado. Mas pra mim… você é um anjo. — "Anjo" — pensei, sentindo o peito apertar. — Tem gente com cara de anjo, olhar de anjo, que nunca fez nem metade do que você fez por mim. — ela continuou. Deu uma pausa. — Mas por outro lado… você tem uma cara de magnata. Eu gargalhei. Não teve jeito. A risada escapou solta. Ela franziu a testa. — Por que você tá rindo? — Porque, satisfação… — falei, ainda rindo — geral me conhece como Magnata. Ela ficou me olhando. Os olhos arregalados. — Como assim? — perguntou, a voz baixa. — Não sei. — dei de ombros, provocando. Ela começou a rir. Uma risada solta, gostosa, que fez meu peito aliviar. — Então é isso? É assim que geral te conhece? Magnata!? — ela disse, ainda rindo. — Só você mesmo pra me fazer rir depois de tudo que aconteceu hoje. O riso dela foi diminuindo. Eu fiquei sério. Olhei dentro dos olhos dela. — Se depender de mim, você nunca mais vai chorar. — falei, a voz saindo firme. — Se depender de mim, você nunca mais vai passar pelo que passou hoje. Ela respirou fundo. Os olhos marejados, mas segurando. — Essa conversa me deu fome. — ela falou, desviando o olhar. — Aguenta aí. — respondi, manobrando o carro. — Vou estacionar e a gente sobe. Estacionei, dei a volta, desci peguei a cadeira abri e em seguida peguei ela no colo de novo. O corpo dela encaixando nos meus braços, a mão dela no meu ombro. Beijei a cabeça dela e coloquei ela na cadeira. Subimos. O restaurante já tava preparado, uma mesa mais reservada, longe dos olhos. Encaixei ela e sentei de frente pra ela. O garçom veio. — Quero o prato do chef. — falei, fechando o cardápio. Olhei pra ela. — Vai beber o quê? — Eu não bebo álcool… — ela começou. — Mas hoje eu quero alguma coisa pra esquecer o que aconteceu. — "Ela tá machucada" — pensei, sentindo o aperto no peito. Olhei pro garçom. — Traz uma bebida leve pra ela. E um whisky pra mim. Fiquei olhando pra Luísa. Ela mexendo no guardanapo, os dedos inquietos. Linda pra caralhø. Frágil nada. Forte pra pørra. Mas machucada. E aquilo tava me corroendo por dentro. — Eu quero você comigo 24 horas. — Falei e ela levantou os olhos devagar. O olhar dela me atravessou. Não é medo. Não é susto. Foi tipo surpresa. Foi tentando entender. E eu falei sério. Sem marra. Sem pose. Só verdade. — Eu não tô brincando. — completei, encarando ela. — Depois de hoje, eu não vou conseguir dormir sabendo que você tá sozinha, que você tá vulnerável, que alguém pode te machucar. Ela abriu a boca pra falar. Mas antes, o garçom chegou com as bebidas. Colocou o whisky na minha frente, uma taça na dela. Peguei o copo. Ela pegou o dela. — E aí? — perguntei. Ela sorriu de canto. — E aí o quê? — ela sempre com as perguntas dela. — Brinda comigo. Ela ergueu a taça. Os olhos nos meus. — Brinda pelo que? — Pelo começo. Ela ficou me olhando. Depois tocou a taça no meu copo. O barulho ecoou baixo. E eu tive certeza. Essa mulher vai ser minha. Continua...
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